quarta-feira, 7 de julho de 2010

Homem com H

Antes de começar este texto, quero esclarecer que esta que vos escreve é uma pessoa desprovida de preconceitos relativos à cor, etnia e orientação sexual. Por isso, quero que vejam este post como a única coisa que ele pretende ser: um texto leve, de humor, sem qualquer intenção de ridicularizar qualquer pessoa ou grupo de pessoas.

Mais um dia de trabalho, mais uma vez o telefone toca. Eu limpo a garganta, tomo um Prozac e me preparo para fazer aquela voz de apresentadora de programa infantil.

De um lado, An@Lu. Do outro, uma voz feminina.

- Bom dia, fala An@Lu, posso ajudar?
- Oi Ana, eu queria saber o câmbio.
- Claro Senhora. Só um minutinho... Está X.
- Ah, tá bom, né? Olha, você pode ver uma coisa para mim? É que eu tive um probleminha de um envio que não chegou.
- Entendo. Estamos aqui para ajudar, Senhora. A senhora tem o recibo?
- Não tenho.
- Ok, não há problema. Como a senhora se chama?
- Silva de Sousa (nome fictício)
- E o primeiro nome, Senhora?
- João.

Ok, por esta eu não estava a espera.

Engoli em seco, sufoquei um risinho que queria nascer. Procurei o cliente no sistema. Voltei à linha meio sem jeito. Afinal, eu ia continuar chamando o João de "senhora"? E, claramente, ele não gostaria que eu o tratasse por "senhor". Lembrei que "você" não tem gênero e larguei o formalismo.

Entre um "você" para cá e outras estratégias para evitar palavras que denunciassem o sexo do cidadão, resolvi o problema. Para finalizar a conversa e numa perspectiva totalmente "client-oriented", perguntei:

- E quer uma cópia do recibo por e-mail?
- Vocês fazem isso?
- Sim, pode dar o seu endereço de e-mail?
- joanagostosa@xxx.com
- ok.
- Olha, e só mais uma coisa...
- Da próxima vez não precisa me chamar de senhora que envelhece. Pode me chamar só de Joana.

1 comentário:

Alex Page disse...

Haha! Porque é que eu nunca recebo telefonemas desses clientes XD