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sábado, 20 de outubro de 2012

Enfim sós

Nós dois éramos dois sós.
Nós dois viramos um só.
Nós dois brilhamos como sóis.
Nós dois já não somos nós.
Nós dois que ficamos sós.
Nós dois que viramos pó.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Arte de Marinheiro


Para manter um amor são precisos nós.
Nós simples, sem complicações.
Amarrados com naturalidade.
Nós fortes e seguros, sem pontas soltas.
Nós enrolados um no outro, mas sem enrolação.
Nós para resistir ao tempo e às tempestades.
Nós que ninguém separe.
Nós unidos um no outro.
Nós dois.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ao mar

Eu olho para você e sorrio querendo te amar.
Eu olho para você e só rio querendo-te mais.
Eu olho para você e sou rio querendo-te mar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Reticências

De um jeito ou de outro, a gente se atura e se adora. Se procura, se devora. E então tudo é perfeito. Eu e você, suas taras, minhas manias, nosso jeito...

domingo, 11 de outubro de 2009

Criação

... E eis que com um movimento teu os meus lábios se contorceram de modo involuntário. A este espasmo, você deu o nome de sorriso.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Moira



Quero que o mundo me leve,
me carregue,
me acolha e me devore.

Que é para fingir que não fui eu que fiz,
que não fui eu que quis,
e que não tive escolha.

O destino é sempre a melhor desculpa.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Efêmero

Hoje eu me peguei pensando como tudo na vida pode mudar em segundos. Do nada, assim, de repente. Vinícius é que sabe.

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes

sábado, 14 de junho de 2008

Maldita modernidade

Aí você anda de escadas rolantes, e esquece como se sobem os degraus.
E liga o ventilador, e esquece como é o vento.
Usa chinelos, e esquece de como é gostoso ter os pés sujos.
Fecha as cortinas, e esquece como é o sol.
Fala com os amigos pela internet, e esquece como se dá um abraço.
E tira mitas fotografias, e se esquece de apreciar a paisagem.
Compra presentes, mas esquece de estar presente.
Usa perfume, e esquece o cheiro da pele.
Vive em função do fim do mês, e esquece os dias.

Até que um dia morre, se esquecendo de ter vivido.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Na mesma estrada

Eu faria tudo de novo.
Igualzinho.
Tropeçaria nas mesmas pedras e cairia nos mesmos buracos.
Apesar de arrependida, cometeria os mesmos erros.
Agiria da mesma forma estúpida.
Afinal, é isso que eu sou.
Sou os meus erros e meus acertos.
E não aceito ser de outra maneira.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Expiação

Já odiei, já amei e já fui indiferente
Errei e vi errarem. Perdoei sem ter sido perdoada.
Caí e me levantei. Depois caí de novo sem conseguir me levantar.

Quebrei pratos e copos. Quebrei a cara.

Me arrependi de coisas que fiz, de coisas que não fiz e outras que poderia ter feito.
Fui a tábua de salvação de quem nunca esteve se afogando.

Espalhei pedaços de mim pela casa sem conseguir me juntar.
Me rodeei de pessoas que não queria porque não podia estar com quem desejava.
Sonhei com os pés no chão e umas vezes voei tão alto ao ponto de esquecer meus pés.
Mudei de casa, de carro e de ideias.

Procurei o lado bom de pessoas e coisas que tinham um lado só.

Levantei bandeira branca na guerra e já fiz da guerra a minha bandeira.
Virei a mesa, virei o jogo, me virei do avesso.
Dobrei a esquina, cortei um dobrado, cortei os pulsos.

Já morri... E ainda vivo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Casual

Não me traga flores,
Nem chocolates.
Não diga que me ama,
Nada de palavras bonitas.

E no dia seguinte,
Se vista rapidinho
E saia de fininho.
Que é para não me acordar!

Não traga perfume,
Que é para o teu cheiro
Não ficar nas minhas coisas
Nem em mim.

E que seja sempre assim,
Casual.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Lovestoned

Tá gente... Tou numa fase romântica, posso?!



O que será que me dá
Que me queima por dentro será que me dá
Que me perturba o sono será que me dá
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os tremores me vem agitar
E todos os suores me vem encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem juízo

(Chico Buarque)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Não nos analise

Por favor, não me analise!
- Eu não quero um Freud do meu lado.
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
- Eu não quero me sentir no divã quando estiver com você.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
- Sim, porque você também não gostaria que eu esmiuçasse cada coisa que você diz.
Quanto mais eu...
- Não gosto dessas tuas conclusões precipitadas sobre mim.
Ciumento, exigente, inseguro, carente
- Eu conheço os meus defeitos
Todo cheio de marcas que a vida deixou
- E você devia saber que cada um tem a sua história.
Vejo em cada grito de exigência
- Não gosto do teu olho clínico.
Um pedido de carência, um pedido de amor.
- Você sabe que eu não sou assim.
Amor é síntese
- Eu só sei te amar como um todo.
É uma integração de dados
- Te amar por inteiro.
Não há que tirar nem pôr
- Porque cada um tem o seu jeito.
Não me corte em fatias
- Não tente me botar um rótulo, encontrar uma definição para mim.
Ninguém consegue abraçar um pedaço
- Eu sou uma só que é muitas.
Me envolva todo em seus braços
- Se preocupe em me amar, não em me entender.

E eu serei o perfeito amor.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Gosto amargo

Ela tem um gosto amargo e se chama saudade.

Quintana, fala por mim hoje que me falta a inspiração. Ou será a coragem?

Amar
Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.


Porque mesmo de olhos fechados eu vejo você... E mesmo que a minha voz calasse e que me faltassem as palavras eu encontraria forma de dizer que te amo. Ai como eu queria voltar a ser criança... Um joelho ralado é infinitamente mais fácil de curar que um coração partido.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Trevas

O dia virou noite, mas hoje a noite não virou dia.
Hoje não fez sol, mas eu aprendi a brincar com as trevas.
Depois choveu, e eu tive que saber rolar na lama.
Todos se foram, e eu fui forçada a encarar a solidão e o silêncio.
E até nevou, por isso costurei meu prório casaco.
Na guerra eu fabriquei as minhas armas.
Curei minhas feridas, segui na frente de batalha.
E veio a miséria, a praga e a doença.
Eu superei, sobrevivi, ultrapassei.
Nem a fome me incomodou porque eu me alimentei de mim mesma.
Eu só chorei uma vez.
Foi quando você partiu...
...meu coração.



Ouvindo "Release" dos Pearl Jam

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Verde

Foi naquela fracção de segundo que nossos olhares se cruzaram. Sim, foi aí que o meu mundo mudou. Foi quando o castanho tocou o verde. Naquele preciso instante em que eu levantei os olhos do papel para mirar o infinito. E vi o infinito do teu olhar.

Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha um olhar

E assim eu descobri um novo arco-íris. Novos tons para pintar a minha vida.

Verde azeitona
Verde musgo
Verde limão
Ver de perto
Ver de frente
Ver de todos os ângulos
Ver demais
Ver-te mais
Ver-te sempre mais...

sábado, 15 de setembro de 2007

Eu não existo sem você



Gente, olha que gracinha esse vídeo que eu encontrei no Youtube! A menina tem uma voz linda, doce. E... Que gosto musical hein?! Amei e resolvi divulgar aqui no meu cantinho.

Eu admiro quem sabe tocar um instrumento e cantar. É um talento que eu definitivamente não possuo. A única coisa que eu sei tocar é campainha...

E que música linda né?! Vinícius tinha o dom de escrever tudo aquilo que a gente poderia querer dizer ao nosso "mais que tudo". Por isso, faço minhas as palavras de Vinícius e hoje vou deixar ele falar por mim o que eu não tive coragem de dizer.

Eu não existo sem você (Vinícius de Moraes)

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim

Eu sei e você sabe que a distância não existe

Que todo grande amor só é bem grande se for triste

Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer

Pois todos os caminhos me encaminham prá você

Assim como o oceano só é belo com o luar

Assim como a canção só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem só acontece se chover

Assim como o poeta só é grande se sofrer

Assim como viver sem ter amor não é viver

Não há você sem mim e eu não existo sem você

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Lado poético

Porque nem todos os dias acontece alguma coisa engraçada. E às vezes o dia é assim "normalzinho" só. Hoje acordei meio poética. Olha o resultado:

Paixão Noturna

Eu me apaixonei pelos teus olhos tristes
Pelo ar cansado
Pelo peso nos teus ombros
Pela tua melancolia

Eu me apaixonei pelas tuas mãos calejadas
Pelos pés descalços
Pelas noites sem dormir

E pelos sonhos desfeitos
Pela esperança perdida
Pela tua preocupação exagerada

O teu jeito sombrio
O sorriso triste
E os momentos de desespero

Mas principalmente pelo olhar
Tão pesado, sofrido, carregado...

Ai o que eu não daria
Para que esses olhos me vissem,
Me enxergassem, me despissem
E eu seria o teu primeiro raio de sol.

domingo, 8 de julho de 2007

Por favor, não me analise (Mário Quintana)

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Nem tudo é o que parece ser

Nem tudo é o que parece ser

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
(agora leia de trás para frente)

Se alguém souber o autor por favor diz. Eu achava que era de Clarisse Lispectoe, mas li num site que não era...