domingo, 26 de agosto de 2007

Não se revele

Mais um texto mimimi. Ultimamente tenho me sentido assim... Fazer o quê?!

Quero te conhecer, mas não se revele por completo. Quero preservar aquele bocadinho em você que é só teu. Não me diga seus defeitos todos, eu descubro com o tempo. E eu vou amar você por inteiro, e suportar teus espinhos, e contornar os problemas.

Eu tenho medo de te conhecer demais. E conviver e saber tudo sobre você. Ao ponto de não precisar falar. O olhar que já diz tudo, as reacções que você antecipa, a falta de surpresa... Isso me assusta.

Gosto de não saber. E buscar nos olhos uma resposta, na boca as palavras, nas mãos um gesto... Eu quero imprevisibilidade. Quero me angustiar imaginando teus pensamentos. Mesmo sem palavras, quero falar com o teu olhar.

Não me leve a mal, eu também adoro a química que existe quando você termina uma frase que eu começo, quando você já sabe o que eu vou pedir no restaurante e quando você dá colo porque já sentiu minha carência. A gente nem precisa dizer nada porque o olhar falou por nós.

Custa-me imaginar que, um dia, posso olhar para você e ver um vazio. Um rosto sem expressão. Eu falo muito, e falo atabalhoadamente, jorros de palavras que parecem não ter fim. E você ouve, se interessa, questiona... E, se um dia, isso acabar? Você cansar de me ouvir, as palavras secarem, gestos que são automáticos, respostas prontas...

E se, um dia, eu enjoar do teu cheiro? Se eu já não quiser sentir o perfume que fica naquela dobrinha no fim do pescoço? Tenho medo, sabe? De ver vazio no olhar, de só conhecer o teu silêncio, não conseguir interpretar teus gestos.

Por isso, guarde seus segredos. Naquela caixinha no fundo da memória. Não misture o seu eu com o "nós". Não se perca nem se esvazie. Vamos deixar que o nosso amor seja composto de 3 pessoas: Tu, eu e nós. E os 3 vão ser muito felizes juntos

sábado, 25 de agosto de 2007

Hostel II



Sugestão de cinema: Hostel II.

Eu sou daquelas pessoas que tapa a cara nos momentos de suspense. Fico no cinema parecendo uma criança, toda encolhida, vendo o filme só pela fresta que existe entre os dedos.

Para ver este filme é necessário muito estômago. É sinistro, escuro, doentio... Mais uma vez Tarantino nos surpreende, nos deixa de queixo caído e até faz rir da morte na cena final. E pior, ele ainda transforma o acto de matar em uma coisa quase poética.

Esta é daquelas "partes 2" de filmes em que não é preciso ver a primeira. Basta saber a história em traços gerais. Eu mesma não vi a primeira parte. Mas é mais ou menos assim: Imagine-se passeando pela Europa no melhor estilo mochileiro. E aí você conhce alguém que fala muito bem de um albergue num país do leste europeu, fazendo você acreditar que é um paraíso festas e curtições. Mas, o que acontece na verdade é que neste país existe uma rede de tráfico humano na qual você acabou de cair. A tua cabeça é posta em leilão e quem ganha o leilão, ganha o direito de matar você. E não é um "matar" qualquer. É com muito estilo, requinte, tortura e crueldade. Basicamente a pessoa ganha carta branca para fazer que quiser com você. Imaginou? Pois, isto é o Hostel.

O pior do filme é que se trata de uma história completamente credível. Pode mesmo acontecer... Se tiverem nessa onda, vejam o filme.

Ah, ontem fez uma noite óptima. Dormi na rede. Tão bom...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Lado poético

Porque nem todos os dias acontece alguma coisa engraçada. E às vezes o dia é assim "normalzinho" só. Hoje acordei meio poética. Olha o resultado:

Paixão Noturna

Eu me apaixonei pelos teus olhos tristes
Pelo ar cansado
Pelo peso nos teus ombros
Pela tua melancolia

Eu me apaixonei pelas tuas mãos calejadas
Pelos pés descalços
Pelas noites sem dormir

E pelos sonhos desfeitos
Pela esperança perdida
Pela tua preocupação exagerada

O teu jeito sombrio
O sorriso triste
E os momentos de desespero

Mas principalmente pelo olhar
Tão pesado, sofrido, carregado...

Ai o que eu não daria
Para que esses olhos me vissem,
Me enxergassem, me despissem
E eu seria o teu primeiro raio de sol.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Tudo uma questão de fé

Eu não tenho nada contra religião, sério. Acho legal quem acredita em algum ente superior. Eu estudei 10 anos num colégio católico. Eu estive no Vaticano, em Fátima, fiz primeira comunhão, sei rezar, mas... Não sei se acredito. Por favor não me critiquem. É uma questão de fé (no meu caso, falta de fé).

Esse blá blá blá foi só para explicar mais ou menos a minha relação com a religião. Sou a favor da liberdade. Liberdade para acreditar ou não. Por isso não gosto que venham "pregar" na minha porta. Mas, de qualquer modo, tem sempre um religioso desavisado pronto a tentar converter a louca do 113.

Aqui em Portugal existe um culto que eu não conhecia (não sei se é uma vertente do protestantismo) basicamente de ingleses. Os "difusores" da palavra são normalmente rapazes na faixa dos 20 anos, loiros e de olhos azuis... Ai ai... Suspira... Eles andam sempre em par. E eis que dois moços batem na minha porta.

Eu tinha acabado de chegar do trabalho, num daqueles dias que você só quer tomar banho e dormir. E toca a campainha. Olhei pelo olho mágico, vi aqueles 2 deuses gregos parados na minha porta e abri.
- Boa tarde senhora.
Poxa... Que gatos... Sorte a minha! Hehehehe
- Boa tarde.
- Desculpa incomodar mas gostaríamos de falar um pouco com a senhora.
- Claro, pode me chamar de você.
- A senhora acredita em Deus?
Pronto! Tinha que ser! Dois gatos maravilhosos tinham que vir tentar me converter... Grunf...
- Não.
- Mas você sabe que foi ele que nos criou, nos deu vida, blá blá blá
Começa a perder a paciência... Recita o mantra...
- Blá blá blá... Vida eterna... Blá blá blá... Os pecados...
Que saco, eu só queria dormir um pouquinho... Será que eles não vão embora?!
- Gente, a conversa está muito boa mas eu...
- E será que a gente não podia entrar para falar mais do Senhor?
Aí eu pirei o cabeção de vez! Perdi mesmo a noção dos meus actos... Vejam só!

Eu dei um passo em frente na direcção do loirinho mais gatinho, botei a mão no ombro dele de um jeito provocador e disse numa voz melosa:
- Ah... Vocês podem entrar sim... A gente fica mais a vontade para falar... dos pecados... da tentação... da luxúria...

Os dois meninos arregalaram os olhos de susto, começaram a se afastar devagarzinho da minha porta e disseram:
- Não, obrigada...
- É estamos atrasados.
- Fica para a próxima...
- Ohhhhhhh........ Mas agora que eu estava gostando da conversa?!

Fechei a porta e ri sozinha em casa. Dei um susto nos pobres rapazes! Ainda não foi dessa que me converteram. Pode ser que um dia apareça um exército desses loirinhos com água benta e tal...

Eu acredito na vida eterna, na remissão dos pecados, no Governo Lula, Amén!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Fali

É sério! Acabei de abrir falência. A partir de agora não saio mais de casa. Não me convidem para nada que não seja de graça ou que me paguem para ir.

Sabem quanto custou o arranjo dos meus pneus???? 213,20€.

Não entendeu? Eu repito: 213,20 €!!!

E isso porque eu chorei e o homem me fez um desconto de 15%. E quando eu digo que eu chorei é porque eu chorei MESMO. Foi assim: eu cheguei na oficina com o pneu completamente retalhado. Parecia que alguém tinha cortado a borracha com faca. E tinha lugares em que havia mesmo buracos. A oficina já tinha passado 10 minutos da hora do fecho. E o mecânico disse:
- Agora só amanhã, já estamos fechados.
E eu que não podia mais andar com a roda daquele jeito comecei a me lamentar:
- Mas moço, não dá para dar só uma olhadinha?
- Não, venha cá amanhã.

Aí desabou tudo. Comecei a chorar e a soluçar no meio da oficina entre palavras lamentos de “e agora?”, “eu não consigo andar com o pneu assim”, “eu não tenho onde deixar o carro”, “me ajuda moço...”.

O mecânico lá se comoveu com a minha choradeira e foi ver o meu carro. Disse mesmo que agora só amanhã mas que eu podia deixar o carro na oficina e ficava seguro. E fez o orçamento simpático que eu já citei.

Agora é esperar. Se não ficar pronto hoje no fim do dia fica pronto amanhã. O tempo nem é o problema. O pior mesmo é o dinheirinho que vai embora.

É sério, tou aceitando donativos. O que vale é que existem algumas coisas que ainda são de graça. Pelo menos por enquanto. Acho que vou começar a cobrar!!! Hihihihihihi

domingo, 19 de agosto de 2007

A posição preferida

- E qual é a sua posição preferida?
- É aquela do peito...
- Hã?! Essa eu não conheco...
- É normal. Pouca gente conhece.
- E como é?
- É fácil. Você vira de barriga pra cima, eu fico do teu lado, encosto a cabeça no teu peito, bem enroscada e digo: "Faz um cafuné!".

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Você já deu?

O excerto do texto abaixo é polêmico. Mas eu gostei.


Pot-pourri de assuntos - Tatiane Bernardi
"(...)
E por falar em dar... dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um "eu te amo" baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha, amor?". Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua."



Frase do dia: na minha horta não chove, tem Tsunami

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Mais uma da aranha


Estou extravazando todo o meu sadismo nas aranhas aqui de casa. Vou contar.

Ela era enorme, do tamanho de uma maçã. Estava escondida debaixo do banco de cimento da minha varanda. Eu me muni de toda a minha coragem e disse: "Sai desta casa que não te pertence!". E ela ficou paradona, fingindo que não ouviu. Eu peguei o inseticida e dei uma sprayzada. Ela gemeu e se encolheu. Peguei a vassoura e puxei a bicha mais para perto de mim. A covarde estava fugindo. Mal ela chegou perto, peguei minha havaiana azul e zás. Ela gemeu mais um pouco. No fim, joguei a criatura pela varanda abaixo.
Ela foi forte, uma boa adversária. Morreu na queda, claro. E eu, vendo a aranha lá de cima, soltei a minha risada maléfica: HahaHAhAhAHahahHahA.
Estou ficando profissional na matança de aranhas-invasoras-do-lar.

Depois deste episódio fui cantar vitória no MSN. Diálogo com amiga:
- Menina, matei um aranhão há uns 10 minutos...
- Sério?! E tem matado muito cabrito também??!! rsrsrsrsrs
- Hum... Tá mais fácil matar cachorro a grito... rsrsrsrsrs


Olha aí a minha varandinha... E o meu carrinho no fundo... Sniffff.....

Inferno astral

Ontem a festa foi aqui em casa. Primeiro churrasquinho na casa nova. Em plena terça-feira: 3 de férias, 1 de baixa. Parecia sábado.

Fui buscar as "loiras" no Jumbo de Cascais com Má. Trouxe um vinho branco pra mim mas depois acabei na loira com o pessoal. A gente quer fingir que é chique e toma vinho mas é difícil resistir à loira geladinha!

Minha varanda deu um show! Aquelas duas cadeirinhas, o banco de cimento pra botar a churrasqueira e uma rede. Quer mais alguma coisa dessa vida? Eu não! É o meu canto preferido da casa. E quando bate um solzinho então... Delícia! Depois eu boto um fotinho aqui da varanda.

Os meninos trataram de tudo na minha cozinha de meio metro quadrado. Fizeram arroz, temperaram a carne, fizeram a carne, arrumaram a mesa, lavaram a louça, serviram a comida, e no fim ainda levaram o lixo pra jogar fora. Espetáculo. Eu e a Ana adoramos. Até comidinha na boca teve. Assim a gente fica mal-acostumada...

Depois do churrasco, praia. Depois da praia voltamos para o "segundo round" do churrasco. A Ana foi embora com os meninos e eu fiquei de terminar de arrumar tudo para ir no Armazém F.

E ia eu muito bem dirigindo, toda sorridente, quando começo a ouvir um barulho estranho vindo do meu carro. Parei o carro e não é que o pneu tava furado?! Pô... De novo não... Dessa vez foi o de trás. Não consegui encher aquilo com a bomba. Fiquei a pé mesmo. Aí já era. Não tinha clima pra sair.

Minha moral ficou lá em baixo... Sentei no carro e chorei durante uns quize minutos. Daí o texto de ontem.

Fala sério... Dois pneus em menos de uma semana?! O que falta me acontecer agora?! Bom, eu prefiro acreditar que foi o meu anjo da guarda que furou o meu pneu a fim de me salvar de um atentado terrorista que teria lugar no armazém F...

Mas pronto, pneu furado é coisa que acontece. Pode ter sido coincidência ou, simplesmente estou no meu inferno astral.

A vida continua. E até recebi um SMS de um carinha às 7 da manhã (quer dizer, às 6:52 da manhã) me chamando para ir para a praia à tarde. Li a mensagem, virei para o lado e dormi. Acordei às 10:30 e, pasmem, estava chovendo!!! Ninguém merece né? Chuva em pleno verão... No último dia de férias. Depois de ter combinado de ir à praia.

Pelamordedeus!!! Vai ter azar assim na p******!!!!!

Gente, saiam de perto de mim. Sério! Ultimamente estar do meu lado é considerado uma atividade de risco! Pode cair um prédio a qualquer momento. Ontem até a luz do poste apagou quando eu passei. Quando o inferno astral passar eu prometo que chamo todo mundo de volta. Quem avisa amigo é!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Permita-se

Hoje fiquei triste. Amanhã explico. Da tristeza resultou esse texto.

Passamos a vida toda nos preparando para não ceder em momentos de pressão. Quem nunca ouviu: seja forte! Chorar não vale a pena! Não adianta se desesperar... Entre outras frases de "encorajamento" deste gênero?

Mas a verdade é que ser forte é difícil. Apesar de necessário, não é tarefa fácil. Diante de uma situação stressante é complicado não perder a cabeça nem por um momento, não chorar, aguentar a barra com calma e tranquilidade.

Eu acho que todo mundo deve se permitir um pequeno momento de desespero. Não leva a nada, eu sei. Mas pelo menos alivia. Quando alguma coisa tiver corrido mal, pare. Não seja forte. Permita-se um momento de desespero. Chore, xingue a mãe de quem for necessário, role no chão se isso te fizer sentir melhor. Grite, brade aos céus: "Por quê eu??!!".

Permita-se. Deixe a loucura invadir você e toldar os seus pensamentos. Só depois que você achar que não tem solução é que você vai encontrar o caminho. Porque ele existe. Só para a morte não há remédio. Todo o resto pode ser consertado. Está certo, você não vai melhorar a sua situação chorando que nem um bebê. Mas essa descarga de emoções não é necessariamente má.

Se você tentar ser forte, você vai ficar procurando a solução ao mesmo tempo que combate o bichinho do medo que está dentro de você. Por isso, solte esse bichinho. Deixe as angústias tomarem conta de você. Por um momento, não eternamente. Marque um tempo no relógio se isso te fizer sentir mais confortável. Mas, acima de tudo, dê um tempo ao seu desespero.

E, depois de ter despejado todas as mágoas, aí sim concentre-se na solução do seu problema. Experimenta! Vai ver que é muito mais simples encontrar uma resposta depois de ter aliviado as frustrações, do que enquanto luta para fingir que está tudo bem. O pensamento fica mais focado e nenhuma ideia parece absurda, porque você já se desesperou achando que não havia maneira de remediar.

Permita-se ser frágil num mundo em que esperam que você supere todos os obstáculos. As lágrimas não são o sintoma do fracasso. Elas são o primeiro passo para o sucesso.

Permita-se.