sábado, 6 de outubro de 2007

Mistérios da balada

Um dos maiores mistérios da natureza para mim é tentar entender aquela gente que vai de óculos escuro para as discotecas. Eu percebo que tem aquelas luzes e que as pessoas têm olhos sensiveis mas... Isso é demais para a minha compreensão.

Imagino o carinha entrando na discoteca, se achando a última bolacha no pacote e pensando: "Hehe, olha como eu sou gostoso. Tá todo mundo me olhando. Pena que eu não vejo ninguém, muito mal iluminado isso aqui...".

E depois eles se reúnem ali perto do palco para dançar as coreografias todas, iguaiszinhos. Gente, como eles sabem aquilo tudo?! Será que eles não trabalham, não dormem, não comem ou não fo**m só para ficar decorando aquelas dancinhas?! Pensa bem, o cara chega em casa do trabalho e liga o DVD das coreografias e fica que nem um babaca treinando em casa em frente à TV. Vai prá lá, vai prá cá, mão pra cima, dá uma reboladinha, sobe, desce... Tem dó né?!

Eu adoro homem que sabe dançar, mas tudo tem o seu limite. Eu jamais sairia com a "diva" da pista. Imagina transar com um homem desses?! Se ele se põe a fazer esses rebolados na cama a primeira coisa que vai me ocorrer é: "Onde é isso se desliga?"... Cruzes!!!

Por falar em "diva", eis que entra uma personagem na discoteca. Um ilustre mulato de terno branco, sapato branco e chapéu branco colocado de banda com 2 loiras popozudas a tiracolo. Não tem como não olhar... Nem como não comentar:
- Quem é essa criatura se achando o Puff Daddy de Minas Gerais?
- É o *********** (não vou colocar o nome para preservar a dignidade do cidadão, não que ele se importe, mas...), ele tem uma banda de pagode.
- Ah, tá explicado... Mas, que figura hein?!
- Podes crer. É uma figura triste, mas ainda assim é uma figura!

Mas o pior mesmo é quando você finalmente se livra do baixinho que morde e consegue ganhar aquele gato que você paquerou a noite toda e aí a tua amiga resolve achar que a discoteca tem urucubaca e quer ir embora... Tsc, Tsc...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Genebra - Parte I

Bom, como não podia deixar de ser, voltei de Genebra com chocolates e histórias na bagagem.

Eu cheguei na Suíça por volta das 11 da noite. Fui botar as coisas no hotel e depois resolvi dar uma voltinha pela cidade. Incrivelmente as ruas estavam completamente desertas, só com algumas pessoas em uns barzinhos. Foi aí que eu reparei um cara olhando para mim. Ele levantou do bar e veio na minha direcção:
- Salut! Ça va?
- Hello... (disse eu entre dentes)
- So... What language do you speak?
- English, a little italian, portuguese...
- Você fala português?!
- Você é brasileiro?!

É incrível, nós estamos em todos os lugares. Mesmo nos cantos mais remotos do planeta. Até na série do Lost nós estamos! Achei graça à coincidência e fiquei conversando enquanto iamos andando pela rua. Estava gostando de ter companhia, afinal viajar sozinha é muito ruim.

Conversa vai, conversa vem e eu perguntei:
- Aqui parece tão calmo... O que você faz para se divertir?
- Ah, a gente vem principalmente aos bares e aos cafés, tomar uma cerveja e conversar.
- Legal.
- Mas uma coisa que eu adoro fazer é ir ao banho turco. É tão bom! Você já foi?
- Não...
- Então a gente combina de ir amanhã.
- Mas eu não trouxe o meu biquíni...
- Não é preciso.
- Não? Eles alugam lá? (Tão inocente...)
- Não, querida. Banho turco é pelado.
- Mas... Pelado?! Assim todo mundo junto?! Tipo suruba?! (perguntei, estupefacta e com a minha habitual cara de bunda)
- É. (disse ele com a cara mais natural do mundo, como se fosse normalíssimo)
- Ooops... Bem... Acho que não vai dar... Eu preciso ir para o hotel agora. A gente se vê por aí...

E fui embora. Ai, essas diferenças culturais acabam comigo... Eu ainda sou do tempo em que para ver a minha perereca precisa de, pelo menos, jantar e cinema.

É baby, sou "old school".

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Genebra

Estavam num bar em Genebra um francês, um alemão, uma italiana, um inglês, uma portuguesa e uma brasileira... Tá, eu sei que parece começo de piada, mas aconteceu mesmo... E a brasileira era eu!

Desculpem ter me afastado do blog, mas a verdade é que me afastei do país. Passei 3 dias na Suíça numa formação do trabalho. Foi maravilhoso! Amei a cidade. E andar de sobretudo preto pelas ruas sentindo aquele friozinho, sentar num café e ver as pessoas, dizer "Bonjour" e "merci", ai...

A cidade das Nações Unidas, da Cruz Vermelha, do Rolex, do fondue e do chocolate é das coisas mais bointinhas que eu já vi. Não tem nenhum monumento gigantesco, um "must see", mas a cidade toda é a atracção turística. As ruas limpíssimas, arborizadas e a única coisa que você vê no chão são as folhas que caem por causa do outono.

Hummm.... Se eu seria capaz de morar lá?! Acho que não. Eu gosto mais da badalação de Roma, do povo na rua de Sevilla e do burburinho de Lisboa. Genebra é boa para descansar da cidade grande.

Cheguei em casa gripada por causa do frio que apanhei. Como tive tempo livre, fiz um filmezinho com as fotos.

sábado, 29 de setembro de 2007

Adelaide

Era uma terça feira. Seis e quarenta da manhã. O despertador já tocara há dez minutos. Levantou-se, tomou banho, escovou os dentes, vestiu-se. Tinha sonhado com um gato que tivera na infância. No sonho seguia o gato até uma floresta. Não se lembrava do que acontecera depois. Sempre tivera dificuldade em lembrar dos sonhos. E eles voltavam a meio do dia, sem qualquer razão especial.

“Mais um dia”, pensou antes de sair de casa. E esse pensamento ecoou dentro dela. “Mais um dia igual aos outros”. Já há muito tempo que os dias eram todos iguais. Entristeceu. Pensou no quanto era normal, igual, banal.

Estava mais ou menos bem de saúde. Ganhava razoavelmente. A sua casa era média. Nunca se destacara por ser boa demais em alguma coisa ou por ser extremamente bonita. Nem por ser má demais. Não tinha nehuma característica especial, nenhum dom. Era morena dos olhos castanhos. Existe coisa mais banal que isso? Tinha estatura mediana e não era gorda nem magra. O tipo de pessoa que nunca se destacaria numa multidão. Nunca fora uma pessoa de extremos, de grandes romances ou aventuras. Nunca tivera paixões avassaladoras. Daquelas de perder a fome, o sono e o sossego. Não era fã de ninguém.

Largou a chave, deciciu não ir trabalhar. Estava cansada. Cansada de existir “mais ou menos”. Queria ser feliz para sempre. “Numa próxima vida talvez”, pensou com olhos de desistente. Nem chorou a pensar nisso. Nunca foi pessoa de fazer dramas. Decidiu fechar os olhos para a eternidade.

Mas, antes, tinha uma última coisa a fazer. Uma espécie de último desejo.

Tirou a roupa e tomou banho novamente. Um banho demorado, sentindo a ternura da água quente na sua pele. Colocou o vestido vermelho que adorava, mas que estivera sempre guardado para as ocasiões especiais que nunca chegariam. Calçou os saltos altos, perfumou-se com o perfume mais caro. Preparou um café majestoso. Saboreou cada compota, cada queijo e sentiu o aroma do café antes de o beber.

Nesse dia resolveu sair a pé. Acenou para o jornaleiro que lhe retribuiu o cumprimento dizendo: “Bom dia Dona Adelaide”. Espantou-se por ele saber o seu nome. Continuou a caminhar.
Passou por ruas, avenidas e estradas. Parava em frente de cada coisa que lhe despertava a atenção. Almoçou sozinha no restaurante mais caro da cidade. Aquele que ela nunca frequentara por estar sempre a espera do momento certo. E tomou sorvete, foi ao cinema ver aquele filme que sempre quisera mas para o qual não tinha companhia, comprou pipocas e gargalhou sozinha no cinema.

Já era de noite quando chegou em casa. Vinha com um sorriso nos lábios, pois tinha lembrado da infância e do gato que teimava sempre em fugir para o quintal da vizinha. Não entendia como o mundo se tornara num lugar tão estranho.

Preparou os remédios e o copo d’água para dormir para sempre.E bebeu toda a água. De uma só vez, sem vacilar. Cada gole era uma recordação de uma vida que ficaria para trás.

No dia seguinte o despertador tocou pela manhã. Ela abriu os olhos. Ainda estava com o vestido vermelho e os remédios permaneciam intactos na mesa de cabeceira. Tinha decidido viver. Em todos os sentidos.

As 10 piores frases

Eu sei que andei uns dias sumida, mas foi falta de inspiração e de tempo também. Mas hoje eu estou aqui. E vim falar de sexo. Hehe, só de escrever "sexo" no meu blog vai fazer com que internautas desavisados caiam aqui de pára-quedas atrás de bundas e peitos.

Bom, mas voltando ao sexo... Eu tenho uma tese. Acho que a "conversa pós coito" é fundamental. É quase a continuação do acto.

E, depois de uma mesa redonda com amigas e amigos (sim, tinha cerveja gelada na mesa redonda), fiz um compêndio das 10 piores frases pós coito:

- Sabe, quando você estava por cima reparei que preciso pintar o tecto... Tem umas manchas ó!

- Pô gata, Deus é tudo.

- Você me fez lembrar uma outra mulher que eu peguei...

- Foi a melhor que eu tive sem pagar!

- Como você se chama mesmo?

- Que nojo... Vai limpar isso antes que pingue no lençol!

- Só isso?! Mas assim não deu nem tempo de fingir!

- Se a minha ex trepasse assim a gente não tinha terminado.

- *Silêncio. Levanta da cama, vai ao WC e escarra.*

- Foi você que peidou?! Não?! Então acho que fui eu...

Acabei por concluir que homem que vira para o lado e dorme afinal nem é tão mau assim... É melhor do que soltar uma dessas pérolas...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Verde

Foi naquela fracção de segundo que nossos olhares se cruzaram. Sim, foi aí que o meu mundo mudou. Foi quando o castanho tocou o verde. Naquele preciso instante em que eu levantei os olhos do papel para mirar o infinito. E vi o infinito do teu olhar.

Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha um olhar

E assim eu descobri um novo arco-íris. Novos tons para pintar a minha vida.

Verde azeitona
Verde musgo
Verde limão
Ver de perto
Ver de frente
Ver de todos os ângulos
Ver demais
Ver-te mais
Ver-te sempre mais...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Tentativa de Conversão 2

Hoje fiquei de muito mau humor por causa de um e-mail mas 9 telefonemas, um cabrito novo e duas Testemunhas de Jeová me fizeram ganhar o dia.

Depois de eu ter espantado os loirinhos protestantes, eis que os crentes resolvem contra-atacar tentando novamente converter a “louca do 113” por intermédio de duas senhoras.

Estava eu muito sossegada em casa com o meu mais novo “mais que tudo” naquele momento em que, se eu fumasse, estaria acendendo um cigarrinho. E, para estragar a festa, tocou a campainha. Eu continuei impávida e serena fingindo que nem tinha ouvido. A campainha tocou novamente.
- Ué, você não vai atender?
- Não. Não estou esperando visita...
- Mas pode ser alguma coisa importante. Pelo menos vê quem é.

Muito contrariada me enrolei numa toalha e abri uma frestinha da porta. Duas senhoras de meia idade, vestidas dos pés à cabeça me encaravam. Não tiravam os olhos da minha toalha.
- Boa noite... Estamos a atrapalhar?
(Claro que sim! Isso é coisa que se pergunte?)
- Não, de maneira alguma. Eu ia só tomar banho (Hehe! Boa desculpa para estar de toalha!). Mas... Posso ajudar em alguma coisa?
(Eu sou tão civilizada que até chega a ser irritante...)
- Mas nós gostaríamos só de lhe perguntar uma coisa...
- ...
- Você acredita em Deus?
(Não!!! De novo não!!! Mas será que eu tenho “herege” escrito na cara?)
- Sim, acredito...
(A partir daqui eu reagi instintivamente. Mais um momento “pirei o cabeção” da minha existência.)
- ...e ele está aqui, agora.

As senhoras olharam respeitosamente para mim, crentes da minha fé. Eu escancarei a porta de casa (que tem vista directa para a cama) e apontei para o “mais que tudo”:
- Olha ele ali... Vou te dizer... Aquilo é que é um Deus! Querem entrar?
- ... Mas... Bem... Er...
- Ok, então com licença. Boa noite e obrigada pela visita!

Quando eu morrer vou directo para o inferno. Sem sequer direito a passagem pelo purgatório. Ainda vai chegar o dia em que eu serei arrastada da cama por uma horda de fanáticos religiosos e serei queimada em praça pública. Agradeço que, quando isto acontecer, coloquem uma trilha sonora simpática e apropriada à ocasião, como por exemplo o “Sympathy for the Devil” dos Stones.

domingo, 23 de setembro de 2007

Brindemos à nossa hipocrisia

Você tenta disfarçar mas teus olhos te traem. Você se acostumou a dissimular a tristeza com um sorriso. Você morde o lábio para aguentar o choro. Eu conheço teu silêncio. É a tua arma para evitar mentir para mim.

Já nem adianta dizer que "não foi nada" e que está "tudo bem". Nem vale fingir que não entendeu o que eu perguntei para escapar à questão. Eu conheço as tuas artimanhas. O jeito como você me encosta no teu peito para evitar olhar nos meus olhos. Também sei que você finge que não ouviu o telefone tocar só para eu não perceber a tua voz de choro.

Mas, mesmo assim, eu entro no teu jogo. Finjo não notar a tua melancolia. E finjo para mim mesma que eu não sei que as tuas lágrimas correm por mim. Pode me chamar de covarde. Eu mereço. Mas você também tem culpa. Culpa por não querer me confrontar. Pior: você não quer se confrontar.

Por isso, nós seguimos assim. Continuamos o nosso teatrinho particular. Fingindo um para o outro que não existe qualquer problema entre nós. E brindamos felizes ao jantar.

Sim, brindemos à nossa hipocrisia.

sábado, 22 de setembro de 2007

Depois da Oktoberfest

Voltei ao meu blog! Ai que saudade do meu cantinho...

Bom, o alemão já foi embora. É como eu costumo dizer: visita dá duas alegrias. Uma quando chega, outra quando vai embora! Que bom ter minha rede só para mim de novo. Poder andar só de calcinha pela casa, ir ao banheiro de porta aberta, beber coca-cola na garrafa, enfim a boa e velha vida de sozinha em casa.

Acho que a gente quando passa a morar sozinho fica mais egoísta. Eu era uma pessoa super tranquila e agora me vi me segurando para não gritar com o alemão. Queria sempre as coisas "on my way". Sei lá, acho que a gente desaprende a dividir o espaço.

Não, eu não tive nehum problema com o Markus. Muito pelo contrário! Ele é super educado, gente finíssima mesmo. Nós falamos muito, rimos bastante e brindamos mais ainda.

E por falar em brindar... Eu fui dar uma de forte e resolvi acompanhar o alemão na cerveja. Crianças, nunca tentem isto em casa! O alemão bebe como eu nunca vi igual.

Lá pela terceira cerveja meu inglês ficou macarrônico. Na quarta comecei a esquecer das palavras e chamava tudo de "thing" ou "stuff". A partir da quinta eu perdi a capacidade de falar em inglês e o pobre do alemão que entendesse o meu bom português. Depois da sexta cerveja eu ganhei super poderes. Comecei a falar num dialecto novo. Uma mistura de italiano, espanhol, inglês e (pasmem!) alemão...

Enfim... A Oktoberfest chegou mais cedo aqui em casa. Mas só durou três dias. Meu fígado agradece. Vou passar o fim de semana fechada em casa, curando a minha ressaca.

Ah!!! E (sem duplos sentidos, por favor!) eu provei a veradeira salsicha alemã!!!



Directamente da Alemanha para o Estoril (menos a salsicha que não sobrou para o jantar!).

terça-feira, 18 de setembro de 2007

No tanque



Ah, hoje acordei meio feminista. E decidi usar essa piadinha pronta.

Vou me ausentar do meu blog por três dias visto que vou ter visita em casa. Vou hospedar um amigo meu alemão e, por isso, depois do trabalho vou estar revisitando Lisboa com ele.