quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Tomatina Trip - Fotos


Hmmm... O quarto deve ficar mais ou menos aqui...



O nosso apartamento com vista para o mar


O Gang do Tomate ainda limpinho.


An@Lu à Bolonhesa



Tomato Pride!

Tomatina Trip - Parte Final

A saga da Tomatina foi interrompida por dois lituanos que vieram acampar no meu sofá e pediram a minha ajuda para arrumar apartamento em Lisboa. Os caras eram legais e super educados, mas hoje dei graças aos céus por terem ido embora.

Já não aguentava mais traduzir anúncios de casas, aconselhar sobre bairros lisboetas (que eu mal conheço), e ligar para os proprietários marcando visitas. É desde domingo minha casinha com vista para o prédio da frente se tornou numa agência imobiliária. E o meu à vontade ao telefone fez com que muita gente achasse que eu era uma profissional do ramo (fica bonito dizer isso assim, né?).

Teve até uma senhora que me perguntou assim:

- Mas se eles ficarem com a casa, eu tenho que dar uma renda?
- Como assim? Não, eles é que pagam à senhora. Normalmente quem aluga é que paga, certo?
- Não, mas para você, pela mediação.

Tá, eu juro que ponderei dizer que sim, mas acabei explicando que eu só estava fazendo isso como um favor aos amigos. Oh céus, se honestidade tivesse um preço, este teria sido mil euros.

De qualquer forma, acabei descobrindo uma agente imobiliária em mim. Quem sabe se esta não será uma opção para o futuro?!

Bom, mas vamos agora ao que nos interessa: TOMATES!!!

THIS IS SPARTA!!!

Gente, a Tomatina deveria ser quesito obrigatório em qualquer lista de 100 coisas para fazer antes de morrer.

Não há nada como acordar cedo depois de dormir na rua (sim, a festa foi longa na noite anterior e acabamos dormindo na rua mesmo. E, por rua, eu quero dizer calçada, asfalto.

A batalha começa às 11:00 em ponto. Por isso, o primeiro passo é ir para lá, arrumar um point bacana e esperar. Tomar uma cervejinha às 9:30 da manhã cai sempre bem.

A cidade se prepara toda para o evento. As fachadas são cobertas com plástico e madeira e o povo sabe com o que deve contar. Aliás, o que eu mais gostei foi ver como os locais participam da festa. Não obstante vir gente de todo o planeta, os espanhóis participam da festa com a maior empolgação, quer através da Tomatada, quer jogando água nas pessoas.

Sim, água. Andar em Buñol neste dia pode ser muito perigoso porque, além da guerra de comida, você pode levar um banho gelado vindo do nada. Mas é claro que o banho é sempre bem vindo pelos festivaleiros, não fosse o calor que é aquela cidade!

Com todo mundo devidamente banhado, começam a passar os caminhões do tomate. É aí que o circo pega fogo. Depois do primeiro caminhão, prepare-se para uma hora de loucura.

Cara... Como aquilo dói! Eu jogava os tomates assim meio para longe, sem direcção. Mas tinha gente que fazia mesmo pontaria! Levei com cada tomatada nas mais diversas partes do corpo. Essa hora da guerra dura uma eternidade. E cara, o que acontece lá é mesmo do jeitinho que a gente vê na televisão: uma loucura!

Não dá para escapar limpo ou ileso. A roupa fica um nojo e nem pensar em trazer de volta! Não há uma parte do corpo que fique limpa e, no final do dia, eu ainda estava tirando molho de tomate dos ouvidos.

Ah, e o tomate arde e irrita os olhos. Tanto que, quando o bofescândalo chegou perto de mim duas horas depois da tomatina, o que ele me disse foi:

- Nossa! Que remelão feio aí!

Mas, mesmo apanhando de tomate, dormindo na rua, com os olhos ardendo e remelando (estávamos todos assim), com banho comunitário, eu sem dúvida faria tudo de novo.

Quem quiser me acompanhar será bem vindo!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tomatina Trip - Parte 2

A comunidade hippie

E eis que nós chegamos à praia às 7 da manhã, disputando para ver quem caía no sono primeiro. Levamos as barracas de praia, toalhas e sacos cama. Cada um encostou para o seu lado e dormimos.

Era um mais largado que o outro. Uns babavam, outros roncavam e eu falava durante o sono. Isso com um montão de espanhóis pegando uma corzinha no areal de Valencia. Coisa linda de se ver.

Na hora do almoço os meninos resolveram ir buscar comida no supermercado. Trouxeram pão, presunto, queijo, tomate , sucos e cerveja. Fizemos aquela farofada bonita de se ver, de dar inveja a qualquer frequentador do piscinão de Ramos. Yes baby! Você tira a menina do subúrbio mas jamais tira o subúrbio da menina.

Com um calor desgraçado a gente ficou na praia até às sete da tarde, quando se colocou o seguinte porblema logístico:

- Gente... Eu quero tomar banho...

Descobrimos que a praia tinha uns chuveiros de água doce, para o pessoal civilizado passar o corpo pela água e tirar o sal antes de entrar no carro. Claro que aquela gente, ávida de banho e pobre até mais não olhou para o chuveiro com outros olhos.

E foi aquele mutirão com shampoo, sabonete, amaciador e toalha para os chuveirinhos da praia. Agora imagine você, espanhol, passeando pelo calçadão quando, de repente, dá de cara com um grupo de 10 pessoas dividindo o chuveiro, cheios de espuma e shampoo na cabeça.

Claro que, depois de descobrir esse lugar, nem nos preocupamos em arrumar hotel. Dava para dormir na areia e tomar banho no chuveiro. Tudo grátis.

Mas peraí? E o xixi? Bom, esse era atrás do matinho mesmo. E claro que, mesmo no mato, a solidariedade feminina continuava em alta. Por isso fomos sempre em duplas ao "banheiro". Foi aí que tive uma conversa interessantíssima com a polonesa:

- Tá calor, né?
- É. Estranho a gente falando e fazendo xixi ao mesmo tempo.´
- É. Agora já sei como os homens se sentem!


Claro que, depois de tantos banhos e mudas de roupa, chegou uma altura em que a gente já tinha meio que perdido a vergonha uns dos outros. As meninas já passeavam de calcinha, os meninos de cueca. Afinal, qual a diferença disso para um biquíni? Foi aí que eu me dei conta que a gente estava vivendo numa comunidade hippie. Banho comunitário, banheiro improvisado e sem lugar para dormir.

É, só faltou alguém com o violão para completar o cenário.

Tomatina Trip - Parte I

The Road Trip

Estou de volta! Os últimos 3 dias foram absolutamente loucos. Tenho tanta coisa para contar que resolvi dividir tudo por partes.

Pois é, e vocês ficam se perguntando o que leva 10 pessoas a saírem do conforto do seu lar para enfrentar 12 horas de carro... Sim 10, porque acabamos tendo duas desistências de última hora.

O grupo era a coisa mais heterogênea que pode haver. Imaginem três brasileiros, uma filipina, um australiano, uma polonesa que se juntou ao pessoal lá na festa, um inglês e quatro portugueses. Se nós brigássemos teríamos um sério problema de Direito Internacional para resolver.

Saímos de Lisboa às sete da tarde, depois de um dia de trabalho, munidos de sacos cama e pouca roupa. Dividimos o pessoal e três carros e partimos para a aventura.

Viajar de noite é cansativo e eu, como co-pilota, tinha a função de não dormir e não deixar o motorista adormecer. Para isso usei todas as armas possíveis: Cantei, dancei, contei piada, falei bobagem, passei a mão na perna e quando ia ficar interessante... Ploft! O pneu do carro da frente furou.

Aí foi aquele stress. Quatro da manhã, algures em Espanha e nós mudando pneu. Quer dizer, os meninos mudaram o pneu e eu fiquei sentada no carro para não atrapalhar. Sabem como é, quem não ajuda pelo menos não atrapalha.

Foi assim que, depois de 12 horas de viagem, um pneu furado e 5 pit stops para esticar as pernas e recuperar o ânimo, chegamos a Valência.

Claro que depois da noite virada o povo queria era ir descansar. Por isso, e sem lugar para dormir, fomos direto para a praia montar acampamento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

TOMATE!!! TOMATE!!!

Não sei se vocês lembram, mas eu sempre disse que não ia morrer sem ir à Tomatina.



Já estou de malas prontas, com o pé na estrada. Conseguimos reunir 12 pessoas com uma obsessão estranha por jogar tomates uns nos outros e partiremos em caravana rumo a um retiro espiritual até Buñol, uma cidadezinha ao lado de Valência.

Ainda não temos lugar para dormir e, tendo em conta que a cidade fica cheia nesta época do ano, noites ao relento aguardam-me! Também não temos ideia do que comer, mas algo me diz que espanhóis com molho bolonhesa serão uma boa opção!

Voltarei em breve para contar como foi. Me esperem!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

De birra

Às vezes eu queria voltar a ser criança. Só para poder fazer birra. Porque a gente cresce e tem que ser adulto e responsável. Manter a pose o tempo todo e fazer a "ice queen" (eu sou legal e nada me afeta) é cansativo.

Era tão bom poder dizer não porque não, sem uma razão lógica, sem ponderar prós e contras. Abrir o berreiro porque eu estou com sono e não me deixam dormir. O que eu não daria para não ter que ser senhora de mim o tempo todo e poder me jogar no chão chorando cada vez que alguma coisa me chateia.

Eu fico imaginando como seria engraçado isso na prática. Imaginem a cena: An@Lu entra no supermercado e vê que o preço do seu shampoo aumentou da noite para o dia. Abre o bocão e reclama: "Eu não quero pagar iiiiiiiiissoooooooooooooooooo". E fica ali sentada até o atendente dizer: "Está bem, acalme-se, hoje fazemos um desconto para a senhora".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Multifacetada

An@Lu e amigo conversando. Ela diz:

- ... Aí eu estava no bar e comecei a cantar um fado...
- Mas você gosta de fado?
- Não.
- E você sabe cantar fado??
- Ah... Também não. Mas, continuando, depois do fado eu sentei e comecei a tocar a
guitarra portuguesa.
- Mas você sabe tocar???
- Não! Sou desprovida de qualquer talento musical. Enfim... No dia seguinte fui dançar tango com um argentino...
- Você dança tango????
- Não.
- Peraí, eu não estou entendendo nada!!!
- Ah... É que a gente sai e depois tem vinho...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Monólogo da idade

- Amiiiiiiga... Eu tô velha! Sabe, me dei conta que o meu irmão vai fazer 19 anos, e ele nasceu em 1990. Eu já peguei um menino de 19 anos, mas ele ainda era de 89. Você tem a noção do que isso significa?! Já não é ilegal eu pegar caras da década seguinte à minha!!! Eu tô velha, amiga! A-CA-BA-DA! Sabe que já não é ilegal eu pegar caras que nunca viram um disco de vinil na vida? Qualquer dia eu vou poder pegar caras que não entendem aquela frase: "é nóis na fita" porque nunca viram uma fita cassete. Amiga, estou acabada. Até estou com uma dorzinha nas costas. Talvez seja artose. Ai, a idade me mata.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Rapidinha da profissão

Amigo, muito preocupado com o meu futuro profissional, pergunta:

- E quais são os teus planos para quando você deixar o escritório?
- Estou começando um projecto meu.
- Legal! Também é na área do Direito?
- Pelamordedeus não!!! Sabe, a advocacia é que nem a prostituição: uma pessoa está sempre querendo sair dessa vida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Perfume

Chegada essa altura, eu já deveria conseguir olhar para ele com relativa indiferença. Já deveria ser possível pensar nele sem aperto no peito.

Não é que eu não tenha seguido em frente. Eu mudei e finalmente deixei de suspirar pelo que poderia ter sido.

Porque os lençóis já foram lavados vezes sem conta. Já perdi o rastro ao número dos banhos que tomei. O problema é que o cheiro dele vem das lembranças. Que nem cheiro de terra molhada, de grama acabada de cortar, de fim de tarde na praia. O perfume que eu reconheceria no meio multidão.

Se ele tivesse me dado alguma coisa, escrito uma carta de amor, seria fácil. Materializar a pessoa, rasgá-la e jogar no lixo. Bem mais fácil. Mas ele, quando foi embora, só me deixou memórias. Memórias e um fantasma que vagava pelo meu pensamento.

E, afinal, o que somos nós senão um amontoado de lembranças, grudadas com alguns aprendizados?