Num simples (será assim tão simples?) "eu te amo", há sempre um "eu" que ama e um "tu" que é amado. Mas "nós" nem sempre é uma realidade.
Quem é ciumento não abdica de um possessivo. "O meu namorado". E coloca todo o ênfase no pronome. Já os paixonados de verdade, esses não deixam de falar dos "nossos momentos", sempre com um sorriso nos lábios.
Os meus preferidos são, de longe, os demonstrativos. Aliás, amor que é amor tem que estar recheado de pronomes demonstrativos, que funcionam quase como um código entre o casal.
Pronomes demonstrativos denotam cumplicidade. Afinal não tem nada mais gostoso do que lembrarem "aquele" dia em que se conheceram. Ele usava "aquela" camisa preta. Depois, eles foram para "aquele" restaurantezinho escondido no meio do nada. Mas só após alguns encontros é que rolou "aquele" beijo. Ao qual se seguiram mais beijos e um sem fim de abraços.
Toda paixão tem essa coisa só dos dois, não é?
Cada um "desse", "daquele" e "daquilo" é uma pequena demonstração de afecto. E o melhor é quando todos estes pequenos pronomes, fragmentos dos dois, culminam numa única conclusão: "Esse é o tal".



