segunda-feira, 31 de maio de 2010

Million Dollar Baby

Não é segredo para ninguém que eu mudo de esporte como mudo de trabalho. Literalmente. Porque se o esporte não for perto do escritório, nada vai me fazer desviar do meu caminho habitual para suar, sofrer e sentir dor.

Por isso, com o novo emprego perto de casa, veio também um novo esporte. Aliás, acabei agora mesmo de voltar do primeiro treino.

Finalmente eu entendo porque dizem que quando a gente morre a gente vê a luz. É que no meio do aquecimento eu já estava vendo focos luminosos pela sala. O meu irmão, que foi arrastado para me fazer companhia, me olhava com ares de desespero. Creio que ele também estava vendo luzes.

Seguindo os conselhos de todos os blockbusters hollywoodianos, meu irmão e eu nos mantivemos longe da luz. E sobrevivemos. Quer dizer, mais ou menos. Não sinto direito os meus braços, acho que eles ficaram perdidos no meio das séries de flexões.

Enfim, mas por essa altura vocês estarão se perguntando onde raios eu fui me meter. Confesso que eu também estou me perguntando isso até agora. Segundo dizem, o esporte se chama Muay Thai. Isso aqui ó:


(detalhe para a musiquinha zen enquanto os moleques se matam)

E agora vocês estão pensando que eu pirei de vez. Não, para além de ser a única moça do Muay Thai, ao fim de 10 minutos eu já estava a suar horrores. Ou seja: queimar gorduras vai ser fácil. Nem que seja na base da porrada!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Perto de casa!

E aí que eu mudei de emprego. Nem foi só pelo salário porque nem é muito diferente do anterior. Só que agora estou pertinho de casa. 9 quilômetros, 15 minutos de carro separam a minha cama do meu escritório. Melhor ainda: 6 quilômetros separam a minha nova mesa da comidinha da minha mãe.

Foi isso, qualidade de vida, que motivou a mudança. Em uma semana já estou notando a diferença. Acordar mais tarde, sair de casa tranquila sem o estresse de trânsito e fila e, por fim, chegar em casa cedo.

Parece tudo fácil, não é? E se eu disser que é para trabalhar maioritariamente com brasileiros? Parece ainda melhor, certo? Pois, aí é que está! Ao fim de 12 anos em Portugal, eu tenho que reaprender a "falar brasileiro". Posso deixar fluir o sotaque desde as gírias, ao jeito de colocar a voz e ao próprio tratamento com as pessoas, que é completamente diferente da minha experiência de trabalho até hoje.

Então ando me reeducando para me habituar a falar "celular" em vez de "telemóvel", "meia" em vez de "seis" e trocar o "levantar o dinheiro" por "sacar". Mas, convenhamos, falar a nossa lingua é que nem andar de bicicleta!

domingo, 23 de maio de 2010

Rapidinha da História

Teste de História do meu irmão mais novo:

"Joana DARK (sic) foi a fundadora do movimento gótico. Ela viveu muito escondida e foi queimada na fogueira porque as pessoas achavam que ela era bruxa. Isso só porque ela usava roupa preta e maquiagem".

domingo, 16 de maio de 2010

A razão

O motivo pelo qual eu não posto com mais frequencia é que eu fiquei sem assunto. Não sei como aconteceu, mas acho que as palavras me faltam. Casa - trabalho - volei - casa - festa. Virou rotina, sei lá.

Saí uns tempos com um carinha meio mole. Tá, não é bonito de se dizer. Mas desde quando eu só digo coisas bonitas? Ai gente, quando é que homem vai perceber que mulher detesta aquele cara sempre bonzinho, carinhozinho e queridinho? Aliás, um homem que a gente descreve sempre no diminutivo não é um homem com quem a gente queira realmente estar.

Ah, e nesse meio tempo sem escrever eu tive também uma gripe e uma amigdalite. A primeira da minha vida. E como eu nunca tinha tido amigdalites, não sabia direito os sintomas. Então eu fiquei tomando remédio pra gripe, crente que estava abafando.

E a dor no corpo nada de passar, dor de cabeça nada de passar. E demorou 10 dias. Sim, 10! Até eu notar que talvez fosse qualquer coisa pior que gripe. Eu até cheguei a procurar no google os sintomas da gripe A porque, como eu tenho espírito de porco, eu achei que fosse grupo de risco da gripe suína.

Isso durou até que uma colega de trabalho disse que eu estava com a cara inchada. Tudo bem, eu engordei mas dizer assim...?

Bom, fui no banheiro e reparei que o meu pescoço estava enooorme! Enfim, entre injecções de penicilina eu me mudei de malas e bagagens para ser mimada pelos pais. E não é que eu gostei?!

Mas para falar a verdade, mesmo a verdade... O motivo pelo qual eu não escrevo mais é que quando eu chego em casa e me preparo para escrever... O Napoleão vem deitar na almofada preferida:

terça-feira, 4 de maio de 2010

Doce

- Bom dia moço. Tem Beijinho?
- Tem sim. Aqui ó.
- Queria três por favor... Não, quatro. Para levar.
- Aqui está.
- Aquilo ali é Bom Bocado?
- É e está fresquinho. Vai querer senhora?
- Sim. Seis, também para levar, por favor.
- Mais alguma coisa, senhora?
- Um Sonho por favor.
- Também é para levar?
- Não. O Sonho é sempre para consumo imediato. Se levar para casa acaba ficando esquecido na geladeira e estraga-se.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Did it again

Eu às vezes me espanto a ouvir certas músicas e ver como elas servem como luvas na minha vida. E, entre alguns gemidos, a Shakira acertou em cheio!




When it comes to men, it’s known
That I end up choosing wrong
‘Cause I always trip and fall
The same old rock and repeat and go back

How blind a girl can be
To miss you hide your ring
Thought about everything
I’m so naive imagining all that

I Did It Again now
I’ve got it all wrong
But it felt so right
I can’t believe it
All the mistakes that
Went on for too long
Wish there was a way
I could delete ‘em

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Assim assim

Gente, há uma semana que eu ando meio que com a boca cheia de aftas, meio gripada, meio com febre, meio com dor no corpo, meio com dor de cabeça, meio com dor no dente do siso, meio mole, meio na merda.

Ah... Mas a TPM... Essa veio por inteiro!

Mas, pra vocês não dizerem que eu sumo e depois só apareço aqui para reclamar, vou mandar um beijo enooorme pra vocês todos que me aturam!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Life is a Beatles' Song

As minhas lembranças enchem o espaço em tons de sépia e cheiro a naftalina. Dentre as coisas que nunca mudaram eu vejo a cômoda, o porta-retratos e o falso brilhante. Tudo o mais está diferente. E, no meio do caos aqui instalado, restam algumas coisas por arrumar. Resta o conjunto de chá e as toalhas bordadas. Resta você e resto eu. Entretanto, você não chega mais. Por isso distraio-me a juntar os nossos restos ao som de Beatles. "Yesterday" parece-me adequado.

domingo, 4 de abril de 2010

Amar é...

Dia desses encontrei um album de figurinhas. Coisa antigona mesmo. Daquelas que você guarda e esquece que tem. Era aquela coleção "Amar é...". Para quem não conhece, são dois bonequinhos peladinhos - ele moreno, ela loura - representando pequenas cenas de amor.



Meus pais terminaram esse álbum juntos, quando eram casados. Por isso, durante muito tempo, eu achei que amar era colecionar as mesmas figurinhas.

Cheia desse espírito saudosista, levei o álbum para mostrar ao meu irmão de 12 anos que havia vida antes da internet.

Ele passou os olhos pelas figurinhas, comentando algumas e rindo de outras. E, ao fim de duzentas e tal formas de amor, ele olhou muito sério para mim e disse:

- Poxa Ana, amar é difícil!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Final Feliz

Poderia ter sido uma cena de filme. O cenário perfeito, os personagens impecáveis. O metrô ia menos cheio que o habitual. Uma das primeiras manhãs de sol da primavera. Ele na casa dos trinta, solteirão - a indicar pelos tênis, óculos escuros e falta de aliança. Ela, vinte e alguns, à procura de qualquer coisa mais que um "one night stand".

Aí vem a acção. Coisa simples. Ela vai sentar num banco vazio bem no momento que o metrô arranca. Desequilibra-se. Quase cai em cima dele.

Se fosse um filme ele teria feito uma observação cômico-sarcástica. Ela teria achado graça. Trocariam olhares. Ela lançaria um último olhar antes de sair da carruagem e ele, sentindo uma brecha, iria atrás dela.

Provavelmente seriam felizes para sempre embalados por uma trilha sonora em tons de pop-rock romântico.

Mas não. Não era um filme. Era uma quinta-feira de manhã, bem real. Ele tinha sono, logo não reparou que ela era bonita. Beleza de pequenos detalhes, feições delicadas e cabelo levemente despenteado. Ela tinha pressa. Murmurou um pedido de desculpas que ele retribuiu com um aceno de cabeça, em jeito de dizer: "não há problema".

A iluminação não era a correcta e a trilha sonora que ouviam era um hip-hop que vinha do MP3 do moço ao lado, cujo volume demasiado alto fazia com que a música saísse dos fones e ocupasse o espaço.

Não houve observação cômico-sarcástica, nem troca de olhares. Ela saiu na estação de todos os dias sem olhar para trás. Ele permaneceu sentado, absorto em planos e pensamentos.

Meses mais tarde, ela conheceu um outro cara e ao fim de ano e meio de namoro resolveram morar juntos. Depois casram e parece que têm filhos e cachorro. Ele continuou solteiro, com uns namoros ocasionais. Não era um filme, mas nada os impediu de serem felizes.