Engraçado como você foi sumindo de dentro de mim. Primeiro foi o seu rosto. Eu, que antes reconhecia todos cantos, relevos e expressões... Tão nítido... Agora, ao fechar os olhos, a tua imagem vem meio embaçada, misturada com outras feições que vejo diariamente.
Depois foi a voz. Aquele som que cantava para mim, o timbre que me arrepiava quando sussurrava no meu ouvido coisas tão nossas...
Sumiu também o seu gosto. O sabor do beijo e da pele. Foi-se o calor do abraço e o peso da tua mão em cima de mim. Foi-se a maciez do teu cabelo e a textura das tuas costas.
Até o cheiro foi embora. Por muito que feche os olhos, não lembro do cheirinho do teu pescoço, onde eu muitas vezes encostei, dormi e sonhei com a gente lutando, vencendo e sendo felizes.
Sinto que perdemos. Nós perdemos. Nos perdemos. Sinto que meus sentidos se perderam de você. Sinto muito.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Mala Pronta
- Tem amigos?
- Sim, tá cheio.
- E vai tudo?
- Claro, não pode faltar nenhum.
- Saudades?
- Tá aqui.
- Nossa, mas isso ocupa um espação.
- Pois é, né? Mas não tem como evitar.
- Sorrisos, abraços, beijos, carinho, amor, felicidade, festas, danças, música...
- Tá aqui tudo separadinho e dobrado. Pode guardar.
- Nossa! Tanta coisa boa...
- É. Ando colecionando essas coisinhas há um tempão. Nem pensar que eu deixo isso aqui!
- E lágrimas?
- Vão só as de alegria. Estão naquela pilha ali, ó!
- A faculdade, vai?
- Vai, né? Pode ser que sirva para alguma coisa.
- E trabalho?
- Mmmm... Acho que não precisa. Isso tem lá.
- Ok, então vamos tentar fechar...
- Tá super cheia! Faz força aí desse lado!
- Poxa, custou mas conseguimos! Botar 13 anos na bagagem não é nada fácil...
- Espera, faltou aquela pilha ali.
- O que tem lá?
- Tristeza, mágoa e desamores.
- Acho que já não cabe.
- Então deixa isso pra trás. Não vai fazer falta.
- É, melhor mesmo.
- Boa viagem.
- A gente se vê no Rio.
- Sim, tá cheio.
- E vai tudo?
- Claro, não pode faltar nenhum.
- Saudades?
- Tá aqui.
- Nossa, mas isso ocupa um espação.
- Pois é, né? Mas não tem como evitar.
- Sorrisos, abraços, beijos, carinho, amor, felicidade, festas, danças, música...
- Tá aqui tudo separadinho e dobrado. Pode guardar.
- Nossa! Tanta coisa boa...
- É. Ando colecionando essas coisinhas há um tempão. Nem pensar que eu deixo isso aqui!
- E lágrimas?
- Vão só as de alegria. Estão naquela pilha ali, ó!
- A faculdade, vai?
- Vai, né? Pode ser que sirva para alguma coisa.
- E trabalho?
- Mmmm... Acho que não precisa. Isso tem lá.
- Ok, então vamos tentar fechar...
- Tá super cheia! Faz força aí desse lado!
- Poxa, custou mas conseguimos! Botar 13 anos na bagagem não é nada fácil...
- Espera, faltou aquela pilha ali.
- O que tem lá?
- Tristeza, mágoa e desamores.
- Acho que já não cabe.
- Então deixa isso pra trás. Não vai fazer falta.
- É, melhor mesmo.
- Boa viagem.
- A gente se vê no Rio.
sábado, 2 de julho de 2011
Então, depois que saiu o cor de rosa e graças ao sol, o meu cabelo deu uma de pokemón e decidiu sozinho que iria evoluir para essa cor:

Eu só notei isso há dois dias. Mas diz-se que eu já ando assim há mais de um mês.

Eu só notei isso há dois dias. Mas diz-se que eu já ando assim há mais de um mês.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Eu mesma!
Você passa por um espelho e se vê. Se vê em câmeras de vigilância, em vidros de carro, no reflexo de um par de óculos escuros. Se vê em muitos lugares, mas não espera se encontrar nas mãos de outra pessoa.
Foi assim que eu me vi hoje, sendo folheada por uma mulher no trem, bem do meu lado. Foi essa surpresa que eu tive ao ver o meu sorriso, sorrindo de volta para mim, nas páginas da revista nas mãos da mulher do trem.
Tudo começou como um favor para uma amiga que é jornalista e precisava de uma pessoa para uma matéria de um colega dela. Eu dei a entrevista por telefone e marquei com o fotógrafo de fazer uma foto que iria ilustrar a matéria.
Eu pensei que tirar uma foto fosse uma coisa fácil. Você chega, ele clica e pronto! Mas eu demorei 40, sim qua-ren-ta minutos para tirar UMA mísera fotinho.
"Põe a mão aqui, dance, dá uma voltinha, abre os braços e fecha os olhos, descontrai, você piscou, fica natural, o cabelo ficou na cara..."
Isso tudo com um vento féladaputa levantando o meu vestido e eu com a preocupação de não mostrar mais do que queria e acabar parando noutro tipo de revista. Uffff... Não, eu não nasci para modelo.
A revista saiu, eu comprei, mostrei para os amigos e pronto. Tive meus 5 segundos de "fama".
Nunca mais me lembrei disso. Até hoje que, num momento bizarro do acaso, eu dei de cara comigo mesma, sorrindo, diretamente das mãos de uma senhora que eu nunca vi na vida. Ela lendo o que eu falei e olhando para a minha cara, sem saber que estava olhando para mim.
E não, eu não falei com a mulher. Para a decepção de vocês me deu um ataque de timidez e eu me encolhi no meu lugar e fiquei observando ela ali, olhando pra mim.
Eu saí na minha estação, fui encontrar umas amigas para jantar. Eu continuei no trem e fui enfiada numa bolsa azul.
Foi assim que eu me vi hoje, sendo folheada por uma mulher no trem, bem do meu lado. Foi essa surpresa que eu tive ao ver o meu sorriso, sorrindo de volta para mim, nas páginas da revista nas mãos da mulher do trem.
Tudo começou como um favor para uma amiga que é jornalista e precisava de uma pessoa para uma matéria de um colega dela. Eu dei a entrevista por telefone e marquei com o fotógrafo de fazer uma foto que iria ilustrar a matéria.
Eu pensei que tirar uma foto fosse uma coisa fácil. Você chega, ele clica e pronto! Mas eu demorei 40, sim qua-ren-ta minutos para tirar UMA mísera fotinho.
"Põe a mão aqui, dance, dá uma voltinha, abre os braços e fecha os olhos, descontrai, você piscou, fica natural, o cabelo ficou na cara..."
Isso tudo com um vento féladaputa levantando o meu vestido e eu com a preocupação de não mostrar mais do que queria e acabar parando noutro tipo de revista. Uffff... Não, eu não nasci para modelo.
A revista saiu, eu comprei, mostrei para os amigos e pronto. Tive meus 5 segundos de "fama".
Nunca mais me lembrei disso. Até hoje que, num momento bizarro do acaso, eu dei de cara comigo mesma, sorrindo, diretamente das mãos de uma senhora que eu nunca vi na vida. Ela lendo o que eu falei e olhando para a minha cara, sem saber que estava olhando para mim.
E não, eu não falei com a mulher. Para a decepção de vocês me deu um ataque de timidez e eu me encolhi no meu lugar e fiquei observando ela ali, olhando pra mim.
Eu saí na minha estação, fui encontrar umas amigas para jantar. Eu continuei no trem e fui enfiada numa bolsa azul.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Abraços de despedida. Abraços de reencontro. Lágrimas de oi e de adeus. O doce de voltar, o amargo de ir. Mudar-se não é, de todo, linear. Medo de partir versus vontade de chegar. Perco-me entre a familiaridade do desconhecido e a estranheza do cotidiano.
Impossível evitar o frio na barriga por sair. Mas não posso me negar às borboletas no estômago de um recomeço.
Metade da vida de cada lado do Atlântico. Divida entre a sensação de sair de casa e a sensação de retornar ao lar.
Carioca de Lisboa ou Lisboeta do Rio?
Impossível evitar o frio na barriga por sair. Mas não posso me negar às borboletas no estômago de um recomeço.
Metade da vida de cada lado do Atlântico. Divida entre a sensação de sair de casa e a sensação de retornar ao lar.
Carioca de Lisboa ou Lisboeta do Rio?
sexta-feira, 17 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
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