sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Rapidinha do envelhecimento

Você percebe que a sua adolescência acabou de vez quando pega um cara 5 anos mais novo e tal já não constitui crime.

Já sou balzaca minha gente!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A tal "mulher moderna"

Por causa de tanta luta, feminismo e por causa do ideal de mulher moderna, acho que se tornou difícil para algumas mulheres aceitarem pequenos gestos e delicadezas masculinas sem se sentirem ofendidas no âmago da sua independência.

E toda mulher enche o peito para dizer que é uma mulher descolada, independente, inteligente e... Moderna! É verdade que no passado as mulheres eram criadas para serem esposas devotas e mães extremosas. Tinha que ser desse jeito. Mas nós, seres com dois cromossomos X, nos libertamos deste estigma e passamos a poder querer outras coisas. Deixamos de ser donas-de-casa para sermos donas do nosso nariz. Podemos pilotar aeronaves, podemos ter sexo casual, podemos não estar nem aí se o cara não ligar no dia seguinte, podemos botar a carreira à frente dos filhos. Nada nos impede. Podemos um montão de coisas que foram negadas às gerações anteriores.

Mas o grande lance é entender que isso é uma opção. Porque hoje em dia parece que é o contrário. Não acredita? Experimenta dizer para uma dessas “mulheres modernas” que você decidiu largar o emprego e ficar em casa cuidando dos filhos e do maridão. Mas, depois de dizer isso, lembre-se de fugir a sete pés. Porque se ela te apanha, é bem capaz de te botar na fogueira para ser queimada como bruxa da nova era.

Eu, da minha parte, continuo achando o cavalheirismo o máximo. Não me sinto privada no meu direito de ir e vir se o cara resolve abrir a porta do carro para mim. E nem me comporto como um ser inferior quando, no restaurante, o garçon traz a conta e o cara puxa o talão para ele sem nem sequer deixar eu ver quanto é que foi. Eu sou bem resolvida o suficiente para fazer um jantarzinho especial para o maridão sem me sentir escrava do lar. Afinal, botar aquele temperinho gostoso ou dobrar a roupa como vovó ensinou não é ser retrógrada nem ser menos que ninguém. É ter carinho e cuidado com quem se gosta.

E carinho e cuidado são atemporais. Nunca saem de moda. Nem para mulher, nem para o homem.

É meninas, o grande mal dessa mulher moderna, foi que ela se modernizou tanto que acabou virando homem. Qualquer dia vai acabar virando travesti.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Tem dias que eu não sou eu

Internem-me. Eu não sou normal.

Sonhei que estava mandando um e-mail de trabalho com um relatório enoooorme. Acordei por volta das seis da manhã sem sono algum. E o que uma pessoa normalmente faz? Vira para o lado e fica debaixo do cobertor, aguardando o despertador tocar e pensando na morte da bezerra. Eu não! Pulei de cama, lavei a louça do dia anterior, arrumei a sala, limpei a gaiola da coelha e dobrei a roupa que estava espalhada.

Cheguei no trabalho linda, saltitante e sorridente. Em plena segunda-feira, dez para as nove da manhã. Todo mundo sabe que é regra geral nas empresas não se estar feliz na segunda de manhã e estar-se radiante na sexta ao fim do dia. Daí que, de tanto dizer bom dia com um sorriso de orelha a orelha, quase levei com uma cadeirada na cabeça.

Qualquer dia eu mato aqueles gnomos filhos da p*** que entram à noite na minha casa e misturam prozac na minha pasta de dentes!

Quero meu mau-humor matinal de volta antes que eu comece a entoar por aí o Supercalifragilisticexpialidocious em lá menor.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

The Sound of Music


Eu tenho um gosto musical variadíssimo. Porque, para mim, a música é uma trilha sonora da vida. E cada momento tem a sua música. E, há situações para todo tipo de música. Desde Chico Buarque a Pink Floyd, passando pela Amy Winehouse e não deixando de lado o funk carioca.

E eu tenho isso tudo no meu computador, misturado numa pasta chamada "várias". Ali, convivem diariamente os Eagles com o Bob Sinclair, Marisa Monte, Seal e até a Bitchney Spears.

Quando eu era criança eu ficava imaginando que as minhas bonecas brincavam sozinhas quando eu não estava. Ah, gente... Isso é mais que normal, ainda mais quando eu via o Chucky, o boneco assassino. Agora, eu me pego imaginando o arranca-rabo que vai no meu HD quando eu saio de casa.

Porque tem aquele grupinho mais elitista, formado pela galera do Pink Floyd, do Led Zeppelin e Aerosmith. Esses são old school, beibe. Não se misturam. O Bob Marley fica ali noutro canto, com o Armandinho e o Ben Harper, tocando um reggae gostoso e fungindo da galera do Tropa de Elite.

Depois tem aquelas gostosinhas, sabonetes de quartel: A Fergalinha, a Bitchney e as Pussycat Dolls. Essas tão sempre se amassando com os Bad Boys de plantão: o Eminem, o 50cent e o Timbaland. O Justin é sempre excluído por causa daquela vozinha aguda e do jeitinho pouco másculo.

E tem sempre o maluquinho do Marylin Manson, que fica num canto porque ninguém suporta brincar com ele.

Do outro lado temos o Bono e o Sting engajados em causas sociais. Ah, e não podemos esquecer do Chico, que fica ali "low profile" junto do Eric Clapton, da Marisa Monte e da Ana Carolina.

Enfim, convivem ali todos na mais perfeita harmonia. Isso é, menos quando a Dona Amy Winehouse está "cheirada" e resolve arrumar confusão. Bom, mas Amy a gente até atura. A coisa só se complica é quando a Preta Gil resolve dar piti. Aí vocês já viram, né?

Bom, se ela saiu com o Gianechini pode ser que eu também tenha uma chance...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O romance e eu

Pois é... Aprendam com a Tia An@Lu como estragar um momento romântico.

A cena se desenrolou ontem de manhã, por volta das 8 horas. Tudo bem que eu fui dormir tardíssimo na quinta e acordei enjoada e com uma leve gripe. E tem mais: eu não sou eu antes das 10 da manhã.

Mas não é que justo nesse dia que eu acordei me sentindo a menina do filme "O Exorcista", o bofe escândalo que eu estava paquerando me chamou para tomar um o café da manhã numa padaria perto de casa?!

Eu fui néam?! Estava com olheiras até aos joelhos mas ainda assim resolvi aproveitar. E, entre uma mordida no pão francês e um gole de café, o bofe foi se chegando perto de mim. Afastou uma madeixa do meu cabelo, botou a mão na nuca e foi aí que eu...

... espirrei! E foi daqueles espirros molhados, bem nojentos mesmo.

Pronto, foi o suficiente para o bofinho perder toda a vontade de continuar o que quer que fosse.

E é por essas e por outras que agora, sábado de manhã, eu ao invés de acordar com um gatão do meu lado, fico aqui olhando para a coelhinha e chupando o dedo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Rapidinha da Aeromoça

Mãe: ... pois é, e aí encontrei a Marilene* que disse que agora o filho dela vai ser comissário de bordo na TAP!

An@Lu: Quem, o Fê*?

Mãe: É.

An@Lu: O FÊ* VAI SER AEROMOÇA???

*nomes trocados para proteger a identidade da aeromoça.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sem Fidel, Foo Del



Minha mãe ainda era um espermatozóide (nossa, que maneira bonita para começar um texto sobre política internacional) e Fidel já governava Cuba. E agora, ao fim de 50 anos Fidel deixa o poder dessa ilha tropical. Desde que eu nasci eu estou acostumada a ouvir os discursos monocórdicos e maçadores do ditador cubano. Peraí! Como ditador se haviam eleições? Ah, tá! Com um partido só até eu ganharia as eleições.

Quando ele esteve doente, muito se especulou sobre a sua morte. No entanto, como vaso ruim não quebra, ele ainda arrastou-se até hoje quando, finalmente, resolveu deixar a sua posição de presidente de Cuba. Com 81 anos. Gente, minha avó tem 81 anos e o máximo que ela comanda é o fogão! Como é que querem que o cara se aguente à frente de um país?

Na história contemporânea, pensar em Cuba é pensar em charutos, em açúcar, em embargo e em Fidel. Principalmente em Fidel. E a pergunta que não quer calar é: “Como será Cuba sem Fidel?”. As manchetes que li sobre o assunto relacionam-se todas com a democratização de Cuba, a possível transição para o capitalismo e a reacção dos EUA. Ora vejamos:

Saída de Fidel não é fim do regime, dizem especialistas
Sério???!!! O homem já tinha 81 anos minha gente! Por muito influente que ele fosse, bastava ele errar na hora do remédinho que ia para o tombo. Se o regime se aguentou é porque tinha mais gente que o apoiava.

Bush quer transição democrática na Cuba pós-Fidel
Por outras palavras: Aquele paraíso tropical vai virar uma imensa estância turística para os nossos meninos relaxarem depois de darem umas belas sovas nos presos políticos de Guantânamo.

Os Estados Unidos vão ajudar o povo de Cuba a entender as bênçãos da liberdade.
Ou seja: Mac Donald’s, Microsoft, Starbucks e Britney Spears sem calcinha.

Com saída de Fidel, Cuba deveria rever direitos humanos--Anistia
Estamos novamente a falar sobre Guantânamo, Tio Bush?

EUA estão prontos para evitar imigração em massa de Cuba
Ah, tá! Então eles podem entrar em Cuba e fazer de lá o playground deles, mostrando aos cubanos as bençãos da liberdade. Mas os cubanos não podem brincar com os meninos grades, é isso?


E os EUA, esses que tanto querem "democratizar" Cuba, ainda não vão levantar o embargo. Pelo menos até terem a certeza que o terreno é favorável à implantação do American Dream, quer dizer, “democracia”. E, se não for favorável, eles “encontram” lá provas de que Cuba anda a fabricar armas de destruição em massa e invadem a ilha impondo a "democracia" (mais alguém aí lembra do Iraque e do Afeganistão?). Mas... Vocês podem me explicar como é que um país invade outro e impõe a democracia à força?

Fidel mesmo disse: “A História me absolverá”.
Permitam-me que eu responda: Não, Fidel. Você já foi absolvido. Não por você ser bom, mas por ser o menos mau.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Águas de março, coelho fugitivo e chulé

Se a minha vida não tivesse tanto inferno astral não teria graça. Pelo menos pra vocês!

É, voltei de férias hoje. Tive a brilhante ideia de chegar mais cedo porque eu sabia que ia ter muita coisa para botar em dia. E logo hoje de madrugada resolveu cair aquele toró em Lisboa. O cano do esgoto da rua onde eu trabalho arrebentou.

E deixou de ser uma rua, virou um rio. E eu, toda bonita e emperequitada tinha que o atravessar para chegar ao escritório. Não, eu não tinha canoa. Nem aquelas boinhas de por nos braços. Ia ter que enfrentar na marra.

Ah, e os semáforos deixaram de funcionar, pelo que o transito estava simplesmente caótico. Levantei a calça até ao joelho (ai qu linda!!!) e botei o pézinho no rio, quer dizer: rua, para testar a profundidade. O pé todo ficou submerso. Até metade do tornozelo.

Tirei o pé. Bradei aos céus. "Mas, porra, eu tenho que ir trabalhar!". E eu ali, feito palhaça vendo o escritório do outro lado da rua. Eu juro que ouvi o meu escritório debochar de mim.

Tomei coragem e atravessei a porcaria a rua saltitando e afundando cada vez mais o pé no lamaçal. Cheguei no escritório meia hora depois, mas ainda no bater das nove horas. É... Meu plano de chegar cedo foi por água a baixo. Literalmente!

Abri o e-mail e deu vontade de sumir. Parece que tudo deixou para acontecer na semana que eu estive fora. E ainda levei bronca do chefe porque o trabalho estava atrasado.
- Mas eu estava em Berlim...

Hummm... A desculpa não colou. Ele achou que eu estava fazendo corpo mole. Eu não sabia que o poder de teletransporte era pré-requisito para trabalhar lá. E eu até tenho várias facetas. Mas, infelizmente, um corpo só. Ah e porque desgraça pouca é bobagem, para completar, faltou luz durante uma hora e meia.

Ah, e os meus pézinhos de cinderela continuavam molhados. E permaneceram molhados o dia inteiro. Dentro das botas.

Bom, saí do escritório tardíssimo e ainda ficou um montão de coisa pendente. Alguém me arruma um clone, por favor?

E eu estava crente que ia chegar em casa e me jogar na cama e acordar daqui a dois anos. Abri a porta e vi a gaiola da coelha. Notem bem, eu só vi a gaiola, não a coelha. É claro que o meu pensamento foi: "Arrombaram a minha casa!". Tomei um susto de morte. Olhei para a cama e o meu laptop continuava lá.

Bom, então não entraram aqui (ufffff... alívio!). Porque a única coisa de valor que eu tenho em casa é esse computador do tempo do ronca (gíria velha pra caraleo) que funciona a carvão.

O que aconteceu foi que a Estrela Regina, de tanto ver o Prison Break comigo, tatuou o mapa da gaiola no pelo e se escapuliu. O Scofield ficaria orgulhoso. Claro que ela sabia que tinha feito merda. Porque ela foi se esconder no motor da geladeira. Ficou ali, quieta e silenciosa vendo eu, que nem uma louca, procurando pela casa. E nessa altura do dia eu já estava espumando pela boca.

Finalmente consegui capturar a fugitiva que agora se encontra em prisão preventiva. Sentei na cama e tirei as botinhas.

Vocês lembram que eu falei que eu passei o dia com os pés molhados enfiados nas botas, não lembram? E conseguem imaginar o resultado que isto teve? Parecia que algo tinha morrido nos meus pés. E eu não posso pôr as botas na varanda porque vai chover durante a noite. Então eu tenho que ficar com o futum dentro do apartamento.

E tome de passar perfume pela casa pra tirar o cheiro de chulé!

Na boa, vocês podem me acordar daqui a cinco anos?

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Inês

Abriu os olhos devagar. Primeiro o esquerdo, depois o direito. Voltou a fechá-los. Espreguiçou-se. Levou as mãos à testa numa tentativa tosca de aplacar a dor de cabeça aguda. "Nunca mais tomo vodca...", pensou.

Sentiu um movimento. Não vinha do seu corpo. Esperou um pouco. Abriu os olhos. Passou a mão pelo cobertor. Aquele não era o seu cobertor. Passou a mão pela roupa. Constatou que não havia roupa. Respirou fundo e olhou para o lado. Havia outro ser ali. Quer dizer, na verdade o outro ser era ela. Afinal, aquela não era a sua casa.

Olhou em volta da cama. Pela distância que as peças de roupa tinham umas das outras, concluiu que a noite fora deveras divertida. Resolveu espreitar melhor a criatura com quem dividia momentaneamente os dois metros de cama. Era um amigo dos tempos de colégio, e que agora se apresentava como um completo desconhecido.

Ele dormia profundamente. E ela ficou na dúvida. Não queria sair sem dizer nada, mas não sabia o que dizer se o acordasse. Permaneceu na cama, fechou os olhos e decidiu que iria esperar que ele acordasse. Ele saberia o que fazer.

Bocejou ainda de olhos fechados. Passou a mão pela mesa de cabeceira em busca do celular para ver as horas. "Beleza, ainda dá tempo de ir para o futebol!". Sentia um certo enjôo. Ressaca, claro! Mas nada que um belo copo d'água não resolvesse.

Afastou o cobertor e se deu conta de outro corpo na cama. Meu Deus, como pudera esquecer que ela estava ali?! Aquela menina que ele conhecia desde os seus dezesseis anos, mas que era uma mulher estranha nesse momento. E agora? Deveria acordá-la? Mexeu-se um pouco na cama para ver se lhe despertava a atenção. Nada. Voltou a fechar os olhos. Ia perder o futebol, mas que se dane. As mulheres são melhores nessas coisas. Ela saberia o que fazer.

Ficou mais 20 minutos de olhos fechados. E ele nem se mexia. Esgueirou-se da cama para ir ao banheiro. E, quando estava de pé, à procura da roupa interior ele acordou. Cheia de pudor ela tapou-se.

- Bom dia...
- Bom dia, te acordei?
- Não. Eu tinha que levantar. Afinal, domingo...
- ... é dia de futebol na praia.
- Já há dez anos que é assim.
- Eu sei. E eu também tinha que ir mesmo.
- Tá.
- Posso usar o banheiro?
- Claro, à vontade.

Era difícil dizer qual dos dois estava mais sem graça. Na noite anterior tinham estado em ângulos impossíveis, dignos de contorcionistas. Agora, faziam malabarismo para não se olharem nos olhos.

Definitivamente tinham estado envolvidos num ménage a quatro. Afinal, duas pessoas tinham dormido juntas. E outras duas completamente diferentes acordaram na mesma cama.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Pânico no elevador

Quem já andou no elevador do meu prédio sabe o quanto aquilo é tenebroso. E eu, claustrofóbica como sou, subo sempre os dois lances de escadas até ao meu apartamento.

Até que um dia um vizinho meu me viu chegando e segurou a porta do elevador para mim. E eu disse:
- Pode deixar, eu vou de escada.

E ele perguntou:
- Mas isso é só para não ir comigo?

Eu nem conhecia o cara. Nunca o tinha visto mais gordo. Portanto, não. Eu não tinha nada contra ele. Não TINHA.
- Eu é que não gosto desse elevador.
- Ah, mas não tem problema não. Sobe aí.

Pronto, antes que a conversa se alongasse e se tornasse num diálogo metafísico sobre a minha claustrofobia e o pânico que este elevador me causa, entrei naquela porcaria e apertei o 1.

- Você mora no 1 gata?

Ihhh.... Chamou de gata! Não sua besta, eu é que ia apertar todos os botões mas você estragou meu plano maléfico.

- Parece, né?
- Eu moro no 2.
- Ahn...
- Pertinho, né?

Como assim pertinho? Nós moramos no mesmo prédio! Qualquer apartamento é pertinho do meu.

Felizmente o elevador chegou. Abri a porta, disse boa noite e saí. Ele não deixou a porta fechar. Botou a carinha de fora e disse:
- Mas você já mora aqui há muito tempo? É que eu nunca te vi.

Tem horas que eu queria ser mais desumana, sabiam?

- Não, mudei há pouco tempo.

Foi aí que eu percebi que o corpo todo dele já estava fora do elevador. E que ele não iria descansar enquanto não soubesse o meu apartamento.

- Você tem orkut?

Ahn?? Que coisa mais non sense é essa? E eu lá quero esse cara fuçando a minha vida?

- Não, não entendo nada de internet, sabe?

Aí eu vi que tinha que atacar. O pentelho não ia me deixar em paz.

- Mas olha, faz assim: me liga um dia desses e a gente combina qualquer coisa.
- Mas eu não tenho o teu telefone.

E eu avancei para o elevador, quase que empurrei ele para dentro, apertei o 2 e disse:

- Me liga para a gente sair, tá? Mas não esquece. Vou ficar esperando.

Fechei a porta e fiz a dancinha da vitória. Corri para o meu apartamento, não fosse ele regressar ao primeiro andar. E da próxima vez que a gente se encontrar, podem ter a certeza que eu vou reclamar por ele não ter ligado e reavaliar a nossa relação.