sábado, 24 de setembro de 2016
10 coisas que eu quero que minha filha saiba sobre se exercitar.
Então me perguntaram se essa corrida toda faz parte de um "projeto verão". Claro que é legal ter um "corpo de praia" e caber "naquele" vestido. Mas não é o meu foco. A verdade é que faz parte de um projeto Cecília.
O pequeno cérebro da minha filha procura o significado do mundo a cada segundo. E quando se trata de exercício, eu quero que ela cresça vendo-o como uma alegria... Como uma oportunidade, não uma obrigação. Eu quero que ela faça por prazer, não para caber em um vestido, nem só para ter um corpo de praia.
Acredito que a principal forma de ensinar é pelo exemplo e eu quero que ela cresça sabendo que:
1. Força é igual a auto-suficiência. Ser forte - especialmente sendo mulher - é parte essencial desse tal de "empoderamento". Ela vai se sentir bem se um dia for capaz de transportar a sua própria bagagem escada abaixo, se a escada rolante do aeroporto estiver quebrada. E também pode ser importante para ter uma chance real de escapar de um estranho na rua.
2. Exercitar-se abre portas. Estar em forma e saudável pode ajudar você a ver o mundo de forma diferente. O planeta parece diferente de uma bicicleta ou do topo de uma montanha. Os sons, os cheiros... Uma experiência diferente do que estar num carro.
3. A academia é o novo campo de golfe. Estar em forma pode ajudá-la a obter um assento à mesa. O networking não está mais restrito ao campo de golfe e quanto mais forte você é - e quanto mais pessoas você conseguir acompanhar na estrada ou numa trilha - mais pessoas você vai conhecer.
4. O exercício é um estilo de vida, não um ato isolado. Ser uma pessoa ativa não é fazer uma aula três vezes por semana na academia. Trata-se de coisas como ir de bicicleta ao supermercado ou se juntar com os amigos para uma caminhada ao invés de uma mesa de bar.
5. Saúde atrai saúde. Comportamento saudável inspira outros comportamentos saudáveis. Exercício. Alimentação saudável. Bons hábitos de sono. Relações positivas. Essas coisas estão todas relacionadas.
6. Endorfinas ajudam a lidar com os problemas. Uma boa dose de suor alivia o stress. Vai ter dias em que nada parece dar certo ... Quando você está louco com a frustração, um treino muitas vezes ajuda a ter uma nova perspectiva sobre os problemas.
7. Exercício é uma porta para o sucesso. A disciplina necessária para se exercitar de forma regular é um sinal de trabalho duro. Alguém me disse há pouco tempo que gestores de RH são muito mais propensos a contratar corredores de maratona e alpinistas por causa do nível de comprometimento necessário para essas atividades.
8. Se você se sente bonita, você está bonita. A beleza começa no interior. E estar em forma e forte dá aquela injeção extra de auto-estima e ajuda a se sentir bonita.
9. Auto-confiança te empurra para frente. Quando você percebe as coisas que o seu corpo é capaz de fazer, quando você sente os pulmões ardendo mas busca forças para continuar, isso muda você. Você não se contenta mais em viver acomodada num relacionamento que não te faz bem, num emprego que não te satisfaz, com amizades que não te inspiram a ser melhor.
10. A vida é feita de experiências. Eu não vou falar para a minha filha sobre o corpo de praia. Eu vou falar para ela sobre a satisfação de correr meus primeiros 5 quilômetros. Sobre como é lindo lá no topo da Pedra da Gávea. Sobre aquele dia que eu andei do Jóquei à Lapa, passando pelo Corcovado e terminando num bloco de Carnaval. Sobre como foi completar a Bravus, coisa que muita gente acha uma loucura. Vou conversar com ela sobre persistência e auto-suficiência. Vou ensinar-lhe a alegria de se exercitar, mostrando a ela que isso é verdadeiramente legal.
O resto... bem, O resto é com ela.
domingo, 13 de dezembro de 2015
3.2
A versão 3.2 é mais rápida. Essa é uma das principais diferenças em relação ao modelo anterior. Tem uma velocidade de 8,9 km/h. O consumo, porém, se manteve. Não é possível operar este modelo sem uma quantidade mínima de cafeína.
A versão 3.2 também é mais resistente. Foram feitos vários testes nos últimos anos e o protótipo se mostrou capaz de levantar a cada queda, apesar de alguns arranhões, nem sempre visíveis.
Nesta versão os engenheiros optaram por abandonar um extra que vinha ocupando espaço em modelos anteriores. O resultado não poderia ter sido melhor. A versão 3.2 ganhou leveza, autonomia e uma delicadeza que não se via desde o modelo 2.9.
A versão 3.2 vem ainda com um acessório um pouco barulhento e, por vezes, pouco funcional. Contudo, já foi verificado que sem esse acessório a máquina se torna incapaz de funcionar.
Sabemos que essa ainda não é a versão final e que ainda há muitas melhorias a serem feitas, no entanto, estamos orgulhosos e felizes com os resultados alcançados até aqui.
Janela virtual
Quando a gente terminou eu botei cortinas novas nas janelas e prometi a mim mesma nunca mais abri-las já que o meu apartamento, que era de fundos, dava de frente para a sua casa. Mas não foi suficiente para bater a força da natureza humana. Essa sede mesquinha de saber, de analisar e esmiuçar à procura daquele segundo onde tudo mudou.
A cada coisa que você fazia eu me torturava mais um pouquinho, eu torcia de leve o punhal sobre a carne. Eu espiava sua vida com devoção e regularidade mas sempre de longe, sorrateiramente. Fiquei alguns meses assim, bisbilhotando, vivenciando em silêncio cada passo seu através das cortinas novas que eu tinha jurado fechar para sempre.
Vi você se formar, vi seus dias ruins, vi você feliz. Secretamente eu rezava para que um dia você parasse em frente à minha janela e lembrasse que eu estava lá, pacientemente, à espera. Mais do que querer, eu acreditava que isso aconteceria.
Até que um dia, aconteceu. Parece coisa de cinema. Você ficou ali, em frente à minha janela e abriu os braços. Foi aí que meu coração, tão cansado dos meses de sofrimento calado, parou de vez. Ela caminhou na sua direção e encaixou perfeitamente no seu abraço, de um jeito que só eu achava que cabia.
Taquei fogo nas cortinas e coloquei o apartamento de fundos à venda. Hoje eu moro de frente para o mar e a única coisa que eu vejo quando olho da minha janela é o infinito.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Da urgência e do amor
É nesse afã de amar tudo o que respira e mexe que se denota uma impaciência tão característica da nossa condição humana. Queremos um grande amor, já. Queremos para ontem o que temos medo de não ter jamais. Procuramos alguém que nos traga a pessoa amada em três dias. Em duas horas. No intervalo da novela. Enquanto a pizza não chega. Enquanto se esquenta a comida no microondas.
Já não sabemos esperar. Queremos fotos digitais que se vêem na hora. Internet mais rápida. Carros mais velozes. Fast food. Computadores mais eficientes. Tudo para ganhar tempo.
Mas... Tempo para quê?
Tempo para tirarmos mais fotos mais rápidas. Para fazermos mais downloads de filmes que não teremos tempo pra ver. Para chegarmos mais rápido e fazermos mais coisas simultaneamente, sem perda de tempo porque, como reza o adágio: "Tempo é dinheiro". Contudo, ao poupar esse bem tão precioso, perdemos a vida.
Perdemos as horas de ansiedade gostosa na espera de fotos por serem reveladas. Perdemos o borbulhar da água fervendo no fogão e o cheiro de refogado que inunda a casa. A riqueza de detalhes de um passeio a pé. O sabor da comida feita a partir do nada. Sobretudo, perdemos a beleza da conquista de um amor que, ao contrário de um pacotinho de miojo, não é instantâneo.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
B.
Crônica à Morte
O rosto encovado escondia o sorriso que já há muito deixara sua face. Os olhos baços não lembravam nem de longe o olhar esperançoso que costumavam exibir sem pudor. Sim, andava encurvada por todo peso de uma existência vazia. Pés cansados, calejados de vagar sem destino por um tempo que parecia correr ao contrário. Mãos grossas, pesadas que eram nada mais que um testemunho de uma vida passada a escorar lágrimas que jorravam feito tempestade. Sem delicadeza. Sem beleza. Sem nada que remotamente trouxesse algo de bom.
Quis sorrir mais uma vez. Em vão. Quis calar, mas da sua boca sairam duas palavras que não conseguiu conter. E, enquanto o abismo lhe devorava, expirou:
- À Deus.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Oração
Livrai-nos de todo o mal.
Amém.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
João
- Oi, eu queria cortar o cabelo.
- Sim, por aqui. Já sabe como quer cortar?
- Joãozinho.
Silêncio. Ela me olha incrédula. Olha em volta para as colegas que também permanecem boquiabertas. Ela quer dizer muita coisa, quer me convencer do contrário e me mandar fazer dois anos de terapia, mas só consegue balbuciar:
- Tem... Tem... Certeza?
- Sim.
E foi com essa palavra que eu selei meu destino.
Mas ok, certeza, assim certeza, daquelas absolutas, eu não tinha. Passei uma hora dentro do ônibus decidindo que iria transformar o meu Channel em Natalie Portman e tomando coragem para isso.
Daí a urgência. Eu sabia que teria que saltar do ônibus e procurar imediatamente um cabeleireiro. Se deixasse para depois, perderia aquele fiozinho de determinação. It's now or never, como diria o Rei.
O resto do salão aguardava apreensivo o resultado. Ela começou. Pegou a tesoura com pesar e aparou minhas madeixas.
- Está bom?
- Mais curto, por favor.
Ela deu um suspiro de resignação. Corta daqui, apara dali, repica. Voilá.
- Está bom?
- Está.
Mas não estava. Com cabelo molhado e aquela capa de cabeleireiro em volta do pescoço eu estava xingando a Emma Watson de todos os nomes por parecer tão bonitinha com aquele cabelo, enganando jovens adultas como eu.
Olhei para o meu cabelo no chão. Pensei em guardar para reimplantação mas a assistente varreu tudo. Droga. Vou ter mesmo que esperar crescer.
Ela tira o manto preto, seca meu cabelo, passa cera e ajeita a franja. Meio desanimada, me olho novamente no espelho. Me surpreendo. Gosto muito do que me olha de volta.
Sorrio. Por ter tido coragem de mudar. E a coragem me foi devidamente recompensada:
sábado, 20 de outubro de 2012
Enfim sós
Nós dois viramos um só.
Nós dois brilhamos como sóis.
Nós dois já não somos nós.
Nós dois que ficamos sós.
Nós dois que viramos pó.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Falta
Giro a chave. Destranco a porta. Rodo a maçaneta e dói. Dói o primeiro passo, dói o segundo. Dói cada segundo. Respiro para tomar coragem e me assusto porque me dói o respirar sem você.
Deixo a bolsa no sofá, me dirijo para a cozinha. Café, cigarro, um destilado e sua ausência me acompanharão hoje. E como dói. Me tortura o vazio dos seus olhos, que enche a casa e ilumina os cômodos com a sua sombra. Me torturam as suas palavras mas, mais ainda, me tortura o sussurro do seu silêncio.
Começo ler um livro, ouvir uma música, ver um filme. Termino de ver o livro e de ouvir o filme. A música emudece como a sua fala e me assombra. Me assombra saber que sua sombra está longe daqui. Me assombra minha sombra sombria e sozinha na meia luz.
Vejo nosso quarto. A bagunça deixada na mesa de televisão. O prato com o resto do jantar. A bagunça deixada no que resta de mim. O seu lado do armário, o seu lado da cama. O seu lado longe do meu lado me faz ficar sem jeito. Sem jeito de arrumar as coisas, sem jeito de fazer comida, sem jeito de escolher limões. Tudo é sem jeito sem você. Até eu, desajeitada e desajustada com a saudade que você me traz.
O relógio não cede, as horas travam. Passo a passo pela casa vazia, meu coração descompassado bate em sentido anti horário. Nada mais tem sentido e eu sinto cada pedaço de você que falta em mim.
Falta seu cheiro nos meus cabelos e os seus cabelos fazendo nós nos nós dos meus dedos. Faltam os seus sonhos, partilhados pela manhã com o café. Faltam ainda seis horas para o nascer do sol. Faltam muitos dias para o fim do mês e faltam três meses para o fim do ano. Talvez ainda me restem muitos anos na vida mas, com a sua falta, faltará toda a vida nos meus anos.
segunda-feira, 12 de março de 2012
O dia D
Talvez por eu já estar demasiado calejada de lembrar de dias que há muito perderam o significado e de datas que, já não sendo minhas, ainda voltam na cabeça vez por outra, meu cérebro decidiu parar de processar esse tipo de informação.
Por isso amor, talvez eu não lembre de comemorar meses de namoro. Talvez eu esqueça datas que parecem relevantes para tanta gente. A verdade é que eu odeio ter dias estipulados para ser feliz. Porque desde que te conheci sou feliz todos os dias.
domingo, 4 de março de 2012
Enquanto isso por aqui...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
(Imper)Feito pra mim
Se não tomar cerveja não importa, o meu veneno de eleição é a vodka. Também pode odiar ser interrompido quando está concentrado. Eu sei bem o quanto isso é terrível. Até pode odiar multidões porque apesar de eu ser social, aprecio ficar em casa vendo um filme no típico "programinha a dois".
Reclamar para caramba não é problema porque eu me junto no coro dos revoltosos. Acha que não dança mas não deixa de me tirar para dançar. Se não for de ficar ligando não há problemas, porque eu detesto falar ao telefone. E se for do tipo que não tira a mão de cima tanto melhor, porque eu sou igualzinha.
Pode não perfeito mas, nas susas imperfeições, parece que foi feito pra mim.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Tocando em repeat
Eu gosto do estilo do Zorro, o visual lá do morro e de abraço apertado.
Eu gosto mais de bicho com asa, mais de ficar em casa e mais de tênis usado.
Eu gosto do volume, do perfume do ciúme, do desvelo e do cabelo enrolado.
Eu gosto de artistas diversos, de crianças de berço e do som do atchim.
Eu gosto de trem fora do trilho, de andar com meu filho e da cor do marfim.
Tem gente, muita gente que eu gosto que eu quase aposto que não gosta de mim.
Eu gosto é de cantar: Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de artista circense, de astista que pense e de artista voraz.
Eu gosto de olhar pra frente, de amar pra sempre o que fica pra trás.
Eu gosto de quem sempre acredita, a violência é maldita e já foi longe demais.
Eu gosto do repique do atabaque, do alambique badulaque do cachimbo da paz.
Eu gosto de inventar melodia, da palavra poesia e de palavra com til.
Eu gosto é de beijo na boca, de cantora bem rouca e de morar no Brasil.
Eu gosto assim do canto do povo e de tudo que é novo e do que a gente já viu.
Eu gosto é de cantar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto de atores que choram ali por nós e namoram ali por nós na TV.
Eu gosto assim de quem é eterno, de quem é moderno e de quem não quer ser.
Eu gosto de varar madrugada, de quem conta piada e não consegue entender.
Eu gosto da risada, gargalhada, da beleza recriada pra que eu possa rever.
Eu gosto de quem quer dar ajuda e acredita que muda o que não anda legal.
Eu gosto de quem grita no morro que a alegria é socorro e que miséria é fatal.
Eu gosto do começo, do avesso, do tropeço do bebum que dança no carnaval.
Eu gosto é de cantar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
Eu gosto é de ver coisa rara, a verdade na cara é do que gosto mais.
Eu gosto porque assim vale a pena, a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais.
Eu gosto é que Deus cante em tudo e que não fique mudo morto em mil catedrais.
Eu gosto é de cantar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar Vamos celebrar, celebrar, celebrar... Vamos celebrar
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Querida Nicki Minaj,
Realmente vocês dois faziam um casal muito carismático. No entanto essa vibe Lady-Gaga-wannabe-vou vestir-uma-coisa-para-espantar-a-galere já é meio 2009. Já cansou. Nem a própria Lady Gaga está conseguindo mais chamar a atenção com isso.
Eventualmente até o bizarro vira rotina e o sósia de um Papa falecido não é mais tão chocante assim. Ainda mais estando nós perto da época do Carnaval em que, como diz o ditado, ninguém leva a mal.
Entendo que no mundo selvagem dos mídia o pior crime é passar despercebido. No entanto, creio que nessa história você acabou ficando como a menina esquisitinha que quer chocar a qualquer custo, feito criança que se joga no chão do supermercado para chamar a atenção dos pais.
Mas lamento te dizer, Nicki... Seu esforço foi em vão. Porque ganhou a noite quem fez música para o público alvo correto: os ouvidos e o coração. E, para isso, bastou que ela usasse um pretinho básico.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Soma
Vocês podem não acreditar, mas algumas almas mal amadas - mas bem intencionadas - disseram para ele que eu não prestava. Pode isso, gente? Curiosamente, as mesmíssimas criaturas me disseram que ele também não prestava!
O resultado, todavia, foi diferente do esperado.
Porque somando-se os dois que não prestavam separados esperava-se um zero. Mas não, nós dois formamos um. Um casal que, ok, tenho que admitir: não presta. Que não presta contas aos outros, que não presta atenção às fofocas e, principalmente, que não se presta a pensar pela cabeça de terceiros.
Porém, num ponto as más línguas acertaram: nós não fomos feitos para ter relacionamentos sérios. Já passamos por isso, não deu certo. Então agora escolhemos experimentar uma coisa diferente, meio "new age". Resolvemos ter um relacionamento engraçado, onde a gente é livre para rir o tempo todo.
Tem funcionado, sabe? Estranhamente desenvolvemos o hábito de confiar um no outro. Uma mania que nasceu entre as piadas, o sarcasmo, o riso de doer a barriga e as longas conversas em que um assunto emenda no outro. Foi mais ou menos quando surgiram também os silêncios. Aqueles que não incomodavam e que diziam tudo sem necessidade de palavras. Em que falamos com os olhos e em que sorrimos cúmplices.
Silêncios onde nos reconhecemos refletidos um no outro e que tivemos a certeza que, prestando ou não, a gente se merece.

