sábado, 31 de julho de 2010

...

Tudo o que você queria era uma vida calma. E eu, bem, eu queria abraçar o mundo. Você sabia disso. O que você não sabia é que o meu mundo era você.

De olho em mim

- Mãe, eu me inscrevi no Big Brother.
Ela olha para mim em silêncio.

- Não vai dizer nada?
- O que você quer que eu diga?
- Que você vai me acreditar em mim quando eu for para debaixo do edredon com alguém e disser que nós somos só amigos.
- Eu sei a filha que eu tenho.
(Por outras palavras: "Eu não acredito nem agora!")

- Então quando me entrevistarem eu só vou mandar beijos para o Napoleão!


Não gente, eu não me inscrevi no Big Brother. Só quis deixar mamãe com mais 4 ou 5 cabelos brancos. Bom, confesso que estive perto. Sabe quando você em casa de bobeira, sem TV, já leu todos os livros, blogs e etc? Aí eu comecei a vadiar pela internet e vi que vai ter um novo Big Brother.

Confesso que não resisti ao impulso de clicar no botão "Inscreva-se aqui". No entanto, um questionário de aproximadamente 100 perguntas e algum resquício de sanidade mental me impediram de completar o cadastro.

domingo, 25 de julho de 2010

Encontros imediatos de 3º grau

Já há muito tempo que eu não me envergonho aqui no blog, não é? Mas não é que eu tenha perdido o dom de me meter em situações patéticas, é só que faltava tempo e inspiração para contar. Essa história é velhinha, do ano passado, mas outro dia me peguei dando muita risada ao contá-la a uns amigos.

O que aconteceu foi o seguinte, eu estava saindo com um cara... Oh, sim, tinha que ter um "cara" no meio da história. E agora vocês já devem estar se perguntando qual era o defeito que esse tinha. Calma gente, defeito ele tinha, mas até nem é relevante para a historia.

Como ele morava no centro de Lisboa, ele frequentemente me chamava para dormir na casa dele, para eu não ter que ir para casa e dirigir com sono a altas horas da madrugada. Ele era uma alma caridosa que zelava pelo meu bem estar. O programa era o típico jantar + balada ou jantar + cinema. Resultado, a gente sempre chegava na casa dele por volta das três, quatro da manhã.

Como ele dividia o apartamento com uma mulher, eu sempre tive o cuidado de fazer o mínimo de barulho possível para não incomodar. Mamãe me deu educação, viram? Nós chegávamos, tomávamos banho - um de cada vez porque o quarto dela era do lado do banheiro - e depois íamos dormir.

Ela sempre saía para o trabalho antes da gente acordar. Ou seja, mesmo tendo dormido lá umas 7 ou 8 vezes, nunca tinha encontrado com a fulana. Não é que eu me incomodasse com isso. Ok, incomodava um pouquinho. Porque é estranho você estar na casa de outra pessoa várias vezes sem nunca a ter visto.

Aí um dia voltamos de não sei onde e eu fui tomar banho primeiro, como era costume. Fechei a porta e, só depois de estar dentro do chuveiro, pronta para sair do banho, me dei conta que eu tinha esquecido de levar a toalha.

Eu não ia gritar pelo fulano. Como eu falei, tínhamos que ser silenciosos para não acordar a companheira de casa dele.

"Não há problema! Eu sacudo o corpo um pouco para tirar o excesso de água e dou uma corridinha até ao fundo do corredor", pensei eu.

Ia ser muito azar se a companheira de casa dele acordasse nesse exacto momento e desse de cara comigo correndo pelada pelo apartamento nos 5 segundos que separavam o wc do quarto do benzão.

"Vou arriscar."

Sequei os pés no tapete do banheiro para não correr o risco de escorregar e rodei a maçaneta para abrir a porta. Puxei a porta... E vocês agora se perguntam: o que aconteceu?

Nada. Nadinha.

A porta não abriu.

Rodei de novo a maçaneta. A porta não cedeu nem um milímetro. Ah claro, esqueci que tinha trancado a porta. Rodei a chave. Ou melhor, tentei rodar a chave. Ela não se mexeu.

Isso foi uma lição que eu aprendi para a minha vida, sabem? Quando você acha que estar num banheiro estranho sem toalha é ruim, a situação pode piorar. Porque você pode ficar trancada num banheiro estranho sem toalha.

Primeiro eu esperei pacientemente o fulano aparecer. Claro, ele ia deixar de ouvir o barulho da água a correr e viria para o banheiro tomar o banho dele. Só que (e agora entra a Lei de Murphy) foi justamente neste dia o bofescândalo bebeu um pouquinho a mais e apagou no quarto enquanto eu estava no banho.

Ao fim de uns 10 minutos - que do lado de cá da porta pareceram duas horas - comecei a chamar o nome dele baixinho, coisa que não se revelou muito eficaz.

Foi aí que me baixou o espírito MacGyver. Comecei a olhar em desespero à minha volta e procurar por coisas que pudessem servir para destrancar uma porta. Ou para fazer uma bomba, o que viesse primeiro.

A primeira ideia que eu tive foi besuntar a chave com sabão. Não sei onde eu fui buscar isso, mas pensei que a chave pudesse escorregar melhor e abrir a fechadura. Não.

Encontrei um grampo de cabelo. Ah, se isso é tão clichê em filme é porque deve funcionar na vida real, certo? Errado. Merda!

Bom, mas nem tudo está perdido. O importante é ter fé. Continuei a tentar, podia ser que desse para vencer a fechadura pelo cansaço.

Força um pouquinho a chave, empurra a porta, puxa a porta, força mais a chave... Está quase... Ao fim do que me pareceram cinco horas eu finalmente ouço barulho do outro lado. Aleluia. Deve ser a equipe de busca e salvação que a minha mãe contratou para me resgatar e eles me encontraram aqui no banheiro. Ou então é só o fulano mesmo. Mas agora já não interessa. Estou quase sendo salva.

- Hmmm... Já vi que te trancaste no banheiro. Passa a chave por baixo da porta que eu destranco-te.

Mas que raio de voz feminina é essa?! Oh merda! Com o barulho acordei a companheira de casa do bofe... Passei a chave e comecei a dizer:

- Olha, eu sou a namorada do fulano e eu estava tomando banho e...

Mas ela não me deixou terminar. Botou a chave na fechadura, deu um encontrão na porta. A fechadura cedeu, a chave rodou, a porta abriu. E eu, do outro lado, fazia o possível para me tapar com uma toalhinha de mãos.

- Errr... Prazer, eu sou a Ana, namorada do fulano.

Ela deu um sorriso amarelo e tentou fingir naturalidade enquanto disfarçava a surpresa. Eu acenei com a cabeça, porque achei que da dois beijinhos ia pegar mal naquela situação. Juntei o resto de dignidade que me sobrava e, com o ar de quem aparece pelada todos os dias em banheiros alheios, acrescentei:

- Finalmente eu te conheço! Adoro a decoração que você fez aqui na casa.

Ela continuou sorrindo e eu fui me esgueirando pelo corredor, de bunda virada para a parede. Entrei no quarto, vi o benzão babando na cama. Resisti ao impulso de sufocá-lo com o travesseiro e apenas empurrei-o para fora da cama.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Obsessão

Nunca soube ao certo quando aquilo a começou a incomodar.

Talvez porque fizesse parte do ser humano observar as particularidades da vida alheia. Talvez por não querer ver os próprios erros. Ou talvez por vê-los demais, e querer, com toda a força, acreditar em erros alheios. Sentir que, como todo mundo, não era perfeita.

Reparava nos colegas de escritório que repetiam a toilette, no desequilíbrio de quem insistia em usar saltos sem a necessária perícia, nos erros de escrita, no pó dos móveis, nos livros de cabeça para baixo em estantes, garrafas quase vazias na geladeira. Via migalhas de comida, sabia quem boicotava dieta, quem abusava no vinho ao almoço e quem tentava em vão deixar de fumar. Ia catalogando imperfeições. Vivia num infinito mundo de detalhes.

Em casa era o vizinho que satisfazia o seu desejo de erros alheios. Observava atentamente a roupa que ele deixava estendida no varal. Sabia que ele não separava a as peças brancas e que, por isso, tingia sempre as camisetas quando lavava as calças azul marinho. Via cuecas gastas demais. Daquelas que já pediam aposentadoria há alguns anos.

Até que um dia, ao contar as meias, ficou radiante quando viu que tinha um número ímpar de pés a secarem ao sol. Riu-se com descoberta. Primeiro por dentro, baixinho. Depois, mais gargalhou sozinha na janela. Foi para o trabalho a pensar onde estaria a meia fugitiva. Nem quis saber das migalhas, não fechou gavetas entreabertas, não reparou em sapatos gastos. O mundo lhe passou ao lado.

Estaria atrás do sofá? Perto daquela pipoca que ele inadvertidamente deixou cair? Ou teria caído debaixo da máquina da roupa sem que ele reparasse? E dormia mal, sem saber onde estava a meia figutiva. O vizinho nem parecia se importar, e era isso que a incomodava mais.

Decidiu que não podia viver nesse mistério. Tinha que saber. Reuniu uma dose pequena de coragem e outra maior de loucura. Entrou com facilidade no apartamento. Vasculhou. Resistiu ao impulso de cuidar louça por lavar e de arrumar copos em cima da mesa. Tinha um objetivo.

Ali, naquele pequeno ecossistema de erros alheios, esqueceu de anotar a única falha que lhe seria útil. Uma falha nos sistemas da empresa que fez com que o vizinho retornasse mais cedo a casa.

A cena foi dantesca. Ela ajoelhada com a cara enfiada debaixo do tapete da sala. Ele abria a porta. Ele encontrou-a em sua casa. Ela encontrou a meia por trás do sofá. Junto da pipoca. Ele gritou de susto. Ela gritou: "Achei"!

Claro que nenhuma desculpa foi suficiente para livrar-lhe de uma visita à delegacia. Mas, enquanto prestava depoimento, reparava que o delegado tinha o terrível hábito de roer as unhas...

sábado, 17 de julho de 2010

A maldição dos No Doubt

Essa semana, não sei bem a que propósito, eu me peguei lembrando os anos 90 e me deu uma vontade danada de ouvir músicas dessa década. Entre outras coisas, eu lembrei do meu primeiro beijo. Back in 1996. Beijo de língua, lembro perfeitamente.

Eu ia fazer treze anos e todas as minhas amigas tinham beijado, menos eu. Claro, eu era a mais nova da turma e não tinha peitinhos. Ok, não é que eles tenham crescido muito mais depois disso... Mas eu me sentia o verdadeiro patinho feio e aos 12 anos já fazia planos de ser uma empresária bem sucedida e não casar nunca.

Até que, na festa de aniversário de 15 anos da Claudiane um menino veio na minha direção e disse:

- O meu amigo quer conversar com você.

Podem rir, mas naquela época era assim que se fazia. O menino, quando estava interessado, mandava o amigo para dar o recado "botar você na fita dele". Aí eu fui, né? Desde pequena eu aprendi a não desperdiçar oportunidades.

Fomos para um canto da sala e eu beijei o cara. Ou ele me beijou. Nem sei. Mas a questão aqui nem é essa. Gente, estava tocando o "Don't Speak" dos No Doubt!

Essa música era o maior sucesso e eu, que não sabia chongas de inglês, achava que era a música mais romântica do mundo. Afinal tinha uma moça loura que cantava com uma voz chorosa e estava rodeada de homens. Isso só podia ser amor, certo?

Errado. Como eu vim a entender uns anos mais tarde, essa música é sobre um relacionamento que deu super errado e a voz chorosa é porque ela está triste de tudo estar terminando.

O pior é que foi ao som disso que eu dei o meu primeiro beijo!!! Não é que eu seja supersticiosa, afinal eu tenho um gato preto, mas ter o "Don't Speak" como música de primeiro beijo é pedir pelamordedeus para ter uma vida amorosa que se assemelhe a um acidente de viação.

Neste caso, o que me resta agora é fazer um blog e reclamar sobre isso.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Skinny Bitch

Que eu sou filha da Lei de Murphy e que eu vim ao mundo para ser piloto de teste dos bofescândalos mais bizarros que o Criador inventou, isso ninguém duvida.

Agora, a prova definitiva que a natureza me odeia é eu estar me matando pra fazer dieta, suando pra emagrecer cem gramas e ouvir o colega de trabalho declarar:

- Meu corpo está horrível. Desde que eu comecei a trabalhar aqui eu parei de fazer exercício, só como porcaria e emagreci 3 quilos.

Espera aí que eu vou ali cortar os pulsos e já venho.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Here, there and everywhere

- Nossa, que foto é essa na piscina?
- Foi de um fim de semana que eu passei. Num lugar entre o Alentejo e a Felicidade.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Homem com H

Antes de começar este texto, quero esclarecer que esta que vos escreve é uma pessoa desprovida de preconceitos relativos à cor, etnia e orientação sexual. Por isso, quero que vejam este post como a única coisa que ele pretende ser: um texto leve, de humor, sem qualquer intenção de ridicularizar qualquer pessoa ou grupo de pessoas.

Mais um dia de trabalho, mais uma vez o telefone toca. Eu limpo a garganta, tomo um Prozac e me preparo para fazer aquela voz de apresentadora de programa infantil.

De um lado, An@Lu. Do outro, uma voz feminina.

- Bom dia, fala An@Lu, posso ajudar?
- Oi Ana, eu queria saber o câmbio.
- Claro Senhora. Só um minutinho... Está X.
- Ah, tá bom, né? Olha, você pode ver uma coisa para mim? É que eu tive um probleminha de um envio que não chegou.
- Entendo. Estamos aqui para ajudar, Senhora. A senhora tem o recibo?
- Não tenho.
- Ok, não há problema. Como a senhora se chama?
- Silva de Sousa (nome fictício)
- E o primeiro nome, Senhora?
- João.

Ok, por esta eu não estava a espera.

Engoli em seco, sufoquei um risinho que queria nascer. Procurei o cliente no sistema. Voltei à linha meio sem jeito. Afinal, eu ia continuar chamando o João de "senhora"? E, claramente, ele não gostaria que eu o tratasse por "senhor". Lembrei que "você" não tem gênero e larguei o formalismo.

Entre um "você" para cá e outras estratégias para evitar palavras que denunciassem o sexo do cidadão, resolvi o problema. Para finalizar a conversa e numa perspectiva totalmente "client-oriented", perguntei:

- E quer uma cópia do recibo por e-mail?
- Vocês fazem isso?
- Sim, pode dar o seu endereço de e-mail?
- joanagostosa@xxx.com
- ok.
- Olha, e só mais uma coisa...
- Da próxima vez não precisa me chamar de senhora que envelhece. Pode me chamar só de Joana.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dieta da saudade

A saudade é um sentimento curioso. É, provavelmente, dos sentimentos mais urgentes que existem. Acho que todas as canções e poemas sobre saudade devem ter sido escritos nos primeiros dias da partida do ser amado.

Porque, convenhamos, saudade - essa palavra que só existe no nosso idioma - se esgota ao fim de um tempo. Essa dor tamanha, que parece que não vai passar nunca, também passa. E aí a gente passa só a sentir falta, quando lembra, de vez em quando. Por fim, a gente se acostuma com a ausência, que se torna presença constante. E vira lembrança. Às vezes doce, às vezes agri-doce.

É que nem fazer dieta. A gente pena nos primeiros tempos para se habituar a viver sem aquilo que (parece que) faz tanta falta. Depois se habitua à saladinha light, grelhados e só escorrega no açúcar vez por outra porque ninguém é de ferro.

Afinal, e todo nutricionista que se preze sabe disso, o segredo de uma vida amorosa saudável é evitar comer frituras e tudo o mais que faça mal ao coração.