terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Até 2009!

“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”
(Mário Quintana)

Quando eu estava na escola, eu lembro que uma das coisas que eu mais gostava era o começo do ano. Eu era nerd o suficiente para olhar para os livros antes das aulas terem começado e adorava aquela sensação de não entender nada, mas saber que no fim do ano eu iria compreender o que estava lá escrito.

Sempre amei inaugurar os cadernos novinhos em folha, o novo estojo, os lápis e as canetas por estrear. Tudo zero quilômetro esperando que eu desse os primeiros rabiscos.

Por isso o ano novo sempre teve esse gostinho especial de recomeço. De página em branco, de inauguração. 2009 é um caderno limpinho, pronto para que a gente comece a escrever.

Assim, o que eu desejo é que todos vejam 2009 com optimismo e com o espírito aberto que todo o novo ano merece ser encarado. Mas sem esquecer as lições dos anos anteriores.

E que, no fim, possamos olhar para trás e ver que as páginas de 2009 foram preenchidas com memórias, sorrisos, algumas lágrimas (faz parte), novos amigos, amores, superação, conquistas, fé, e assim ver tudo o que aprendemos em mais um ano.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Going Pink

"... O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo..."

(Legião Urbana - Eduardo e Mônica)

domingo, 28 de dezembro de 2008

3 memês da Mari

Quer dizer, na verdade são dois selinhos e um memê.

Os selinhos são esses aqui:



Obrigada Mari , mas o melhor de tudo são as tuas visitas! :)

Mas, além dos selinhos ela ainda me desafiou para um memê. Oito desejos no fim de 2008. Eu pensei que ia ser fácil, porque pedir é comigo mesmo. Mas é difícil escolher só 8 coisas entre um universo de pedidos. No fim, conseguir resumir tudo a isso aqui:

1- Que a distância entre Portugal e o Brasil fosse menor (e a passagem aérea beeeeem mais barata). Existe muita gente de quem eu gostaria de estar mais perto e ver mais vezes.

2- Que as pessoas que eu amo vivessem para sempre. Vovó ia dando um tremendo susto na gente neste Natal quando se engasgou com a comida. Sorte que a minha mãe se lembrou de fazer a tão falada manobra de Heimlich. Sério gente, isso funciona mesmo!

3- Ter uma empregada. Essa vida de Isaura me mata e empregada aqui é artigo de luxo.

4- Ir à Tomatina. Eu não conheço ninguém que se sinta remotamente atraído por ir à Valencia em pleno Agosto para a maior guerra de tomate do mundo. Mas eu juro que eu não morro sem ir à Tomatina pelo menos uma vez na vida.

5- Viajar muito. Grécia, República Tcheca, Austrália, Holanda, Marrocos, Egipto e tudo o mais que der parar conhecer. Por falar em viagem, já marquei as próximas férias!

6- Que o Cinderelo do post anterior não fosse embora. É, dia 6 de Janeiro está chegando e ele volta para os Estados Unidos. Eu não cheguei a falar: ele é norte-americano (Mas é limpinho, tá? Votou no Obama e tudo!).

7- Ganhar muito dinheiro de uma vez só, de modo a que eu pudesse trabalhar por prazer. Eu sou workaholic e, mesmo que tivesse muito dinheiro, não deixaria de trabalhar. Só que gostaria de trabalhar por prazer, em vez de por obrigação.

8- Hugh Jackman (precisa explicar?).

Por hoje a lista é essa. Se eu escrevesse esse post amanhã seria outra, porque eu mudo o que eu quero todos os dias.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Obrigada Papai Noel

Oi Papai Noel.

Esse ano eu decidi não escrever nenhuma cartinha com os meus pedidos. Afinal eu sei que até nem fui uma boa menina. Para começar eu sou advogada. Isso implica automaticamente que eu não sou tão gente boa assim.

Mas todo mundo tem defeitos, não é Santa? E acho que você conseguiu ver isso pelo lado positivo. Porque pelo menos eu estou ajudando quem precisa. Afinal o meu chefinho precisa de um BMW zerinho, eu preciso de um emprego e Estrela Regina precisa de um lar. Portanto, de certa forma, eu ajudo pessoas necessitadas.

E acho que foi pensando nisso que você mandou uns presentinhos bem bacanudos esse ano. Para começar foi o senhor que vende uns relógios maneiríssimos que fez um descontão e deixou eu pagar o Dolce e Gabana só no ano que vem. Depois teve o cabeleireiro, que me deu de presente uns cachinhos (é, eu não paguei nadinha) e me deixou com cara de comercial de shampoo. Assim ó:




De quebra ainda esbarrei com um ex casinho na rua assim, com esse cabelo divino e muitíssimo bem acompanhada. Foi o máximo, Papai Noel!

Mas olha, o que eu adorei mesmo foi que você abandonou a tradição dos presentes no sapatinho e deixou logo o Cinderelo inteiro na minha porta. Deve ter sido para compensar todos os "bem que podia ter dado certo" de 2008.

Porque de certa forma, quando a gente pede um cara alto, loiro e de olhos azuis, normalmente é só uma maneira de dizer. Mas esse ano você se superou e mandou o "the ultimate bofescândalo" diretinho para mim.



É, bom velhinho, você se superou dessa vez. Só faltava eu ter ficado com uma voz melhorzinha no vídeo, mas isso fica para o Natal de 2009.

Para esse ano não peço mais nada, porque do jeito que está, se melhorar estraga!

Obrigada Papai Noel!!!

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Peço desculpa pela falta de actualização, mas ultimamente tenho estado ocupada brincando com os presentes de Natal que eu ganhei. Sei que tenho memês e selinhos em atraso e vou correr atrás para cumprir tudo antes de 2009.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Bacalhau de Natal

Sabem aquelas coisas que você diz e só repara que saiu besteira quando o povo começa a rir da tua cara?

Como estamos perto do Natal teve um cliente que se lembrou de dar um bacalhau para o pessoal aqui do escritório. Como nós somos alguns, acabamos por dividir o dito cujo bacalhau e eu fiquei com um pedaço perto da cauda.

Até aí tudo bem. Só que eu mal sei cozinhar e achei que também não valia a pena levar um niquinho que bacalhau para a minha mãe fazer para uma família de sete pessoas. Por isso, quando um colega estava a falar em trocar o pedaço de bacalhau que lhe foi atribuído, eu - munida de generosidade e espírito natalício - disse:

- Por mim vocês podem ficar com a minha parte. Eu dou o rabo para quem quiser.

Para que fique bem claro eu me referia ao bacalhau. Só ao bacalhau!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Caiu a ficha

Só agora me toquei que faltam só 13 dias para o Natal!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Maldito Adão

Uma coisa horrível da Internet é a automedicação. Quem nunca procurou sintomas no oráculo Google que atire a primeira pedra.

Eu não sei se foi a maratona de Dr. House e Grey's Anatomy (sim, me rendi a essa série mulherzinha) que eu andei vendo, mas a verdade é que ainda ontem eu estava sentindo umas pontadas na zona do peito.

Agora, experimenta jogar no Google dor no peito pra ver o que dá! Sim, eu já estava me imaginando sendo operada pelo Dr. Burke com a sua mão trêmula e o House entrava a meio e dizia: "Pára tudo! É lupus sua mentirosa!!! Everybody lies!"



Não. Nunca é lúpus.

Mas a verdade é que a dor evouluiu para uma murrinha constante. Tipo aquela dorzinha de cabeça que não vai embora nunca. Claro que, com o nervoso de achar que o meu coração se tinha tornado numa bomba relógio, vieram também a falta de ar, os calafrios e as pernas bambas.

Vocês não me conhecem, mas eu sou do tipo que só vai ao hospital se alguma parte do corpo estiver separada do restante. E isso só porque eu não sei costurar. Senão era bem capaz de ser eu mesma a dar os pontos.

Porém, com o histórico de problemas de coração que a minha família tem, achei melhor não arriscar e acabei por ir ao hospital mesmo. Ainda estava à espera de encontrar lá o McSteamy. Nunca se sabe...

Como eu não tenho sorte nenhuma, fui atendida por uma médica espanhola. Com o seu sotaque de dubladora de filmes pornô ela me mandou ir fazer um raio-x e um electrocardiograma.

A verdade é que meu coração está bem. Segundo ela disse, eu não tenho lúpus (Viram? Nunca é lúpus), não estou enfartando, não tenho endocardite, não é auto-imune, nem nenhuma doença tropical, nem nada com um nome chiquerésimo em latim. Aliás, pasmem! Eu tenho um coração de atleta.

O que se passa é que uma costela resolveu inflamar no meu peito (adicione aqui qualquer verso brega sobre peito inchado e coração inflamado chamando por você, ou qualquer coisa do Wando), que faz pressão e parece que eu estou prestes a explodir. Os calafrios e pernas bambas eram só nervoso mesmo.

Putaquel, Sr. Adão! Na hora de distribuir as costelas você tinha que me dar logo a defeitousa?!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

No Santa, no lies

Eu fui daquelas crianças que chorou mundos e fundos quando descobriu que o Papai Noel não exisitia. E olha que eu descobri de um jeito tão bobo...

Foi em um Natal em que eu queria a Barbie cabeleireira (ou patinadora, ou qualquer outra Barbie que não vem ao caso). Só que essa boneca era a sensação do momento e esgotou nas lojas. Aí a minha mãe, se fazendo passar por Papai Noel, escreveu uma cartinha toda fofinha e colorida explicando que os duendes não conseguiram fazer a minha Barbie a tempo e, por isso, mandaram outra Barbie no lugar.

O problema é que eu reconheci a letra da minha mãe e, por muito que ela dissesse que a letra do Papai Noel era igualzinha à dela, eu comecei a chorar e deixei de falar com meus pais por algum tempo.

O que me fez chorar, e o que me põe de rastos até hoje, não é o facto de não existir um velho de roupas vermelhas que distribui presentes. É haver alguém que faz você acreditar que ele existe e te engana descaradamente.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Estrela (cadente)

Oi, muito prazer. Eu sou a Estrela Regina. Agora que a An@Lu ficou famosa ela disse que não tem tempo para postar naquele blog diarinho pós aborrecente. E como a fama subiu à cabeça, ela resolveu fazer como o Napoleão e tocou fogo na casa e nomeou a coelha (neste caso, eu) como sua assessora.

Por isso, hoje sou eu que transcrevo o texto que ela ditou. Estive dando uma lida nisso e sinceramente eu não sei o que vocês vêem aqui. Bando de historinha sem graça...

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Ontem foi o dia de aparecer na televisão. Sem ter que ir para o escritório de manhã cedinho, pus o despertador para as onze horas.

Às 9:20 o telefone toca. Um amigo do trabalho.
- Oi Zuquinha!
- Grunf... Humpf... Grrrrrr... Alô?!
- Eu te liguei para a gente ir tomar café mas você não estava. Aí lembrei que você não vinha ao escritório.
- E...?
- E mais nada. Te acordei?
- Grrrrrr... Sim.
- Ah, desculpa.

Voltei a dormir. Até o telefone tocar de novo. Dessa vez era a minha mãe.
- ANA, ONDE VOCÊ ESTÁ????!!!! VOCÊ AINDA ESTAVA DORMINDO????!!!!

Dei um pulo da cama e olhei para o relógio.
- Mãe... São cinco para as dez!!!! Não é para estar na tua casa só ao meio dia?!
- Mas você tem que vir logo!
- Eu não atraso. Fica descansada.

Dormi mais um pouquinho. Até a minha mãe ligar de novo:
- Mãe, ainda são dez e meia...
- Olha, eu vesti uma calça preta, com uma camisa preta, um brazer xadrez preto e branco e uma bota marrom. Você acha que está legal?
- Mãe... Você vai toda de preto e com sapato marrom???
- É, né?... Vou mudar.

Depois disso já não valia a pena dormir de novo. Ainda nem tinha aparecido na televisão e já estava odiando a vida de artista. Acho que preciso de uma assistente pessoal.

Chegamos no estúdio e fomos para a sala de espera para a maquiagem. Três quilos de base e uns cachinhos depois, eu saí de lá me sentindo a última cerveja gelada no deserto. Sabem...? Eu poderia me habituar a essa vida com muita facilidade. Sentar, fechar os olhos, ser maquiada, penteada e paparicada.

Depois ficamos ali na salinha de espera para a nossa vez, junto com as outras famílias. Tinha uma família de voluntários e uma de bombeiros. Meldels! Todos ali vestidinhos a rigor. Desde o bombeiro avô ao bofescândalo do bombeiro filho. E eu, que nem gosto de uniformes nem nada, fiquei logo imaginando uma série de duplos sentidos que incluíam apagar o fogo e segurar na mangueira.

A Raquel, assistente de produção, ficou o tempo todo cuidando da nossa família. Segundo ela o seu trabalho era fazer com que nós estivéssemos confortáveis e satisfeitos. É... Eu realmente podia me habituar a isso com muita facilidade. “Querem café?”, “Querem tirar o casaco?”, “Querem comer alguma coisa?”.

- Raquel, você pode me trazer uma coisa?
- Claro Ana!
- Então vai ali, pega telefone do bombeiro e traz pra mim.

A entrevista foi muito legal. Todos falaram um pouquinho e eu tive os meus 5 minutos de fama.

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Fala a verdade An@Lu! Você só queria mesmo era arrumar o cabelo!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Almost Famous

Porque uma pessoa é surpreendida em plena jornada de trabalho pela mãe no MSN.

- Oi, você vai fazer alguma coisa na quarta-feira à tarde?
- Hellooooo... Vou pra senzala. Quer dizer, escritório.
- Ahn, é que ligaram de um programa de televisão e querem que a gente vá lá. A família toda.
- COMÉQUIÉ?!

É pessoal, já não bastava a minha fama nas revistas, agora eu vou para a televisão. Porque a produtora desse programa viu a revista e achou a minha família super legal e, como estava faltando assunto, resolveu chamar a tchurma toda para uma entrevista ao vivo. Vai até rolar almoço grátis, cabelo e maquiagem. Eu sou chique, benhê!

Pra quem mora em Portugal, eu vou amanhã nas "Tardes da Júlia", na TVI... Ok, podem parar de rir agora.

Como eu estou tão lisa que não pego nem resfriado, a minha esperança é que a apresentadora goste tanto de mim que me convide pra ser protagonista de um daqueles programas de encontrar marido. Daqueles em que tem 12 caras bundões fazendo provas absurdas para mostrar o amor por mim.

Eu sei que depois de amanhã a minha vida vai mudar. Já estou me imaginando na ilha de Caras e os convites pra posar nua pra Playboy. Mas, como foi a família que me levou ao estrelato, já pensei em tudo. Vou fazer um sensaio sensual com a mamãe e as minhas duas vovós para o Papparazzo primeiro. Aí, depois, eu viro modelo-atriz-cantora-apresentadora e engravido do Steve Tyler. Sim, porque Mick Jagger é sooooo last season!

Agora eu vou ter que me habituar à fama e a essa coisa de sair sem calcinha e bêbada na rua. Difícil vai ser limpar o nome do meu padrasto depois do escândalo que ele der com os travestis no motel. Mas nada que não se cure adoptando crianças de países do terceiro mundo.

E, para os bofescândalos, fica o recado: eu autografo qualquer parte do corpo, desde que esteja limpinha, tsá?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Bodas de prata

Ontem eu fiz aniversário de namoro. Talvez vocês não saibam, mas é um relacionamento que eu já tenho há algum tempo. Tanto que ontem completou bodas de prata.

Mas nem tudo foram rosas. A gente nem sempre se deu bem. Até hoje tem dias que a gente acorda e não consegue nem se olhar.

Mas o bom dessas relações longas é o tempo. O tempo para conhecer as manias do outro, para aceitar os defeitos e para aprender a lidar com crises de mau humor.

Fomos ultrapassando barreiras e hoje podemos dizer que estamos bem e felizes, com aquela sensação de serenidade, de quem tem consciência de que ainda não deu todos os passos mas sabe que está no caminho certo.

E aprendemos a comemorar todos os dias e não só no nosso aniversário.

Parabéns An@Lu!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Oh, shit!!!

Era uma vez um cara que importou dois contentores lotados de "guano" até a borda e desapareceu no mundo.

Tudo bem, mas e daí?

E daí que, como eu sou filha da Lady Murphy, ele resolveu utilizar justamente a companhia que eu trabalho para o transporte da carga. Por isso, os dois contentores abandonados cheios de "guano" estão nas minhas mãos.

Mas peraí, quando eu falo em "guano" eu não estou me referindo à banda de rock. Nós não fazemos tráfico humano. Ainda. Para quem não sabe, guano é um fertilizante natural. Para ser mais específica, é cocô de morcego.

Agora vejam bem a minha situação. Estou entalada com os dois contentores, sem saber o que fazer com 50 mil quilos de bosta de morcego. Acho que seria uma boa hora para virar para o meu chefinho e dizer, sem medo de ser repreendida:

- Doutor, o que eu faço com esta merda toda?

Mas, como eu tenho uma coelha para sustentar, decidi não fazer essa pergunta e resolvi telefonar ao agente que fechou o negócio com o exportador. O cara tinha uma voz super sexy e falava com um sotaque britânico charmosíssimo.

Ele perguntou se aqui em Portugal poderia haver mais alguém interessado em comprar aquela mer...cadoria. Gente, é duro! Uma pessoa rala cinco anos numa faculdade para depois acabar vendendo cocô... Minha mãe deve estar orgulhosa!

Por isso, e no intuito de me livrar da merda, eu perguntei:

- You see... In order to search for a potential buyer, we need more technical details about the product and its chemical composition.
- Do you know what “guano” is, right?
- Sure, it is… (pausa para pensar numa maneira educada de dizer “cocô” em inglês).
- It is shit.
- Yes, from bats.
- It is bat shit.

Depois dessa eu não me aguentei. Juro que tentei segurar a gargalhada, mas lembrei do Batman, da Batcaverna, do Batmóvel... E agora.... a Batmerda.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Efêmero

Hoje eu me peguei pensando como tudo na vida pode mudar em segundos. Do nada, assim, de repente. Vinícius é que sabe.

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Para o Nando

Quando eu tinha uns 5 anos e estava na no C.A., eu tinha 3 melhores amigas. Cada uma delas tinha uma irmã mais nova e eu era filha única. Claro que me sentia desfuncional naquele grupo de meninas que reclamavam das irmãs que lhes roubavam as Barbies. Aí eu inventei de começar a pedir para a minha mãe me dar uma irmãzinha.

Eis que num um belo dia, lá nos finais de 1990, a minha mãe chegou em casa com uma criança nos braços. Era um menino. Tudo bem que as minhas amigas tinhas irmãs, mas um irmão já era melhor que nada. Eu fiquei toda empolgada com o bebê recém chegado. Mas a verdade que é que a empolgação foi só fogo de palha. Logo descobri que aquele ser desumano e chato não sabia fazer nada. Não brincava, não falava, só chorava e roubava as atenções que ao longo de 7 anos tinham sido exclusivamente minhas. Não demorou muito para passar a detestar essa história de ter um irmão e achar muito mais interessante ter um cachorrinho.

Só que, ao contrário do cachorrinho, não dava para abandonar o irmão no meio da estrada nem fingir que a gente tinha esquecido dele na mudança de casa. A criatura tinha vindo para ficar. E ficou. Tanto que hoje completa 18 anos.

Quando ele ainda cabia no meu colo


É engraçado ver como ele mudou ao longo do tempo. Deixou de ser um bebê chorão para ser um... Bem... Pensando melhor ele não mudou assim tanto... Brincadeirinha! Ele se tornou num cara super bacana, um dos 5 irmãos mais legais do planeta. Apesar de não falar muito, ele sabe falar a coisa certa no momento necessário. Dono um bom humor fenomenal, consegue ser sarcástico como ninguém e é o maior crítico desse blog.

Feliz aniversário Nando, espero que você aceite este post presente porque o conserto do carro realmente acabou com o meu orçamento deste mês!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Paula Cristina

Como os pais não conseguiram chegar a um acordo sobre um único nome, escolheram dois. Foi assim que nasceu Paula Cristina. Uma combinação horrível, ela sabia. Mas desde pequena aprendeu a lidar com a dualidade. Nunca soube se era mais Paula ou se era mais Cristina. Por isso habituou-se desde sempre a dar os dois nomes quando questionada sobre a sua identidade, mesmo nos dias em que estava mais inclinada a ser apenas um desses nomes.

Para a família da mãe era "Paulinha", para os avós paternos e primos, desde sempre ela era a "Cris". E oscilava entre personalidades conforme o nome que lhe atribuíam. Paulinha era determinada, Cris era mais tímida.

Com o divórcio dos pais a coisa complicou-se de vez. Assim, mãe não entendia porque o pai reclamava que ela era muito reservada. Este, por sua vez, achava estranho quando a mãe dizia que Paulinha estava de castigo por ter chegado de madrugada em casa. E enquanto um falava o outro abanava a cabeça sempre com o mesmo pensamento: "Mas a minha filha não é assim..."

É que nos fins de semana que passava com o pai, largava a pele de Paula para ser inteiramente Cristina. E Cristina gostava de MPB, sua cor preferida era azul e tinha uma certa inveja de Paula que era a filha preferida da sua mãe.

Paula era popular na escola. Adorava o cursinho de inglês e queria ser administradora de empresas. Não entendia a mania da Cristina de insistir em ter ursos de pelúcia no quarto.

Cristina não gostava do namorado da Paula. Sabotava alguns encontros ficando terrivelmente gripada nas sextas à noite. Como vingança, Paula colocava Cristina em situações embaraçosas, como ter que apresentar um trabalho em frente à turma toda.

Nesse seu mundo particular ela era sempre uma de cada vez. Daí que deixou todo mundo boquiaberto quando surtou num belo dia em que, ao ser repreendida pelo pai por uma nota baixa, ele disse num tom mais ríspido:

- Paula Cristina...

domingo, 16 de novembro de 2008

E vai rolar a festa...

Há umas duas semanas um amigo meu me deu um convite para ir a uma festa que ia ter em Lisboa. É claro que eu não recusei porque eu sou do tipo que, de graça, vale até injeção na testa.

Era uma festa temática, com dress code obrigatório:

- E que tipo de roupa que eu tenho que usar?
- No mínimo dos mínimos você tem que ir toda de preto. A partir daí vai até onde a tua libido deixar.
- Como assim?
- Você pode ir com qualquer roupa que seja adequada ao tema da festa.
- Que é...?
- Fetiches e BDSM.
(Ploft! Morri!)

Mas a curiosidade falou mais alto e eu intimei uma amiga a ir comigo. Manemmórta que eu ia sozinha na tal festa!!! Decidida a companhia, o passo seguinte era arrumar a roupa. Confesso que me diverti procurando no armário peças que cumprissem o dress code.

Botas, uma saia e um top. Mas, como roupa preta todo mundo tem, decidi dar uma incrementada na toilette e foi aí que comprei as tais luvas de cetim e arrematei com umas meia de rede. O toque final foi quando eu contei para uma colega de trabalho que achou super legal e basicamente me obrigou a pegar o sobretudo de couro dela emprestado.

Completamente vestida e maquiada saí de casa rezei para todos os santinhos para o meu carro não quebrar de novo. Imagina o que seria esperar o reboque vestida tipo "a dona da masmorra sadomasô"?! Ninguém merece, né?!

Ainda nem tínhamos passado na porta e eu já tinha tomado o susto da noite. 4 homens completamente vestidos com um macacão de latex (ou borracha, sei lá) preto com máscaras. Eu me assusto com isso, gente, juro! Agarrei na mão da minha amiga e disse:

- Não me deixa sozinha nem pra ir mijar, viu?

E parecia que eu tinha entrado num universo paralelo. Coleiras, grilhões, saltos altos, couro, latex, chicotes, espartilhos, algemas, máscaras. Fiquei me sentindo o ser humano mais banal do universo. Acho que não tive muito sucesso a esconder o meu espanto por ver aquilo tudo. A minha amiga por várias vezes me mandou fechar a boca e parar de olhar fixamente.

O ponto alto da noite foi quando um senhor, com idade para ser mais que meu pai, vestindo um cuecão de couro e umas correntes (juro!!!), chegou perto de mim e perguntou:

- Você é mais dominadora ou submissa?

E eu fiquei parada, boquiaberta e estarrecida, olhando para ele com cara de bunda até ele ir embora.

É como eu digo, pessoal: "a gente morre e não vê tudo".

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Blue Jeans

Toda mulher sabe o que é ter uma calça jeans no fundo do armário. Sim, essa mesmo.

Aquela calça que você usava há uns largos quilos atrás e que é tão velha que já saiu de moda e já voltou pelo menos umas três vezes.

Aquela que você nunca jogou fora na esperança (a última que morre) de voltar a caber um dia.

E é com a maior alegria que eu anuncio que a minha calça vai sair da obscuridade da gaveta e voltar a caminhar nesse mundão de meu Deus!!!

Eu até posso não estar cabendo em mim de tão contente mas, definitivamente, eu estou cabendo na calça!!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Rei Morto, Rei Posto

Portugal tem o Dom Sebastião, que é o rei que não morreu. Reza a lenda que ele sumiu no meio de uma batalha mas que irá regressar numa manhã (ou seria noite?!) de nevoeiro.

Eu tenho uma vocação especial para atrair os Sebastiões que andam por aí. Caras que somem assim do nada, sem mais nem menos. Não deixam nenhum sinal. Parece que evaporaram no tempo e no espaço. Aí numa bela manhã de nevoeiro resolvem voltar, também sem mais nem menos, para reclamar o trono.

Minha gente, como diz o ditado: "Rei morto, rei posto". E, além do mais, por aqui tem um feito um sol...

domingo, 9 de novembro de 2008

Vou de táxi... Cê sabe...

A minha mãe costuma dizer que gosta mais quando os filhos não ligam para ela. Parece coisa de mãe desnaturada, mas tem o seu quê de razão.

Eu sou do tipo que não ligo só para dizer que está tudo bem e mandar beijinhos. Portanto, quando num sábado à noite o telefone da minha mãe toca só quer dizer uma coisa: "Problemas". E foi assim que mal ela atendeu o telefone ontem ouviu uma voz trêmula do outro lado da linha:

- Manhêêêêêê... Meu carro quebrooooooooou!!! O que é que eu faaaaaaaaaaaço?

É pessoal, fiquei a pé ontem. Estava a caminho de um jantar com um bofescândalo e, depois de fazer uma curva, ouvi um barulhão vindo do pneu da frente do meu carro. A sorte é que eu ia devagarzinho porque se fosse mais rápido podia ter tido um acidente sério. Meu carro ficou mesmo desgovernado. Tive medo.

Consegui encostar à direita e saí do carro tremendo que nem vara verde para ver o que era, e tive a visão do inferno. O pneu estava intacto, só que estava virado num ângulo muito estranho e já não estava mais ligado ao carro. A roda saiu, minha gente!!!

Aí eu tive a reacção mais An@Lu do mundo: sentei na calçada e fiquei pensando "Ai meu Deus, e agora?" durante dez minutos. É um defeito meu, eu sempre tenho um momento de desespero antes de começar a pensar racionalmente.

Foi então que lembrei de ligar para a minha mãe. No alto dos meus quase 25 anos eu ainda me pego ligando para a mãe na hora do sufoco. É que eu nunca na minha vida tive um acidente, não fazia a mínima ideia do que era preciso fazer. Ela disse para eu ligar para a assistência em viagem da minha seguradora.

A seguradora foi impecável. Chamaram um reboque e um táxi pra me levar de volta pra casa e eu não paguei por nada.

Só tive o trabalho de ficar sentadinha na rua à espera do reboque por meia hora até me lembrar que eu podia sentar dentro do carro, e evitar aquele frio féladaputa. E quando chegou o tio do reboque ele olhou para o meu carro e depois olhou para mim com pena, como se estivesse pensando: "filha, isso vai te custar uma fortuna".

E rebocou o meu carrinho.

Agora amanhã é ligar para a seguradora e dizer o nome da oficina para eles irem deixar o meu carro e rezar para que não seja muito caro. Pelo sim pelo não já pus tudo à venda e a Estrela Regina vai ter que se começar a prostituir para colaborar com as despesas. E, se alguém aí conhecer uma oficina onde se pague com o corpo é favor deixar o endereço nos comentários.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Frio na coelhinha

Eu estou tão habituada a falar da "minha coelhinha" em duplo sentido que tem vezes que eu nem lembro que ela é um animal de verdade. Daí que eu tenha ficado bastante sobressaltada quando, a meio da manhã, recebi uma chamada de uma colega de trabalho.

- Alô?
- Olá Aninha, tudo bem? Olha, posso te fazer uma pergunta pessoal?
(Pausa dramática)
- ... Pode...
- Tu costumas cobrir a tua coelhinha quando vais dormir?
- O quêêêêê????? (Quase caí para o lado) M-Mas... Por quê você está perguntando isso????? (Voz de espanto)
- É que eu comprei um coelhinho para a minha irmã na loja de animais e queria saber se eles sentem frio à noite.
(Suspiro de alívio)
- Ah, claro! Não, não cubro porque eu deixo a minha coelhinha solta!

Estrela Regina é peludinha, por isso não sente frio!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Breakfast at Tiffany's

Toda mulher sabe que às vezes basta um salto alto ou um decote mais atrevido para a gente mudar humor e, às vezes, até de atitude.

Olha só o que um par de luvas estilo Audrey Hepburn fez comigo:

terça-feira, 4 de novembro de 2008

And the Oscar goes to...

Já há muito tempo que eu não ficava quase uma semana sem postar. Mas é que foi uma combinação explosiva de falta de tempo, de inspiração e uma TPM dos infernos (sim, isso foi um trocadilho com o post anterior).

Mas agora eu voltei, com uma coisa para contar. Só que essa história vai ter que ficar para o próximo post porque hoje é dia de eleger os melhores blogs de 2008. Sim, eu adoro todos. E, felizmente, cada vez há mais e melhores blogs. Fica até difícil acompanhar todos. Daí que eu estabeleci um critério: dessa vez só vou nomear para este selinho blogs que eu já conhecia desde o começo do ano e que continuo lendo.

Portanto, e sem mais enrolação... The Oscar goes to:

Outro Blog da Mary
Blog do Tyler
De analgésicos e Opióides
O Elemento Fogo
Pequeno Inventário

Ok, essa lista pode parecer um bocado "os suspeitos do costume". Mas, fazer o quê? Essa gente escreve bem até dizer chega!!!

Mas isso aqui não é só chegar e dar selinho não! Porque os nomeados do selinho também estão convidados a fazer um memê que a Mari Molina me passou.

A parada é a seguinte:

- Colocar uma foto individual sua: O próximo post vai ter foto, juro!
- Escolher uma banda: Chico Buarque (e ainda estou para conhecer uma mulher que resista aqueles olhos verdes...);
- Responder somente com títulos de canções da banda/artista escolhido (Isso é fácil. Ele tem música pra tudo e mais alguma coisa!);
- Escolher 4 pessoas que respondam ao desafio, sem esquecer de avisá-los;

1) És homem ou mulher?
Beatriz, Luísa, Sílvia, Angélica, Bárbara... Acho que sou essas mulheres todas...

2) Descreva-se:
Aquela Mulher, Morena dos Olhos de Água

3) O que as pessoas acham de ti?
Essa Moça tá Diferente...

4) Como descreves o teu último relacionamento:
Cotidiano

5) Descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado ou pretendente: Sem compromisso.

6) Onde querias estar agora?
Não Existe Pecado Ao Sul Do Equador

7) O que pensas a respeito do amor?
É tão simples...

8 ) Como é a tua vida?
Roda Viva

9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
O Meu Amor

10) Escreve uma frase sábia:
Vence na Vida quem diz Sim

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Joana D'Arc wannabe!

Este é um post psicografado. A pseudo-autora que vos fala caminhou ontem em direcção à luz. Eu explico. É que o meu chefinho, na sua infinita sabedoria, decidiu fazer uma simulação de incêndio na empresa para testar o novo plano de evacuação do prédio.

É claro que ele não avisou ninguém da simulação para manter o clima de realismo. Aí, por volta das 11:15 o alarme de incêndio começou a tocar.

Eu não sei qual seria a reacção de vocês, mas a minha foi bem simples: permaneci sentadinha trabalhando e resmungando do barulho. Eu e todo pessoal do segundo andar.

Até que, cansada daquele escarcéu no meu ouvido, e com o fogo de mentirinha comendo no edifício eu decidi tomar uma atitude. Levantei-me e perguntei para os meus adorados colegas de trabalho:

- Vocês se importam que eu feche a porta? É que o barulho desse alarme de incêndio está incomodando.

Foi assim que eu me tranquei dentro de um prédio em chamas e matei as senhoras da contabilidade, os recursos humanos e a administração.

Então, nessa altura de caminhar para a luz e de flashback da vida e coisa e tal, eu queria agradecer à Patrycia por esse selinho aqui:



Assim que eu reencarnar e tiver tempo (talvez no fim de semana) eu prometo que repasso e mostro pra vocês os meus favoritos de 2008.

Enquanto isso, fico aqui em cima de uma nuvenzinha paquerando um querubim bofescândalo e tentando descobrir se essa história de que os anjos não têm sexo é verdade ou não.

Na próxima vida eu conto!

domingo, 26 de outubro de 2008

Frango com cerveja for dummies

Eu não sou propriamente conhecida pelos meus dotes culinários. Tirando o meu arroz de microndas que sai sempre soltinho e numa boa consistência, não há nenhum prato que seja a minha especialidade.

Aliás, a minha comida sempre foi do estilo roleta russa. Pode ficar uma delícia, bem como pode ficar uma gororoba intragável. E as minhas visitas sabem disso. Daí que antes de provar um prato feito por mim há sempre aquele silêncio e um clima de suspense Hitchcockiano no ar.

Ontem não foi excepção. Resolvi experimentar uma receita recomendada por uma amiga e, para bem de todos e felicidade geral da nação, ficou divino! Por isso, como eu sou legal, deixo aqui a receitinha que é fácil e gostosa e dá para impressionar o bofescândalo.


Então é assim: Na véspera você pega uma vasilha grande e joga um pacotinho daquelas sopas de cebola em pó, um pacotinho de creme de leite, um pouco de alho moído, oréganos ou ervas aromáticas e uma cerveja (eu usei daquelas garrafinhas menores de 25cl). Mistura tudo até fazer uma papa. Aí joga uns pedaços de frango. Eu usei só coxas, mas acho que com outras partes também deve dar certo. Tape a vasilha com um pano e ponha na geladeira.

No dia do jantar ponha um pouco de azeite numa panela até cobrir o fundo, alho picado, um pouquinho de polpa de tomate, uma cebola picada e um pimentão picado (eu prefiro o pimentão vermelho). Se você não tem facas Ginsu e não consegue cortar a cebola bem miudinha, não se preocupe! Pode picar umas lascas grossas mesmo. Dá um ar rústico ao prato. Depois frita isso tudo, sem deixar de mexer que é para não grudar no fundo da panela. A isso chama-se refogado.

Quando o refogado estiver com aquele cheirinho de comida da vovó, jogue o frango junto com aquele molho todo na panela. Ponha um pouco de sal e mais um pouquinho de cerveja, mais ou menos meia garrafa.

Pegue no resto da cerveja e tome sentada no sofá enquanto espera a bagaça cozinhar. Demora mais ou menos um episódio do CSI. Durante os comerciais vá a cozinha conferir que a panela não explodiu e mexa um pouco. Quando acabar o capítulo, voilà, a comida estará pronta.


Imagem meramente ilustrativa. A dona do Blog não se responsabiliza se o frango de vocês não ficar com essa cara.


Se ficar gostoso, sirva com arroz branco e salada. Acompanhe com vinho tinto ou rosé e corra para o abraço.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Trabaia Fia!

Essa semana quase morri de tanto trabalhar. Sério, andei tão estressada que até perdi o apetite. O chato de quando a gente é assim meio gordinha (eufemismo detected) é que ninguém nunca nota que você anda comendo mal, acham sempre que é uma nova dieta...

Tive uma conversa séria com o chefe e disse que andava desmotivada. Ele prometeu que vai me dar mais apoio.

Apoio... O que eu queria mesmo era um aumento! Até porque está sobrando muito mês no fim do salário. E, para completar, no meio da minha crise financeira ainda me aparece a seguinte manchete do jornal era a seguinte:

"Tráfico humano rende mais de 20 milhões de Euros por dia."

Para onde eu mando o meu currículo?

domingo, 19 de outubro de 2008

Run, Forrest, run!!!

"Todo treinamento é antes de tudo um ato de fé."
(Franz Stamfl, técnico de Sir Roger Bannister)


Foi mesmo preciso muita fé para acreditar que eu ia correr 10Km. É nessa hora que eu fico pensando que eu tenho merda na cabeça. Só pode! Porque eu juro que eu não estava sob efeito de drogas quando fui, voluntariamente, me inscrever para essa prova...

Acabei descobrindo que corrida tem tudo a ver com estratégia. Tem gente que corre mais no começo para ganhar vantagem, tem gente que mantém um ritmo constante, tem gente que se esforça mais perto da meta.

Como é óbvio, eu também tinha o meu plano para completar a corrida. E era bem simples: cruzar a meta com as minhas próprias pernas e tentar não ter um AVC pelo caminho.

Para isso, resolvi usar a estratégia "Varig":



Fui assim, alternando corrida com caminhada. Quer dizer, bem mais caminhada que corrida. Até tinha bastante gente andando também. E, dentre os caminhantes, ia inclusive um homem que andando e dando palestra sobre religião. Quando eu o ultrapassei ele estava explicando por quê não se deve mastigar a hóstia.

Isso deve ter sido das últimas coisas que eu ouvi, antes do meu cérebro cair num estado letárgico tal que eu não ouvia, não via e não pensava em mais nada. Só sentia. Dor. MUITA!

Mas depois até a dor passou porque eu deixei de sentir as pernas.

Foi assim que, ao fim de 1:43:02 eu cruzei a meta. Se quisermos ser optimistas eu ainda fiquei na frente de duas mil pessoas. Mas, sendo realista, a verdade é que eu fiquei no 8469º lugar.

Foi duro. Mas, agora que acabou, eu só tenho um pensamento em mente:

Alguém aí tem dois pulmões e um par de pernas sobrando que me empreste?

sábado, 18 de outubro de 2008

Pensamentos desconexos

Amanhã é dia de correr 10 Kms. Por isso, esse talvez seja o último post do meu blog. Então resolvi fazer uma compilação de assuntos desconexos. Tipo flashback dos últimos tempos, sacou?

Sempre que eu estou vestindo o meu kimono, fico ouvindo mentalmente aquela música "eye of the tiger" em modo repeat. Me sinto o próprio Rocky Balboa se preparando para o combate.

Uma noite dessas sonhei que me juntava aos vigilantes do peso. Acho que foi culpa reprimida por ter jantado no Mac Donald's.

O lado curioso das minhas manchas roxas, fruto do jiu jitsu, é ver a cara das pessoas que não me conhecem. Olham para mim com ar de quem pensa: "Coitadinha... Essa aí apanha em casa...".

E corre à boca pequena que meu cabelo liso é chapinha. Inveja é uma merda!

O exercício físico finalmente está começando a compensar. Já tenho musculoszinhos no braço. O problema é a camada de gordura que ainda cobre tudo isso.

Essa semana comprei um Breitling falsificado. A imitação é mesmo muito boa, mesmo pra quem entende de relógios. Só dá para saber que é falso por um motivo: porque está no meu pulso. Sim, porque se eu tivesse quatro mil euros sobrando eu definitivmente não ia gastar num relógio.

Por último, quase morri de tanto rir quando um colega de trabalho disse, com toda cara de bad boy, que tinha começado a praticar uma nova arte marcial: Krav Macgyver.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

De repente 30

Eu vi esse teste no blog da Gabi aqui e resolvi fazer também. Caraca, descobri que eu sou incrivelmente madura!!!




You Act Like You Are 30 Years Old



You are a thirty-something at heart. You've had a taste of success and true love, but you want more!

You're responsible, wise, and have enough experience to understand a lot of the world.



You're at the point in your life where you understand yourself pretty well.

You are figuring out what you want... and how to get it!



... E ainda estou decidindo se isso é bom ou é mau...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Je ne regrette rien...

Nem acredito que vou ter que trabalhar amanhã... Eu vou morrer de saudades de Paris. É uma cidade deliciosa, onde a gente tem a oportunidade de ver ao vivo certas coisas que, até então, apenas povoavam os nossos livros de História.

Paris tem um ambiente bucólico e boêmio. Mas não adianta ficar com cara de admiração pela cidade. Se você perguntar a um parisiense se ele gosta de alguma coisa, ele vai responder: "C'est pas mal". O povo francês nunca demonstra exaltação com nada. Não é coisa de gente inteligente.

Por isso eu fui obrigada a desenvolver um ar blasé. Para quem não sabe o que significa, eu explico. É aquela cara que você faz quando está em algum lugar fechado, sente um cheiro estranho e pensa "alguém peidou aqui".

E, só porque eu sou legal, deixo aqui para vocês uma pequena amostra da cidade. Aproveitem!

domingo, 12 de outubro de 2008

Feliz dia das Criancas

Quando eu estou viajando os dias parecem sempre iguais. E gostoso perder a nocao do dia da semana em que estou. Por isso, foi engracado olhar para o meu bilhete da Eurodisney e ver que, por coincidencia, passei o dia das criancas nesse paraiso infantil.

Mas, nao sei se foi por estar de ressaca, se foi por ter ido sozinha, se foi pelas filas enoooooormes para os brinquedos ou se foi mesmo so porque eu deixei de ser crianca que eu nao achei a Eurodisney la essas coisas. Claro que eu adorei, mas estava a espera daquele "toque de magica" que acabou por nao existir.

Acho que amadureci, sei la. Ja nao sou mais aquela criancinha cujos olhos brilham quando ve o Mickey. Talvez tenha sido por isso que eu consegui manter o meu ar blase (que eu acabei de adquirir em Paris) durante a parada dos personagens. E ate mantive toda a minha pose quando quase atropelei tres menininhas e um anao da Branca de Neve para ir correndo abracar o Pato Donald.

E nao e que eu ate consegui uma fotografia?!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Corre Bino! É uma cilada!!!

Isso que dizem do esporte fazer bem à auto estima de uma pessoa é bem verdade. Porque desde que eu comecei a praticar jiu jitsu eu ando me achando a rainha da boa disposição. Aí, numa tentativa insana de participar numa prova de superação, me inscrevi numa corrida que vai ter aqui em Lisboa.

10 Kms. Dez qui-lô-me-tros. 1/4 de maratona.

Tá. Beleza. Eu nunca tentei correr essa distância, mas parti de um raciocínio que me pareceu muito lógico: Ora, se eu consigo passar duas horas e meia me arrastando em baixo e em cima de bofescânalos e, se eu consigo fazer isso três vezes por semana, então correr dez quilômetros é sopa no mel! Tanto que no aquecimento até tem uma corridinha e tudo...

Parece muito lógico. Sem dúvida. É a mesma coisa que assumir que um halterofilista consegue fazer um twist duplo carpado só porque ele pratica esporte. Elementar, minha cara An@Lu.

Daí que eu, toda empolgada, resolvi treinar pelo menos uma vez antes da corrida. E o treino foi hoje. Saí de casa de peito aberto e com a minha pochete indie fashion que lembra o cinto de utilidades do Batman. Eu estava me sentindo o Michael Phelps do asfalto. Liguei o Mp3. Beatles. Ensaiei a corridinha.

Oh dear God, why me???

Aos cem metros, ao som de "Yesterday", eu já estava botando os pulmões pra fora. Ok, decidi que ia traçar objectivos menores. Correr até aquela árvore, depois até ao poste, e assim por diante. E isso enquanto ia tendo um mini enfarto a cada cinco passadas.

Gente, eu não sei de onde eu fui desencantar essa ideia de correr 10 Kms. Sei lá, acho que é uma tendência suicida que eu tenho. Mas, o que vale, é que eu vou para o buraco mas não vou sozinha. Consegui fazer um montão de futuros ex amigos alinharem nessa ideia de acordar num domingo de manhã e ir correr na rua. Então é melhor eu poupar o meu fôlego, porque quando eles perceberem a furada onde eu os enfiei... Aí eu vou precisar correr!!!

domingo, 5 de outubro de 2008

La vie en rose

Na semana passada meu blog não esteve para muitas palavras. A verdade é que foi uma semana bem basiquinha.

Ontem cortei o cabelo e detestei. Não é que tenha ficado muito diferente, mas odeio aqueles cabeleireiros que não entendem o signficado de "só (a cabecinha) as pontinhas". Eu estava tendo um trabalhão deixando essa bagaça crescer...

Mas, mudando de assunto, a verdade é que estou em contagem regressiva para as minhas férias. Vou deixar Lisboa por uma semaninha porque na quarta feira estarei voando para esse lugar aqui:

Au Revoir!!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

:-)

Meu dia hoje começou com um gatinho perdido na varanda e terminou com um gatão (re)encontrado num restaurante.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Conta Comigo

Gente, descobri essa montagem fantástica no Youtube. Espero que vocês curtam também!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Rapidinha de Ohio

Amiga chata: Ahhh... Tou sem ideia do que fazer no fim de semana... Queria ir para um lugar legal...

An@Lu: Porque você não vai para Ohio?

Amiga chata:
Ohio nos Estado Unidos?

An@Lu: Não. O raio que te parta!

domingo, 28 de setembro de 2008

Há braços

Às vezes eu queria abraçar o mundo...

http://www.free-hugs.com/


"Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura..."
(Alberto Caeiro)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Gosto de Português

Eu gosto de textos pequenos, porque o importante nunca foi falar muito, mas sim falar bem.

Aprecio pausas dramáticas dentro do texto. Gosto de vírgulas, reticências... e exclamações! Gosto de pontos. Não que eu eu tenha verdades absolutas, mas porque tenho as ideias bem assentes. Interrogações me deixam na dúvida e travessões são muito acusadores.

Gosto de superlativos exageradíssimos. Daqueles que a gente enche a boca para saborear todas as sílabas. E adoro começar frases com conjunções. E fazer frases curtas. E repetir as conjunções, para dar aquela ideia de que as frases se atropelam.

Ah, e como eu adoro uma interjeição!!! Daí que eu goste também de algumas locuções prepositivas. Brinco com os artigos. Indefino uns e outros para dar a ideia de imprecisão.

Prefiro substantivos. Sempre achei que os adjectivos são muito parciais. Grande, pequeno, gordo, magro, frio e quente... É uma questão de opinião.

Por falar em opinião, agradam-me mais as palavras simples. Porque estão ao alcance de todos, e porque o que eu quero é ser entendida. Falar difícil não é sinónimo de falar bonito.

Por isso que eu abomino alguns "pros". Prolixos, prosaicos, profetas, protocolares e proverbiais. Ô gentinha irritante! São tão irritantes como aquelas pessoas que roubam as minhas metáforas.

E quase tão cruéis como aqueles que, com a língua, assassinam a língua.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Mandando Recado

Não. Você já não faz parte da minha vida. E é assim porque você quis. Eu bem que pedi para você ficar. Mais do que uma vez. Mas não...! Você saiu batendo a porta com o seu jeito altivo e exigente.

Por isso eu não te aceito de volta. Não aceito que você apareça do nada, como se eu tivesse que ficar em “stand-by” à tua espera. A vida passa, as pessoas passam. E você passou. Lamento, mas eu não tenho um botão de pausa e nem você tem o controle remoto da minha vida.

Não aceito os teus ciúmes, o teu remorso, muito menos o teu carinho. Não aceito que você venha bagunçar a minha paz conseguida a duras penas.

O nosso rolo, pretenso namoro ou amizade não estão e nem vão voltar ao ponto exacto onde você deixou. Não dá para retomar tudo como se você nunca tivesse dito “adeus”. Não é assim que funciona.

E, se quiser entrar de novo na minha vida, tem que ser pra valer. Já chega de fazer “test-drive” comigo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A minha voz continua a mesma…

Daí que a minha empresa ia fazer um jantar para os clientes e a gente tinha que ir também. E toda mulher sabe que nunca se deve cortar o cabelo ou fazer experiências malucas com a pele na véspera de uma festa ou acontecimento social. Muito menos no próprio dia. Tá, mas eu não fui avisada disso e embarquei na conversa da minha manicure.

- Você não vai arranjar o cabelo para o jantar?
- Não, pra quê? Meu cabelo já é tão lisinho, tão arrumadinho...
- Se o teu cabelo é liso, então por que você não faz uns cachos? Pra ficar diferente, sabe?

E eu, que tanto me gabo de ter um bom vocabulário, nem reparei que diferente não é sinónimo de “bom”. Diferente pode ser mau. Pode ser muito mau. Mas, como tenho um sexto sentido nulo, aceitei o conselho da manicure.

- Tá bem, Val, manda ver.
- Vai ficar lindo, pode apostar!

E começou o puxa daqui, estica, encolhe, enrola ali, esquenta acolá, joga laquê e... Tcharan!!!

DE-TES-TEI!!!

O cabelo estava suuuper volumoso, no melhor estilo “diva de hollywood assustada”. Se o meu cabelo fosse azul, eu diria que tinha me transformado na Marge Simpson. Nem tinha coragem de voltar para o escritório com aquele penteado. Ela viu a minha cara de pânico e disse:

- Calma. O cabelo vai baixar...
- Você jura?
- Se não diminuir em uma hora você volta e a gente conserta.

E é claro que a história seria muito mais engraçada se o meu cabelo tivesse ficado um cocôzão, mas não... Ficou lindo!!! Porque, apesar dos 4 tubos de laquê que ela gastou comigo, o negócio realmente abaixou. Acabei ficando uns canudinhos fofos, aqueles cachinhos que você puxa e eles encolhem e fazer toin oin oin! Parece cabelo de comercial de shampoo, uma belezura só! Super combinou comigo, é como se eu tivesse nascido assim.

Agora nem quero saber, vou sair por aí batendo cabelo e mijogando. Ah, e para preservar o penteado não vou lavar a cabeça nos próximos 3 meses.

Se virem com o cheiro!

UPDATE: Para quem ficou curioso, olha aí o resultado!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

WTF?!?!

Enquanto isso no meu orkut...

Sorte de hoje: Hoje você vai ver um biscoito da sorte que nunca viu antes


Alguém me explica que porcaria de sorte é essa??? Porque é assim: biscoito diferente tudo bem, mas não me inventem de queimar a rosquinha, tsá?!

sábado, 13 de setembro de 2008

Assim dói...

Outro dia eu descobri (literalmente) na pele o significado de uma contratura muscular.

Para quem nunca teve esse prazer, eu explico o que é. Para começar trata-se de uma lesão. Quer dizer que o músculo contraiu tanto que agora não relaxa. Aí, fica pressionando o tendão. Por outras palavras: dói pra caraleo!!!

Resultado: estou tomando relaxante muscular para as dores, suplemento de magnésio para evitar caimbras e pomadinha para as manchas roxas no corpo.

Nem precisa dizer que isso é resultado do jiu jitsu, não é? Merda! Eu devia ter aprendido a bordar...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Happy B-Day to... Who?

Há uns tempos atrás eu tive uma conversa com alguém que começou assim:

- Que dia você faz aniversário?
- 11 de Setembro.
- Olha, eu sou péssima para lembrar datas, mas acho que esse dia é meio difícil esquecer...

E é verdade, eu não esqueci o dia. Mas... Vocês acreditam que eu já não faço a mínima ideia de quem foi que teve essa conversa comigo?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dois pecados num post só

Hoje vou fazer uma confissão: eu morro de inveja das pessoas que correm na praia e praticam esportes ao ar livre. Sério!

É porque no fundo eu acho o máximo essa gente que tem auto-disciplina suficiente para se obrigar a praticar exercício. Eu não sou nada assim. Antes de me inscrever no jiu jitsu eu comprei uns patins em linha, para ir andar na ciclovia. Nas duas primeiras semanas foi divertido. Até levei os meus irmãos e tudo. Mas foi só fogo de palha.

Cheguei a pegar uma bicicleta ergométrica emprestada da minha mãe. Essa bicicleta tinha virado cabide na casa dela e, em semana e meia, também virou cabide aqui.

Não adianta, eu não consigo ter força de vontade para manter o ritmo de exercício sem ninguém mandando em mim. Por isso eu tenho que fazer um esporte de grupo. E mesmo no jiu jitsu eu enrolo pra caramba. Se é segunda-feira eu reclamo que o professor tem que pegar leve porque ainda tenho uma semana inteira de trabalho pela frente. Na quarta, eu reclamo que é meio da semana e dá preguiça. Já na sexta a desculpa para a "embromation" é que eu tenho cansaço acumulado.

Outro dia eu dei a desculpa mais esfarrapada do mundo para não fazer flexões:

- Ah, Kiko... É que peito é gordura e, se flexão acaba com a gordura no peito, eu que já não tenho muito vou ficar sem nada!!!

Como o professor viu que eu sou um caso perdido no que toca às desculpas, ele adoptou uma estratégia diferente. Resolveu criar o ódio da turma contra o meu ser pachorrento. Agora, por cada flexão que eu não fizer, o pessoal tem que fazer mais 10.

Acho que não vou fazer muitos amigos desse jeito...

domingo, 7 de setembro de 2008

Boa viagem

J.,

Você não quis que eu te acompanhasse nessa viagem. Mas você é distraído e se desorienta com facilidade. Por isso, se você se perder nessa floresta de gente, que a gente chama de cidade grande, eu prometo que vou te procurar.

A não ser que você não queira. Você continua gostando de se perder por aí, não é? Mas se não for para ir atrás de você, então avisa. Deixa de jogar migalhas pelo caminho. Porque, se eu não tiver um trilho para seguir, eu posso parar de procurar. Se eu não enxergar os pedacinhos de pão pela estrada, eu posso me enganar fingindo que foram os passarinhos que comeram tudo e... Oh, que azar!... Te perdi para sempre. E que foi tudo culpa do acaso. Mesmo tendo a certeza de que você não quis ser encontrado e que as migalhas não foram deixadas de propósito. Prometo fingir que não sei que você se perdeu de mim porque não quis mais que eu te procurasse.

Porque eu ia te encontrar de qualquer jeito. Eu sei para onde você vai. Sei também que no caminho tem uma casinha feita de doces onde você vai parar. Eu te conheço tão bem que sei que você não vai resistir à tentação. E sabe, me disseram que lá tem uma bruxa e eu sei que vou querer te poupar do perigo. Eu me conheço o suficiente para saber que vou ficar mordendo o travesseiro e me segurando para não gritar: “Não entra aí, é perigoso!”. Afinal você sempre contou com a minha mão para te guiar no meio da multidão.

Mas dessa vez você quis seguir sozinho. Pode ser que assim você escreva uma nova história.

Boa viagem,
M.


"Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?"
Chico Buarque

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Boca fechada não entra mosca

Eu sou o tipo de pessoa que, quando vê a vida calma e tranquila, resolve dar um tiro no pé para animar as coisas.

Sim, porque eu quis ser "proactiva" e inventei um procedimento no escritório para evitar um erro que vinha acontecendo com alguma frequência. Meu chefe achou uma belezura. Ficou todo contente. E, quando ele fica feliz, me dá um aumento... de trabalho!

É, porque ele disse que agora eu tenho que preparar uma comunicação para os clientes informando do novo procedimento. Ah, e tenho que responder às dúvidas sobre a porcaria do tal procedimento. Mais: ainda tenho que dar formação sobre essa merda de procedimento que eu inventei. E o melhor, e tenho que dar essa formação nos escritórios de Lisboa e do Porto.

Mifu!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Rapidinha da Sangria

Existe frase mais sábia do que aquela "In vino veritas"? Para quem não sabe latim, quer dizer que a verdade está no vinho. Mas também é extensível para a Tequila, Caipirinha e Vodka. Porque um belo dia, na hora do almoço, você se pega bebendo sangria com os colegas e ouve a seguinte pérola:

Sabe que eu detesto aquele barulho de barriga se estapeando na hora do sexo?! É porque parece que tem mais alguém assistindo e, como está gostando, até bate palmas!!!

Nem vou contar quem fui que falei isso.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Músicas para que te quero

Vocês sabem se breguice é coisa que se pega? É porque eu não sei se foi de encontrar Joelma e Chimbinha no shopping, mas a verdade é que nos dois últimos dias tem uma música que não sai da minha cabeça. Eu vou botar aqui o refrão e vocês cantam comigo, tá?

Na sua boca eu viro fruta, chupa que é de uva,
Chupa, chupa, chupa que é de uva!


Gente, isso não é música, é encosto!!! Para me redimir com os meus queridos leitores vou deixar aqui uma boa dica musical (e juro que não estou brincando!).

Existe uma série de CDs que se chama “The NYC Series” que reúne músicas conhecidas de vários artistas, repaginadas em ritmo de Jazz e Bossa Nova. Todos são bons, mas o meu preferido é o “Jazz and 80’s vol II”. Esse CD tem clássicos como “Billie Jean” e “Material Girl” em versão Jazz. E para mim, a melhor música é essa aqui:



Na boa, isso combina com vinho, luz de velas e um bofescândalo clássico, daquele tipo que usa camisa social e calça bege.

Aí, empolgada por essas versões, eu resolvi fazer a minha própria versão de uma música dos Pink Floyd. É que eu descobri que tem um famoso poema cujo ritmo encaixa perfeitamente naquele clássico “Another Brick in the Wall”. Como eu não sei cantar nem tocar nenhum instrumento musical não deu para botar aqui a minha versão. Por isso vou ter mesmo apelar para a imaginação de vocês. Portanto, está aqui embaixo o vídeo para pegar o ritmo e depois a letra, para encaixar e cantar junto:



Batatinha quando nasce...
Se esparrama pelo chão.
Meu amor quando se deita...
Põe a mão no coração.

Hey menina!! Mão no coração!

Afinal é só mais... uma batata no chão...


Estou procurando uma banda para gravar essa versão. Alguém se habilita?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Volta pro mar, oferenda!

Eu estava entrando no shopping e dei de cara com um casal super brega e tive aquela sensação de "deja vu". Tinha a certeza que eu conhecia aquele mau gosto de algum lugar.

Foi aí que eu lembrei:

- Calypsoooooooooooooooooooo!!!!!



Sucesso no Pará. no Pará!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Judia de mim!

É definitivo. Durante os últimos três dias fui tão mimada que, de hoje em diante, qualquer futuro namorado vai ter que se esforçar muito para me agradar. Porque estava eu aqui achando que o cavalheirismo tinha sumido da face da terra e foi preciso vir um cara de Israel para me mostrar o contrário.

Gente, ele chegou no sábado e me trouxe flores! FLO-RES!!! Não, e não foram rosas vermelhas, tipo clichê. Ele trouxe uns lírios cor de rosa num arranjo lindo. Depois me deu uns incensos de alfazema super cheirosos, directamente vindos de Israel. IN-CEN-SOS!!!

Mas até aí tudo bem. Ele estava hospedado na minha casa de graça, normal que mostrasse alguma gratidão através de presentinhos fofos. Mas daí a acordar mais cedo para ir à padaria comprar café da manhã para nós dois... E hoje não só trouxe o café da manhã como comprou uma mousse de chocolate para eu levar para o trabalho e comer de sobremesa. Porque ele queria que eu tivesse uma segunda-feira doce... Pode uma coisa dessas?!

E por falar em doce, todos os dias ele chegou aqui com um docinho pra mim. Ainda bem que ele vai embora amanhã, porque senão em um mês nem com todo o jiu jitsu do mundo eu ia caber dentro das minhas calças jeans.

Como se não bastasse isso tudo, ele viu que eu adorei os incensos e comprou mais numa lojinha em Lisboa. E comprou umas velas com cheirinho de morango também. Mas o melhor mesmo foi ele trazer uma cenourinha para Estrela Regina, com um lacinho vermelho em volta. Óun!

E eu poderia ficar hooooras falando de todos os assuntos que nós conversamos. Perguntei sobre o dia-a-dia em Tel Aviv, costumes judaicos, o medo de ataques terroristas, o ressentimento em relação ao Holocausto e tudo aquilo que a gente vê nas notícias ou ouve falar sobre o povo de Israel. Satisfiz toda a minha curiosidade sobre os judeus, sobre o conflito com os árabes e a relação com os cristãos. Ele respondeu com a maior paciência, sinceridade e sem qualquer tabu.

Sério pessoal, estou a dois passos de me converter e sair cantando Naguila Hava pelas ruas de Jerusalém.


Mazel Tov!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O petit gateau e a dúvida cruel

A minha ideia inicial era botar aqui uma enquete perguntando se eu devia ligar para ele ou não. Mas eu acho que eu já conheço um pouquinho sobre os meus (seis) leitores para saber que eles iam mandar eu ligar. É, eu sei que vocês gostam de ver o circo pegar fogo mesmo, não é?

Eu explico, é que eu conheci um cara que conseguiu a façanha de me deixar sem palavras. E mais: inverteu completamente as regras do jogo e deixou a bola do meu lado, para eu decidir se dou ou não o pontapé inicial.

Pois é, era para ser um simples almoço com mais duas amigas até que o bofescândalo do gerente do restaurante resolveu virar tudo do avesso. Jovem mas já grisalho (ai ai...), olhos azuis, duas tatuagens e com um bom humor sensacional. É, isso tudo estava servindo a nossa mesa. O meu gaydar apitou logo.

Para começar a gente pediu um café (para a ressaca) e ele perguntou se não queríamos umas gotinhas de limão no café, que era tiro e queda para acordar. E foi mesmo! De maneira nenhuma que esse homem charmoso e inteligente e engraçado poderia ser também hetero. Depois pedimos picanha e, quando ele veio recolher os pratos, reclamou porque eu nem toquei nas batatas fritas.

- Eu não ligo para batatas fritas.
- Quem não gosta de batatas fritas não merece o ar que respira.

E piscou o olho. Aí contou uma história sobre uma ex namorada e um jantar. Tá! Ex namorada my ass!!! Se fosse ex namorado eu até acreditaria...

- E o que vocês vão querer de sobremesa?
- Nada. (falaram as três vozes da dieta em coro)
- Ah, mas tem ali um petit-gateu...

Para mim essa foi a prova decisiva. Nenhum heterossexual gostosão que se preze faz a mínima ideia sobre o que é um petit-gateu. Muito menos sabe qual o efeito que aquele bolo de chocolate com chocolate derretido por dentro tem nas mulheres. Meus olhinhos brilharam e eu disse logo que sim. Dispensar um petit-gateu é um crime federal mas, ainda assim, as minhas outras duas amigas arrumaram forças e permaneceram fiéis à dieta.

Ele foi buscar e voltou com os olhos baixos.

- Eu peço imensa desculpa, mas o petit-gateu acabou.
- Como assim??!! Mas agora eu fiquei com desejo!!!

Eu juro que eu não queria, mas essa resposta saiu com muito ressentimento. Acho que até lacrimejei um pouco. Eu não sei se ele ficou com dó ou se só achou que eu era maluca, mas respondeu:

- Calma! Olha, tem um brownie...
- Mas um brownie não me satisfaz completamente... (caí em mim e disse isso com um ar sacana)
- Vamos combinar assim: eu trago o brownie e, se não satisfizer, eu te dou outra coisa.

Aceitei. Comi o brownie que até estava gostosinho. Não era um petit gateau mas quebrou o galho.

- Então, o brownie satisfez?
- Sim, estava bom.
- Então olha, tens aqui o meu cartão com o meu número. Quando não tiver petit-gateau por perto e brownie não satisfizer...

... E foi aí que eu fiquei sem saber o que dizer, segurando o cartãozinho com o nome e o número do celular dele que nem uma idiota. Com muito custo esbocei um "obrigada".

"Obrigada". Mas que porra de resposta é essa?! Para começar tenho que ajustar o gaydar que, obviamente, não está a funcionar bem. E, segundo, agora tenho o telefone dele. Ele não tem o meu. Não costuma ser assim!!! Quem dá o telefone e sai correndo sou eu! É de admirar a atitude do sujeito, mas agora sou eu quem tem que decidir se liga ou não. Foo-del!

Ai gente, peraí que eu vou ali buscar uma parada que caiu e já volto: o meu queixo!

Daddy's little girl

Eu sempre esqueço que o dia dos pais no Brasil se comemora em Agosto porque aqui em Portugal é em Março. Mas, mesmo estando (muito) atrasada na data, fica aqui a minha lembrança para o cara que tem o abraço mais gostoso do universo e que, quando eu era criança, eu jurava que a cara do Maurício Mattar: o meu pai.

1988


2008

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sósia perfeita

Eu sempre me perguntei se eu parecia com alguém famoso. E a resposta sempre foi não. Até hoje, quando descobri que sou tal e qual essa menininha aqui:



Ora vejamos: dentuça, gordinha, adora vermelho, tem um coelhinho e bate nos meninos. Bingo!

domingo, 17 de agosto de 2008

Diálogos da Semana

Professor de Jiu Jitsu e eu:

- An@Lu, quanto você pesa?
- Kiko!!! Isso não se pergunta a uma mulher!
- É que eu preciso saber.
- Pra quê?
- Para saber a sua categoria.
- ???
- Sim, para te inscrever no campeonato.
(Morri!)

Amiga e eu:

- An@Lu, onde você vai levar o teu amigo israelita?
- Ah, tava pensando em ir com ele ao Tuareg, queres ir com a gente?
- Esse não é aquele bar árabe?
- É...
- Você vai levar um israelita num bar árabe?
- Ooops...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Beijing Beijing, Pau Pau

Gente, esqueceram de avisar a Tia Geórgia que é feio começar uma guerra com a Tia Ossétia em plena época de Olimpíadas!

Porque vocês sabem como funcionam os jogos olímpicos, não é? Todos os povos se juntam numa única competição munidos de um espírito de paz e confraternização, blá blá blá whiskas sachê. Tipo a família da Angelina Jolie, sacou?

E a união entre os povos é tanta que eles chegam a competir todos pela mesma bandeira: a dos Estados Unidos. Ahn? Não entenderam do que eu estou falando? Então dá uma olhadinha na equipe norte americana de ginástica olímpica:

The US Green Card Team



Atenção mexicanos, cubanos e haitianos (para não falar nos brasileiros, claro!), está na hora de cruzarem a fronteira! Pode ser nadando ou então correndo e fugindo dos tiros dos yankees. O que vale é dar o máximo. Assim, quem sabe vocês não são selecionados para alinhar pelo Tio Sam nas Olimpíadas de 2012 em Londres?!

domingo, 10 de agosto de 2008

Capítulo 1

Como todo mundo, ela queria uma vida memorável e resolveu criá-la.

Então ela decidiu que aquele seria o primeiro capítulo da sua vida. Uau, estava escrevendo uma auto-biografia contínua. Quem é que não se sente importante desse jeito? Encarou o passado como um prefácio. Fez agradecimentos e decidiu que a história iria começar.

Mas, como em todo bom livro, a sua história tinha que ter um início em grande. Alguma coisa que marque o tom da narrativa. No primeiro dia acordou com o cachorro em cima da cama. Espreguiçou-se e decidiu que aquele começo não seria bom. "Vou tentar novamente amanhã".

Só que o dia seguinte era uma terça-feira. Nada se começa numa terça-feira, não é? "Vamos então adiar para a semana que vem". E nessa semana nem notou o nascimento do sobrinho. Não falou do abraço que deu na irmã, nas gargalhadas por causa de um tropeção na calçada. E, que tropeção! Troceu o tornozelo e teve que ficar uma semana de muletas.

É claro que a sua história não podia começar apenas com um pé, certo? E adiou novamente o primeiro capítulo.

E foi adiando. Uma vez era porque estava chovendo, outro dia foi porque quebrou o salto do sapato e ainda teve aquela vez que decidiu que não podia começar a biografia porque apanhou todos os semáforos vermelhos no caminho para o trabalho.

Só que, à medida que ia adiando a sua história, adiava também a sua vida. Não adotou aquele dálmata que estava sozinho na rua, não foi jantar com as amigas porque não era o dia certo, não fez nada extraordinário, nada memorável. Tudo o que fez foi esperar o dia certo.

Esse dia veio em meados de setembro, junto com a primavera. Um sol lindo e ela acordou com um cabelo esplendoroso. Até tinha emagrecido um quilo e meio nessa semana. Enquanto caminhava pela rua ia pensando nas primeiras palavras do seu livro.

Foi aí que aconteceu. Foi tudo tão rápido que ela nem conseguiria descrever. E só se lembrava da dor excruciante, do sangue, da perna num ângulo estranho e dos estranhos se acumulando à volta dela. Do som da ambulância ao longe e do moço chorando deseperado perto do carro, se perguntando: "Meu Deus, o que eu fiz?".

Desmaiou. Antes de abrir os olhos, ouviu os sussurros do médico, os bips dos aparelho e ainda sentia dor.

Viu que a sua vida já não dava para um livro. Foi quando, no hospital, pouco antes de perder a consciência, encontrou uma menina, para quem ditou esse conto aqui.

Suspirou.

E foi o fim.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Bad Girl

Depois da minha pequena explosão no escritório notei que o pessoal anda meio com medo de falar comigo. Acho que têm receio que eu rosne e lhes dê indicações para enfiar certos objectos em determinados orifícios do corpo onde o sol não bate. Ou talvez seja porque descobriram que eu faço jiu jitsu e têm medo que eu lhes dê um arm-lock quando eles me passarem uma chamada telefônica.

Ah, e eu não contei como foi a minha primeira aula a sério na academia. Sim, porque a aula experimental e grátis que eu fiz foi bem mais light que a de segunda feira. Acho que é política do professor não puxar muito nas aulas de graça que é para a gente se iludir e achar que aquilo é fácil. Aí fudeu, porque você se empolga e compra o kimono, a faixa e a protecção de boca, paga a inscrição e a mensalidade e se sente na obrigação fazer o dinheiro render.

Pra começar é meia hora de aquecimento. Pô... Meia hora pulando, fazendo abdominal, correndo, fazendo flexão e se arrastando pelo tatame com a bunda. Ok, agora pára tudo e me imagina de kimono fazendo cobrinha no chão. ... ... ... Tá, já chega de rir da minha cara.

(Nota mental: Para a próxima aula irei sugerir ao professor irmos para uma sauna. Acho que se é para aquecer uma sessão de sauna mista terá muito mais eficácia)

Depois ele ensina umas técnicas de acordo com o nosso nível. Para mim ele ensinou a amarrar a faixa... três vezes. Por último a gente luta entre si e no fim todo mundo tem direito a lutar uma vez com o professor, o que é bom para mim porque ele é cerca de oitenta e seis vezes mais forte do que eu e então eu posso usar o meu full power sem medo de o machucar.

É uma delícia porque nessa hora eu me acabo, me jogo pra cima, fico por baixo e rio o tempo todo. Ele diz que nunca viu ninguém lutar dando gargalhada. Ah, e como é óbvio ele não tem dificuldade nenhuma em ganhar de mim. Aí, depois de largar toda a tensão do trabalho no tatame hoje eu acabei deixando escapar um desabafo:

- Ai Kiko... Eu adoro vir aqui e ser mal tratada por você!
- Tá, agora vai lavar a boca porque você está sangrando.

Ah, tá...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A culpa é toda sua

Você quer saber mesmo? A verdade é que eu te odeio.

Te odeio por você nunca ter sido cafajeste. Você teve zilhões de oportunidades para me mandar passear, me deixar na mão, falando sozinha. Em todas elas você foi companheiro. Você brigou comigo quando achava que eu estava errada. Até hoje me olha feio quando eu pulo uma refeição pra comer bobagem.

Eu te odeio por você estar sempre ao meu lado. Por nunca ter deixado de ser amigo. Por ter me visto chorar tantas vezes e ter enxugado as minhas lágrimas com a maior paciência do mundo. E porque, por mais triste que eu estivesse, você sempre me deixou rindo até as bochechas doerem.

Te odeio porque você diz que vai ligar e liga. Porque você aparece na hora marcada. Porque você deixa eu escolher o filme. E porque a comida sai sempre deliciosa quando eu cozinho para você.

Porque que a gente tem aquela química. Porque o beijo combina, o sexo combina, os gostos combinam. Porque você termina as minhas frases, porque a gente escreve a mesma coisa ao mesmo tempo.

Porque eu nunca vi ninguém ser tão encantadoramente bobo como você. Te odeio porque você escreve certo, é educado, se veste bem. Te odeio por ser o cara mais cheiroso do planeta, mesmo quando acorda no dia seguinte. Te odeio pelo teu olhar terno, pelo abraço quente e pelo sorriso sacana.

E te odeio Porque você foi o personagem dos meus melhores textos. E, sem você, eu perdi a inspiração e a paciência está no limite. Porque você aumentou a fasquia e fez com que gostar de outras pessoas fosse muito mais difícil. Sim, porque não bastava um inglês fluente, você arranha no italiano e quer aprender alemão. Agora me explica, como é que alguém pode bater isso?

Te odeio por você ser careca e eu sempre odiei carecas. Menos você. Quer dizer, eu odeio você. Te odeio porque você aparece quando eu preciso. E você sabe quando eu preciso. Conhece meu tom de voz, meu olhar, tudo de mim. Te odeio porque você me faz transparente.

Tá vendo? Eu tenho muitos motivos para detestar você. E cada vez que eu procuro uma razão a mais pra te odiar, caio sempre na mesma: eu te odeio porque eu te amo demais.

O gato comeu!

Aí ontem eu tive vontade de mandar o pessoal do meu escritório à merda. Mas, como eu sou uma pessoa educada, acabei por dizer:

- Vocês podem ir à merda, por favor?

... É... Talvez eu esteja mesmo precisando de férias de verdade.


- Cadê a paciência que existia aqui?

domingo, 3 de agosto de 2008

Enfim só!

É, a família veio mesmo. Por 4 noites a minha casa se transformou num campo de refugiados. E essa gente toda aqui (mais a minha madrasta e Estrela Regina) teve que se espremer dentro da minha Kitch.

O clã Macedo

Era gente dormindo no chão, no sofá cama, na minha cama. Gente sentada no chão porque eu só tenho 4 cadeiras.

Era mala, malinha, malão, necessaire, bolsa, valise, sacola, saco, mochila.

Era criança brigando, madrasta limpando, coelho fugindo e eu com vontade de dar dois gritos e mandar todo mundo ficar quieto.

Era tanta gente que ir ao banheiro, só tirando senha!

Estive de férias no trabalho, mas acabei tendo que ir lá todos os dias por três horinhas para segurar as pontas.

Estive sem internet em casa mas na sexta veio o técnico e, depois de passar por cima de duas crianças para ter acesso ao router, me reconectou ao mundo.

Amanhã volto para o trabalho e começo no jiu-jitsu pra valer. Já até comprei um kimono.

E esse post era mesmo só para avisar que eu já não tenho mais desculpas para não actualizar o blog. Agora vou aproveitar o resto do domingo para fazer a única coisa que eu não fiz durante as férias: descansar!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Foi mal aê

Desculpem a falta de notícias, mas é que tenho a família toda aqui encafuada em casa.

Salve-se quem puder!!!

domingo, 27 de julho de 2008

Carpe Diem

Esse é um post triste. E eu nem sei se eu devia falar disso aqui. Mas que se dane! Essa semana não foi das melhores pra mim.

De quinta para sexta tive que lidar com uma situação nova em termos profissionais: Acidente de trabalho. Fatal.

Se não fosse pelo acidente, muito provavelmente ele e eu nunca teríamos nos cruzado. E, mesmo que nos esbarrássemos na rua, eu não teria reparado nele. Eu sei pouco sobre o homem. Pouco mais do que os dados pessoais que precisei preencher no papel. Não sei se ele ela boa pessoa, se tratava bem da família, que tipo de música gostava, qual a comida preferida... Não sei.

É claro que eu devia tratar tudo só como trabalho, mas mexeu comigo sabem? Tive que me segurar muito para manter a pose de "doutora" quando me entregaram os documentos do senhor para tratar da papelada. É porque você vê a nossa fragilidade assim tão de perto... Numa hora o senhor está trabalhando e um minuto depois... Zapt!

Aí é claro que não dá para não pensar que podia ser eu, ou qualquer pessoa. Dá desconforto, medo. A gente nunca sabe o dia de amanhã, não é?

Por isso, e sem pretensão de dar qualquer lição de vida e correndo o risco de cair no clichê, aproveitem o dia. Vão abraçar os seus pais, conversar com os avós, rolar no chão com os primos e os irmãos. Liguem para os amigos e se declarem para o "mais que tudo". Visitem um tio distante, brinquem com o cachorro, façam o possível, tentem o impossível. Vivam.

Afinal, é só hoje que o podem fazer.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sem reticências

É engraçado quando o amor, a paixão ou até mesmo o tesão somem e dão lugar a um vazio. A este vácuo de sentimento nos habituamos a chamar de indiferença. Chegando aí a gente se cumprimenta pelo protocolo. Ao telefone vamos pouco além do “Oi, tudo bem?”. Porque, na verdade, a gente pergunta sem se interessar pela resposta.

E, mesmo que tenha tudo ficado mal resolvido (ou seria não resolvido?) entre nós sabemos que chegou ao fim. Ninguém precisou declarar tréguas ou hastear a bandeira branca porque a nossa guerra sempre foi uma guerra fria, não oficial.

A gente acaba descobrindo que alguns pontos finais são tácitos, subentendidos. E não dão lugar às reticências.

Como esse aqui

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Família - ê, Família - á, Famíiiiilia!

Eu aqui reclamando de rotina e rolou um convite para um fim de semana fora. Um puta festão numa zona de praia. Ah, beleza! Claro que, arroz de festa como só eu sou, aceitei na hora, muito embora estivesse com aquele sentimento de “Eu acho que estou esquecendo de alguma coisa...”

Fiquei matutando sobre o que tinha marcado para o próximo fim de semana. Nada de bofescândalos, nem aniversários... Hummm... Deixa eu ver quando é que o meu pai tinha dito que vinha me visitar em Portugal com a minha madrasta e mais dois irmãos... E eis que eu me deparo com o seguinte e-mail:

Finalmente as passagens e as reservas de hotel foram feitas e viajo dia 18/07, às 19:10h.

Olhei para o calendário e, tcharan... Hoje é dia 17! PUTAQUEL!!! O vôo do meu pai é amanhã!!! Quase morri de susto! Eu nem marquei férias no escritório, a casa tá uma zona e eu nem tenho comida na despensa. Caraleo!!! E agora?!?!

Mas como o meu pai já não me dizia nada sobre a viagem há muito tempo (desde abril), eu ainda pensei que ele tivesse desmarcado e resolvido não vir. Ainda em estado de choque resolvi ligar para o meu pai para confirmar. Preparei a voz de pessoa tranquila e serena e marquei o número:

- Alô?
- Oi, pai?
- Lu?
- Sim. Tudo bem?
- Tudo. E vocês?
- Tudo ok. Eu ia agora mesmo escrever um e-mail pra você.
- Sério? É que eu estava pensando quando é que você vinha e vi aqui um e-mail seu antigão... Dizendo que você chegava no dia 19. Depois de amanhã...
- É. Nossa, tem sido uma correria com as malas e tudo mais.
- Mas vocês vêm MESMO?
- Claro!
- (silêncio, sensação de soco no estômago)
- Lu? Oi?
- (silêncio, sensação de entranhas a derreterem)
- Você ainda está aí?
- ... ahn, sim...
- Ficou emocionada?
- ... é.... muito... Mas acho que foi mais o susto.
- Susto de quê?
- Nada não.
- Mas a gente alterou as coisas. Vamos ficar primeiro pela Espanha e depois chegamos aí no dia 27, às 9:00 da manhã.
- (suspiro de alívio) Tá bem...
- Então eu vou te mandar um mail com os detalhes todos da viagem, tá?
- Tá bem.
- A gente vai se falando então. Beijo.
- Tá bem.

Neste momento continuo em estado de choque e meio catatônica. Estou na fase da negação. Ainda tenho que percorrer a raiva, a negociação e a depressão. Quando finalmente entrar na fase da aceitação vou arrumar a casa, comprar um colchão extra, comida e me preparar para que a minha kirchinette de 37m2 se torne num mini acampamento cigano com 5 pessoas e um coelho malocados ali dentro.

O último apaga a luz.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Não morri não!

É só falta de assunto mesmo. Alguém aí tem um memê??

domingo, 13 de julho de 2008

I will survive (iééééééé!)

Desde sexta-feira que a palavra que eu mais tenho utilizado é:"Ai!". Neste momento tenho dores em músculos que eu nem sequer sabia que existiam. Pois é... Duas horas e meia de aula de jiu jitsu depois de um ano sem exercícios físicos renderam os seus frutos.

Mas, mesmo assim, adorei! Eu não sei se eu falei aqui, mas eu desconhecia completamente o jiu jitsu. Achei que era mais uma arte marcial com chutes e socos. Pra quem não sabe, é essencialmente uma luta de chão que utiliza técnicas de imobilização. Falei bonito agora, não foi?

Ou seja, o negócio é rolar pelo tatame tentando quebrar braços, pernas e enforcar o adversário. Ah, tá... Bom, mas eu disse que queria uma coisa violenta para descontar o stress do trabalho, não foi?

Como todas as aulas, começou com o aquecimento básico de meia hora: pular no mesmo lugar, correr, girar os braços e fazer abdominais. E foi por causa das 150 abdominais que espirrar e rir tornaram-se experiências muito dolorosas nas últimas 48 horas. Claro que depois do aquecimento eu já estava pronta para ir para casa. Só que ainda faltavam duas horas de treino.

Foi no treino que a diversão começou. O primeiro exercício consistia em sentar em cima da outra pessoa e dar uma volta com o pé por cima da cabeça do adversário e ficar segurando o braço com o intuito de o partir. Claro que eu e a minha deficiente coordenação motora tivemos bastante dificuldade de entender como se fazia.

Aí é que foram elas... Que eu me lembre, eu nunca sentei em cima de ninguém que não fose para... Hummm... Digamos que eu nunca sentei em cima de ninguém usando roupas. Por isso, a cada exercício eu só pensava besteira.

E, acreditem, não fosse o facto de estarmos usando um pijama ridículo (também conhecido como Kimono) aquilo poderia ser encarado como terapia sexual. Juro! Nas duas horas que se seguiram fui ouvindo as seguintes instruções do mestre:

"Agora deita de costas e abre as pernas. Isso! Agora eu vou entrar aqui e você vai cruzar as pernas atrás de mim. Muito bem! Agora monta em mim. Pega ali entre as pernas. Assim. Fica de quatro. Levanta mais a bunda."

... E por aí adiante. Ah, e quase ia me esquecendo do meu medo de machucar o adversário. Sim, porque eu estava montada na colega (sem duplo sentido, viu?) e ficava o tempo todo perguntando: "Mas eu te machuquei? Estou usando muita força? Tá bom assim?". Acho que demorei até entender que aquilo era uma luta, e não balé.

A cereja em cima do bolo foi quando eu fui lutar com o mestre perto do fim da aula. Obviamente ele não teve qualquer dificuldade de se pôr em cima de mim e me imobilizar, apesar de ter sido simpático e ter me permitido usar algumas técnicas. Mas quando (ao fim de 30 segundos) ele estava por cima, não aguentei e disse:

- E é agora que você vai me chamar para jantar?

Ele riu, baixou a guarda e eu consegui sair. Rá! Ponto para mim. Acho que levo jeito pra isso do jiu-jitsu.