sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Assalto

Querido Papai Noel,

Eu sei que eu vivia dizendo que eu estava satisfeita com o meu telefone e talz. É verdade, sabe? Ele liga, manda mensagens e a bateria dura uma semana. Ah, e não tem facebook. Isso pode parecer uma desvantagem, mas quando eu saio de casa gosto da sensação de estar offline. Logout na internet, login na vida.

No entanto, se ainda assim você queria me trazer um celular novo de presente, bastava deixar o bichinho embaixo da árvore. Não precisava mandar um cara armado roubar o meu telefone. De quebra o fulano ainda levou a minha carteira.

Não, não é que o Rio seja uma cidade perigosa. Foi o tipo de criminalidade que pode acontecer (e acontece) em qualquer lugar do mundo. Na verdade até foi descuido meu. Passar por uma ruazinha mal iluminada e pouco movimentada já bem tarde da noite é pedir para uma coisa dessas acontecer, né?

Eu topei o cara de longe e ainda tentei abrandar o passo, para que ele seguisse na nossa frente. Mas ele viu que eu tinha reparado e apontou o revólver para mim.

Papai Noel, você já tem experiência o suficiente para saber que esse tipo de brinquedos não se dão a certos meninos porque eles não sabem brincar direito.

Ele sacudiu a arma e pediu a minha bolsa. Bolsa que nem era minha, que eu pedi emprestada à minha mãe (ainda dá tempo de me mandar uma bolsa nova). Eu disse um: "Ai não moço, por favor..." bastante sofrido mas ele gritou de novo e pediu a carteira, dinheiro, cartão e celular.

Uffff... Salvei a bolsa de mamãe. Ele podia até ter um revólver, mas se eu chegasse em casa sem a bolsa, mamãe iria me comer viva.

Tirei a carteira e ia tirar o dinheiro para dar para ele, mas ele pediu a carteira toda. Poxa, será que ele não sabe que você poderia dar uma carteira para ele? Tinha mesmo que levar a minha carteira fofa com desenho de gatinhos (pode mandar outra igual, tá?)?!

Ainda soltei um: "Deixa só eu tirar a minha identidade". Porque sabe como é, né Papai Noel? Ser assaltada tudo bem, mas ter que ir de novo ao Detran tratar de documentos, ninguém merece. E, num movimento ninja, puxei a minha CNH para fora antes de lhe entregar a carteira.

O meu amigo, vendo que o cara estava sendo um menino mau e que decerto não ia ganhar presentes do senhor esse ano, esticou o braço e deu-lhe dinheiro para ele ir comprar alguma coisa bacana. Ainda assim o cara insistiu em levar o meu celular. Sim, esse mesmo que foi o mais barato que tinha na loja e que nem crédito tinha.

Ele até fez cara de nojinho quando eu entreguei o tijolão. Se o meu celular fosse um carro, provavelmente seria um Chevete, ano 86. Mas talvez eu tenha cara que anda por aí com Blackberry ou Iphone. Tá vendo Papai Noel? Essas roupinhas que eu compro na Rua da Alfândega me deixam com cara de fina. Pode mandar mais uns vestidinhos de lá que eu agradeço.

Ainda perguntei para ele se ele podia me deixar cinco reais para a passagem do ônibus. Ele sacudiu o revólver e mandou eu ir embora. Obedeci muito revoltada. Afinal, ele não sabe que o Natal é época de partilhar?

E agora eu pergunto: Precisava isso tudo, Papai Noel? Precisava esse teatro todo?

Bem, fico à espera do meu novo celular. Ah, e se puder leva também uma lembrancinha ao PM que quase me enfiou num tiroteio depois do assalto e para o pessoal da polícia civil que me tratou super bem, com muita educação e simpatia.

Beijos,
An@Lu







2 comentários:

mari disse...

oops :( ... mas ainda bem que ainda dá para rir :D
**

Eduardo Gesualdi Monteiro de Castro disse...

Não achar que o Rio seja uma cidade perigosa. O triste é isso: a gente começa a achar normal esse tipo de "evento".