terça-feira, 1 de julho de 2008

Força do hábito

Está quase fazendo um ano que eu vim morar sozinha. Desde aí quase toquei fogo na casa umas quantas vezes (note to myself: não fazer pipocas de microondas e ligar para a amiga), quase provoquei um dilúvio (other note: antes de ligar a máquina da roupa, verificar se o cano de escoamento da água está devidamente encaixado; não dormir enquanto a casa está sendo invadida por água com sabão), fora as vezes que me queimei fazendo comida e me cortei abrindo lata de atum. Resumindo: eu sou aquilo a que se chama “Dona de Casa Desesperada” (tá, eu não matei ninguém como as mulheres da série. Mas isso é apenas uma questão de tempo).

Mas, mesmo com todos os percalços, eu fui me virando. Por isso me habituei a fazer tudo pelas minhas próprias mãos. Não quer dizer que dê certo todas as vezes, mas eu bem me esforço. Fiz mudança, montei móveis, troquei lâmpada, matei aranhas, carreguei compras, enfim tudo.

E esse discurso todo foi pra explicar que eu estou acostumada a fugir dos meus dragões sem esperar que o príncipe venha me salvar num corcel. Claro que isso acaba originando situações engraçadas com o “mais que tudo” e levando a episódios como esse aqui:

Cenário: Praça de uma cadeia de fast-food cujo símbolo é um gigantesco “M” amarelo. Eu e o bofescândalo íamos comer qualquer coisa antes do show do Jack Johnson. Claro que eu fiquei ali na fila pronta para pedir e de carteira em punho. O “mais que tudo” pergunta:

- O que você vai querer?
- Um double cheese. E você?
- Um big mac. E pra beber?
- Um sprite. Não... Peraí! Uma fanta.
- É. Fanta é legal. (quem é que diz “Fanta é legal”?! Mas, whateva, o assunto de hoje não é esse!).

A nossa vez se aproxima e ele olha fixamente pra mim. Eu fique ali, impávida e serena, pronta para pedir pelos dois. Aí ele não aguentou. Fechou a cara e disparou:

- Você pode fazer o favor de me deixar pedir???
- Hã?! Você está falando de quê?
- Você faz tudo!!! (ele tava ficando vermelho. Juro!) Você dirige o carro, abre a porta, carrega as sacolas... Posso pelo menos pedir a comida? Você deixa?????
- ... er... Sim... Toma o dinheiro então...
- Você está maluca? Guarda a carteira! Vai sentar e fica quietinha que eu levo a comida.

Eu fui, né? Completamente de queixo caído. Não tanto pela ataque de pelanca do tipo “deixa eu mostrar quem veste as calças nessa porra” do bofinho, mas porque a maioria das vezes eu faço isso de forma quase insconsciente. Não tem nada a ver com feminismo ou por querer ser uma mulher moderna. É força do hábito, sabem?

Ah, e não estou nem aí se vocês acham que foi machismo. Eu achei fofo...! (*suspiro*)

3 comentários:

Pedro Mateus disse...

Hoje, enquanto procurava uma forma de salvar o mundo, entre louvores e palmas, uma verdadeira apoteose, ou seja, enquanto ia entretido nos meus pensamentos num jogging matinal antes do trabalho, lembrei-me do teu post(vá-se lá saber...) sobre seres uma menina prendada, afinal ja matas baratas e carregas compras... e pensei..agora já so falta aprenderes a cozinhar e engomar camisas!!! ahahahahaha ;)

Larissa Bohnenberger disse...

Ah, foi fofo sim, também achei!

MaxReinert disse...

hauhauahauhua....
Fofo mesmo!

Bah... as vezes a gente sai fazendo as coisas e nem se lembra que tem que deixar espaço para o outro...

Tá certo... certíssimo!!!!!