domingo, 11 de setembro de 2011

Ground zero

Assistimos de nossas casas enquanto ele mudava o mundo. Choramos os mortos. Contamos os mortos. Vimos e revimos as cenas chocantes.

Passamos a ser mais cuidadosos. Desconfiados do diferente. Temendo ser apanhados pelo acaso e pela falta de atenção, fechamo-nos em nossas casas. Destruímos as pontes que nos ligavam, reforçamos os nossos muros.

Criamos barreiras à circulação. Alimentamos o ódio e a sede de vingança. Fomos atrás. Perseguimos, caçamos, exterminamos.

Por fim, quase dez anos depois, celebramos a morte de um homem que tinha por costume celebrar a morte alheia.

Matamos o homem e o medo permanece. O preconceito também. E, enquanto vivermos sob a sua égide, jamais poderemos nos proclamar vencedores dessa guerra sem fim.

2 comentários:

mari disse...

é um nó na garganta que não passa ...

Larissa Bohnenberger disse...

Incrível texto, Ana! E muito bem ilustrado!